Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
Menu

Programa nº 359

Mauro Malin

>>Não há ´complô´ da mídia
>>IstoÉ não convence

Por Mauro Malin em 25/09/2006 | comentários

Ouça aqui

Download

Não há ‘complô’ da mídia


A mídia é facciosa, como todos os atores envolvidos no jogo político. Os telejornais, os jornais e as revistas se engajam, cada um dentro de sua modalidade. Mas não se trata de uma “barragem anti-Lula a serviço da direita”. De todos os atores coletivos, no Brasil de hoje, a mídia é a que menos esconde deliberadamente fatos comprometedores.


A reação coletiva contra o discurso com que o presidente da República procura se isentar de responsabilidade por ações de seus companheiros de campanha não faz parte de nenhum complô. É uma defesa da imprensa livre, com todas as suas conhecidas limitações, e uma resposta, relevante para o exercício da democracia, à tese de que tudo na política é feito de modo mais ou menos sujo.


É preciso não perder de vista que ataques graves têm sido feitos contra a mídia não apenas pelo presidente da República, mas pelo vice-presidente, José Alencar, e pelo ministro, com perdão da palavra, das Relações Institucionais, Tarso Genro. Isso para não mencionar o PT e adjacências.


IstoÉ não convence


Alberto Dines critica um editorial em que a IstoÉ tenta passar a idéia de que não praticou jornalismo marrom.


Dines:


– Para reparar os danos na imagem da revista IstoÉ produzidos pelo mais criticado de todos os dossiês, publica-se na corrente edição um editorial auto-elogioso intitulado “Jornalismo de Primeira”. A jogada é mostrar que havia dois dossiês: um, fajuto, apreendido pela Policia Federal e com o qual a revista nada teria a ver. E haveria outro dossiê publicado na semana passada e continuado na presente edição. Não é verdade: os Vedoin receberam aquela bolada para produzir um único dossiê apreendido pelos federais. Para comprovar que a matéria da IstoÉ foi exaustivamente investigada, o diretor da revista tenta alegar que a entrevista com os chefões dos sanguessugas foi feita em Cuiabá na quarta-feira, dia 14. Mas esqueceu de verificar que no início daquela matéria consta de forma inequívoca que estava sendo escrita um dia depois, na tarde de quinta-feira, dia 15, pouco antes de ser impressa. E por ai vai tropeçando nas contradições, tentando tapar o sol com a peneira e ignorando que estamos diante de um dos maiores vexames jornalísticos dos últimos tempos. IstoÉ já praticou jornalismo de primeira. No momento, usa desculpas de quinta, para disfarçar um comportamento sem qualquer, mas sem qualquer categoria.



Debate prejudicado


Sejam quais forem seus defeitos em campanha eleitoral, o governo do presidente Lula deve ser analisado friamente. É preciso discernimento para aprovar o que funcionou e reprovar o que prejudicou o país. Assim como devem ser examinadas com o máximo de objetividade as ações e as propostas de seus adversários. O principal deles, Geraldo Alckmin, fez em São Paulo um governo com grandes falhas, especialmente nas áreas de educação e segurança pública. É uma pena que a atual campanha eleitoral, ao invés de deixar esses pontos mais claros, jogue o debate mais substantivo para segundo plano.



Passivo ético


O jornalista Wilson Figueiredo atribui à leniência dentro do PT uma sensação de impunidade que custará caro ao país.


Figueiredo:


– Essa crise não é nada mais do que a conseqüência de uma circunstância: o PT se recusou a punir os primeiros que puseram a cabeça de fora desde aquele primeiro caso, do Waldomiro. Desde aquele episódio do gabinete. Daí por diante nunca se puniu ninguém. O resultado é que criou-se a atmosfera da impunidade e agora. O pessoal faz isso, evidentemente, sem o conhecimento do presidente da República. Agora, as conseqüências virão. Ninguém pode dizer quais são. Mas que elas virão, virão. Porque o governo vai começar com um passivo ético muito grande.


Mauro:


– Opinião semelhante sobre as dificuldades vindouras dá hoje em entrevista à Folha de S. Paulo o presidente daAssociação Brasileira das Empresas de Celulose e Papel, Horacio Lafer Pìva, ex-presidente da Fiesp.


