Domingo, 18 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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>>Ninguém escreve sobre o coronel
>>A crise em banho-maria

Por Luciano Martins Costa em 21/10/2008 | comentários

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Ninguém escreve sobre o coronel


Depois de vários dias de superexposição à mídia, o comandante do Batalhão de Choque da PM de São Paulo, coronel Felix de Oliveira, desaparece das páginas dos jornais e dos noticiários do rádio e da TV.


Hoje a imprensa informa que a ordem de invadir o apartamento onde duas adolescentes foram mantidas sob cativeiro durante cem horas, foi dada por um tenente do Grupo de Ações Táticas Especiais.


A ação desastrada, repetida inúmeras vezes pela televisão, mostra um grupo de policiais completamente atrapalhado com a porta bloqueada e com uma escada colocada junto a uma das janelas. 


No dia seguinte ao do funeral da jovem morta, os jornais seguem analisando a desastrada atuação da polícia, que havia sido acompanhada minuto a minuto durante todo o tempo, e a tendência das opiniões de hoje é de considerar que tudo foi mal feito e que faltou coordenação no ataque ao apartamento.


Mas parece que as ações atabalhoadas da PM ainda não acabaram: na edição de hoje, o Estado de S.Paulo informa que dois policiais militares foram ao hospital onde está internada a outra adolescente para tentar ouvir seu depoimento, mas foram impedidos pelos médicos. 


Mas os jornais também começam a discutir a ação da mídia durante o episódio.


A Folha de S.Paulo entrevistou um especialista que afirma ter sido um erro grave transmitir ao vivo, pela TV e pelo rádio, entrevistas do criminoso.


Segundo essa análise, a mídia exacerbou a psicopatia que estava em jogo.


Mas a lista das inconveniências não tem hora para acabar: segundo o médico Luiz Augusto Pereira, coordenador da Central Estadual de Transplantes de São Paulo, também entrevistado pela Folha, é antiético divulgar os nomes dos destinatários de órgãos da jovem assassinada.


As relações entre a família do doador e o beneficiário do transplante são imprevisíveis, e há casos de chantagens, conflitos e até morte, disse o entrevistado. 


Assim, enquanto o coronel Félix de Oliveira desaparece das telas da TV e das páginas dos jornais, o rescaldo da tragédia vai revelando a sucessão de erros.


Ninguém pode afirmar que uma coisa tenha a ver com a outra, mas hoje os jornais noticiam mais dois casos de jovens que foram assassinadas por ex-namorados.


Até que ponto o tratamento espetaculoso de casos como esses estimula novos atos de violência? 


A crise em banho-maria


A imprensa, e não apenas no Brasil, segue medida a medida as tentativas de estancar a crise financeira e recolocar nos trilhos o sistema global de negócios.


Aqui na antiga terra da inflação crônica, os jornais se dedicam a discutir os efeitos da política econômica, se o governo age bem ao acalmar os mercados ou se age mal por manter o clima de otimismo num oceano de tormentas.


Enquanto isso, na vida real, as empresas celebram mais um ano de ganhos expressivos enquanto se preparam para ajustes. 


No varejo do noticiário, quem quer emoções em doses diárias está bem servido com a gangorra do mercado de ações e as injeções de adrenalina financeira anunciadas quase diariamente pelos bancos centrais.


Mas para quem precisa pensar no longo prazo, como o pai ou a mãe de família que está preocupado em poupar algum dinheiro para os estudos dos filhos, não há muito material para reflexão na imprensa diária. 


Na sua última edição, a revista americana Scientific American trata o mundo pós-crise financeira como o “Planeta Terra 3.0”, apresentando argumentos para uma reflexão sobre as mudanças profundas pelas quais a humanidade está passando, por conta da globalização, da crise financeira e dos problemas ambientais que marcam este começo de século.


Mas a imprensa diária segue presa aos paradigmas do valor de hoje das ações, da taxa de juros e da opinião do Fundo Monetário Internacional. 


Uma revisão histórica


O Observatório da Imprensa na TV vai debater hoje, com convidados argentinos, a Copa do Mundo de 1978.


Realizada sob o domínio da ditadura do general Jorge Rafael Videla, aquela disputa ficou marcada por polêmicas que até hoje a imprensa da Argentina vinha evitando.


O tema vem à tona hoje, à meia-noite e dez na TV Cultura e, ao vivo, pela TV Brasil, a partir das 22h40.

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