Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

Programa nº 625

>>Nada de reforma
>>A TV do reino

Por Luciano Martins Costa em 08/10/2007 | comentários

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Descobrindo os partidos

Depois de digerir, no final de semana, a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre fidelidade partidária, os jornais parecem ter redescoberto os partidos políticos.

Na edição de hoje, observa-se uma mudança sutil na cobertura da política nacional. Antes concentrada nas iniciativas do Executivo e do Congresso como um todo, a busca de notícias nesta segunda-feira mostra com mais detalhes o ambiente interno dos partidos.

Com isso, o leitor pode entender melhor como certos temas chegam ao plenário da Câmara e do Senado.

O Estado de S.Paulo, por exemplo, aposta que a decisão do STF complica a votação da CPMF no Senado, onde o objetivo do governo de garantir 48 votos a favor da prorrogação fica teoricamente mais difícil.

Pegando carona

O Globo já havia iniciado no final de semana uma análise sobre a perda de poder do Congresso, mostrando que o Judiciário tem sido mais requisitado para tomar decisões ou dar interpretações onde o Legislativo se omite.

O jornal carioca observa, que, com a agenda fechada por acordos das lideranças, resta pouco espaço para os parlamentares realizarem seu trabalho. Muitos deles pegam carona nas medidas provisórias, tentando ‘contrabandear’ emendar durante as votações.

Mas essa prática reduz a disputas de quinquilharias o debate sobre grandes temas que o Brasil tem que enfrentar.

Nada de reforma

O que os jornais ainda não abordaram é a necessidade de uma reforma política de fato, que não pode vir de fora, por iniciativa do Supremo Tribunal Federal.

Como também não se pode esperar que os atuais congressistas tomem a iniciativa de mudar as regras às quais estão acomodados, a perspectiva é que os partidos façam alguns ajustes até o final do ano, retomando certo controle sobre seus filiados com base na decisão judicial sobre a fidelidade.

Mas no ano que vem haverá eleições municipais em todo o País.

Só no Rio de Janeiro jã são 21 pré-candidatos a prefeito, que provavelmente vão se dividir em duas categorias: lulistas e anti-lulistas.



A estratégia de criar uma base parlamentar à custa da negociação de cargos e verbas com as cúpulas dos partidos aliados, que já custou ao governo federal o escândalo do ‘mensalão’, pode se complicar neste final de ano, quando a chamada raia miúda também vier cobrar sua cota de benefícios.

A TV do reino

O bispo Edir Macedo, criador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus, dono da Rede Record de Televisão, que acaba de lançar um novo canal de notícias e comemora o crescimento de sua audiência, resolveu aproveitar o bom momento da emissora.

Ele concedeu uma entrevista exclusiva à Folha de S.Paulo, na qual anuncia o lançamento de autobiografia e critica o papa, a rede Globo, o jogo político, o Judiciário e a imprensa.

Edir Macedo denuncia, segundo a Folha, que existem interesses não revelados ‘por trás das manchetes e das decisões descabidas da Justiça; a manipulação da verdade motivada por interesses comerciais e religiosos’.

Macedo e sua emissora de TV também foram o tema principal da revista Veja no final de semana.

Ouça o comentário de Alberto Dines.

Dines:

– Milagre: a Veja foi imparcial na matéria de capa sobre a briga TV-Globo/TV-Record. Imparcial e informativa, opção que o maior semanário brasileiro abandonou já há algum tempo. Veja mostrou os avanços da emissora de Edir Macedo, mas não escondeu as ligações do Bispo com a Igreja Universal. Ao contrário, enfatizou o exótico parentesco entre a seita evangélica, teoricamente dogmática e um canal de TV tão volúvel como seus concorrentes. Veja certamente desagradou às duas empresas. Tentou a objetividade e foi realista,  cuidou dos seus interesses. De quebra, atendeu à obrigação de informar seus leitores, sem preconceitos. O que chama a atenção é que a Record é uma aliada ostensiva do governo e de seus postulados, enquanto o semanário está no extremo oposto, ferrenhamente anti-petista e anti-esquerdista. A matéria evidentemente não esgota a briga na telinha,  mas oferece subsídios importantes. Essa é a função de um semanário de notícias.



Luciano:

Renan passou da conta

Os jornais trazem hoje o resultado das últimas manobras de Renan Calheiros e tudo indica que ele conseguiu voltar contra si alguns de seus antigos aliados.

O Estado revela que o presidente do PMDB, Michel Temer, ameaça levar ao conselho nacional do partido a questão do afastamento dos senadores Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon da Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Simon e Vasconcelos foram afastados pelo líder do PMDB, Valdir Raupp, a pedido de Renan, porque eles não costumam votar de acordo com os interesses do presidente do Senado.

Segundo a Folha, a ação contra Renan será mais ampla.

Alguns senadores da oposição ameaçam organizar uma renúncia coletiva em todas as comissões do Senado, tornando inviável qualquer votação.

Mais uma denúncia

Renan Calheiros, que venceu a primeira acusação de quebra do decoro parlamentar, pelo suposto uso de um lobista da construtora Mendes Júnior para pagar pensão à ex-namorada Mônica Veloso, tem ainda três processos pela frente.

Ele é acusado ainda de haver favorecido a cervejaria Schincariol na redução de dívidas junto ao INSS, de haver comprado por meio de ‘laranjas’ duas emissoras de rádio em Alagoas, e de coordenar um esquema de desvio de recursos de ministérios controlados pelo PMDB e lavagem de dinheiro.

Agora, o partido Democratas ameaça entrar com um quinto pedido de processo.

Renan á acusado, desta vez, de haver mandado um assessor montar um esquema de espionagem contra os senadores Marconi Perillo, do PSDB, e Demóstenes Torres, do Democratas.

Enrolando

O presidente do Conselho de Ética também está sendo presssionado por atrasar a indicação de relatores para os novos processos contra Renan Calheiros.

Segundo o senador Aldemir Santana, da oposição, ele e pelo menos três outros parlamentares, Eduardo Suplicy, Augusto Botelho e Jefferson Peres, estão dispostos a assumir a tarefa, mas Quintanilha vem adiando a decisão.

Até mesmo o Executivo, que tem se beneficiado da lealdade de Renan Calheiros, está incomodado com a falta de limites do presidente do Senado.



A edição eletrônica da Folha de S.Paulo revela que Renan está agora investigando negócios do filho do senador Agripino Maia com a Petrobrás, para reforçar seu arsenal de chantagens contra os adversários.

O jornais de amanhã devem trazer novas e ainda surpreendentes notícias sobre o nível a que chegam as disputas na casa maior do Congresso.

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