Duas ‘raças’ ruins


A imagem da candidata Heloísa Helena sai arranhada de um relato feito hoje no jornal Valor pelo repórter Chico Santos, que cobre sua campanha. Palavras da senadora: “Só tem uma raça pior do que jornalista – é político”.


# # #


Outros tópicos recentes


De Alberto Dines


Jornalismo fiteiro, momentos finais


O publico como elemento ativo. E consciente


Estranhamento é o caminho da inovação


 Do blog Em Cima da Mídia


Roberto Jefferson diz que estopim foi Furnas


Piracicaba na Berlinda


Responder com perguntas


PCC pela rama


Mundo digital atropela revistas de História

Todos os comentários

  1. Comentou em 25/10/2006 Clerton de Castro e Silva

    Será que a mídia não está se sentindo culpada por ter ajudado a criar a imagem do Lula? Arrependimento mata.

  2. Comentou em 25/10/2006 Clerton de Castro e Silva

    Mauro, que a mídia anda pegando no pé do Lula, é fato. Porém, o Presidente e o partido dele deram todos os motivos para que isso acontecesse.
    O que eu não concordo, não sei se estou errado, é que os que defendem o Lula acharem que o erro da mídia, justifica as trapalhadas e os trapalhões.

  3. Comentou em 25/10/2006 José nogueira

    Até entendo que para muitos jornalistas deve ser costrangedor concordar com quem ofende aqueles que lhes pagam, mas não podemos ser ingênuos. Quem já leu Walter Benjamin e outros filósofos da Escola de Frankfourt vê a imprensa de uma forma mais crítica e, nesta época de final de eleição, as pesquisas e os comentários de leitores vão fazer muitos jornais e jornalistas maneirarem o tom. Isto não é nenhuma novidade. Eu mesmo já presenciei a poderosa Globo, que se recusava a cobrir os comícios das Diretas, mudar de atitude depois que a população cantava em coro: ‘O povo não é bobo, fora Rede Globo’.

  4. Comentou em 27/09/2006 douglas puodzius

    Caro Malin Reescrevo, primeiro para me desculpar pela troca de nomes, depois para dizer que não o vejo como um defensor do tucanato e por fim para fazer uma provocação: Vc. acredita que em algum veiculo de comunicação será publicado aquele organograma apresentando as conexões entre Abel Pereira – Barjas Negri – Serra – Alkimim – FHC e etc.? Um daqueles que comumente fazem ligando Lula ao ministro x ao secretário y ao supervisor tal que contratou o faxineiro que bateu na mulher? Um daqueles cheio de rostos em desespero? Se a sua resposta for não. Pergunto: – Por que não? Por que a diferença de tratamento? E veja, a pergunta é por que nenhum fará esse tipo de apresentação tão costumeira nesses casos quando envolve o PT. Se vc tiver uma resposta que não seja a parcialidade da imprensa eu sinceramente gostaria de saber. PS. Acredito que a maioria dos leitores desse observatório são contra alguns absurdos publicados aqui simplesmente por serem inteligentes e antenados. Observam na imprensa uma triste realidade que lhes salta os olhos e tambem não escrevem para agradar aqueles que escrevem ou lêem. Emitem suas sinceras opiniões apenas.

  5. Comentou em 27/09/2006 douglas puodzius

    O sr. Nildo faz uma análise inteligente e embasada para demontrar que alguns analistas deste blog estão na contramão do que a maioria dos leitores pensam sobre a imprensa. A verdade é que para a maioria algo não cheira muito bem no mundo da midia. Soninha também achou. Venício tambem sentiu o ar pesado. No entanto, Dines ainda crê que apesar de um probleminha aqui e ali estamos de vento em popa na questão de uma imprensa ética e democrática. E por isso responde perguntando ao leitor Nildo:’Por que será que a maioria dos internautas que se manifestam neste Observatório defendem o governo e o PT? ‘. Eu diria que atualmente, quem for contra a imprensa será tachado de petista porque é óbvio que estão em lados contrários. Se isso não for complô, o que será, então?

  6. Comentou em 26/09/2006 Samuel Mattosa de Lima

    Eu acho que o escândalo do dossiê irá abalar a campanha do presidenter Lula, repercutindo negativamente no eleitorado brasileiro.

  7. Comentou em 26/09/2006 nildo arcan

    O Mauro (e Dines mais o Weis) me lembram um personagem que meu pai seguidamente usava para me fazer raciocinar em certos fatos onde eu sempre achava ser ‘o dono da razão’. Este personagem era o Joâozin do Passo Certo! Papai tentava me mostrar o certo e o errado contando que este tal Joãozin, na ocasião de desfiles e paradas, marchava num passo diferente de todos os outros alunos, mas teimava que ele é que estava certo, os outros NÃO sabiam marchar, isto sim. A comparação com os observadores(?) se dá pela simples leitura dos comentários dos artigos que publicam. Invariavelmente estes artigos provocam uma onda de comentários diametralmente opostos às ‘verdades’ publicadas como observações da imprensa. Se não me enganei, tentando exemplificar com dados, vejamos: Este artigo – 10 comentários, os 10 contrários às palavras do Malin O artigo abaixo(Piracicaba) – 22 comentários, 20 contrários às palavras do Malin. O artigo do Weiss’crítica desonesta(?)…’ questionando Emir – 107 comentários – 7 a favor e 100 contra O artigo do Dines ‘IstoÉ não convence’ – até o momento 21 comentários, 20 contra o grande observador Dines e a favor só um tal de Apolônio, que se diz físico. E percebam que a maioria são opiniões equilibradas, de todos os lugares do Brasil, profissionais de diversas áreas, a maioria não petistas filiados, apenas gente normal revoltada com o COMPLô…

  8. Comentou em 25/09/2006 Neimyr Guaycurus

    Eu acompanho e busco sempre no Observatório opiniões que, claro, não encontro na mídia, por entender que tal veículo não considera o leitor estúpido e ignorante como a grande mídia. Porém, a matéria que não há complô da mídia contra o PT e Lula é triste e corporativa, com toda a proposta de um canal crítico à mídia do Observatório, não adianta que cai sempre na velha história da imprensa livre para defender o indefensável. È claro que há uma extrema parcialidade por parte da mídia, não que esteja errada em divulgar e desbaratar falcatruas que existam no governo, esse é o papel fundamental, porém, a democracia requer que tudo seja divulgado e denunciado, também do lado do PSDB e PFL. Por exemplo, a PF diz que vai investigar o empresário Abel …, ligado ao PSDB, Serra e ao braço direito e substituto do Serra no MS na era FHC, e a mídia o que divulgou sobre isso? De que forma divulgou? A mídia esqueceu das CPIs que foram barradas na Assembléia de SP pelo Alckimin, do caso da NOSSA CAIXA, do caso da DASLU? O corporativismo de vocês é tão nocivo à democracia quanto o do Congresso Nacional e outros. Infelizmente será difícil termos canais mais democráticos para uma boa avaliação do que ocorre. Gostaria de destacar o trabalho da colunista do Globo Tereza Cruvinel, de todos os que leio ela está a mais próxima de um verdadeiro jornalismo, próxima, pois a pressão do patrão deve ser…

  9. Comentou em 25/09/2006 joao monge

    A imprensa em primeiro lugar tem que informar com neutralidade, o que não ocorre, até parece que os profissionais são dirigidos ou obrigados a agir com favoritismo. No caso do dossiê tem que investigar tudo e todos, por que só querem penalizar quem comprou, por que não ir a fundo e querer saber o que realmente existe, as acusações ao PSDB são falsas ou o PSDB, quando governo, tinha a ver com a máfia das ambulâncias? Isso o povo quer saber, penalizar quem tem culpa, mas não pode é ficar defendendo os candidatos do PSDB sem antes saber toda verdade, isso sim é neutralidade e que esta faltando à imprensa em geral, muito sensacionalismo e pouca veracidade, e o povo não se ilude mais com isso tanto é que nem leu mais jornais, revistas e não assisto programas politicos, devido a tanta baboseira.

Programas Anteriores

1 2 3 4 5 última

1 de 2625 programas exibidos

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem