Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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Programa nº 701

>>O bambolê da ministra
>>A febre da imprensa

Por Luciano Martins Costa em 23/01/2008 | comentários

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O bambolê da ministra

O PMDB deu um bambolê de presente à ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil.

A notícia, publicada hoje pelo Estado de S.Paulo, diz muito mais sobre as práticas na política brasileira do que todos os artigos e editoriais dos jornais de hoje.

O líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves, não poderia ter sido mais explícito: ‘É para ver se melhora o jogo de cintura da ministra’.

Dilma Rousseff é mais do que coordenadora política do governo.

Ela administra a participação dos aliados no governo federal e representa também a maior aposta do presidente Lula da Silva para a sucessão presidencial em 2010.

O PMDB é um partido mais pragmático do que programático, como se diz em Brasília.

Depois de tentarem, sem sucesso, desestabilizar a ministra com boatos sobre o risco de racionamento de energia, que colocaria em xeque sua competência como administradora, os peemedebistas resolveram admitir que ela está na disputa para ficar.

E resolveram seguir o ditado: se não podem vencê-la, aliam-se a ela.

A ministra é tida como boa administradora, de pulso firme e disciplinada.

Ela aparece hoje com destaque em todos os jornais, fazendo o balanço do Plano de Aceleração do Crescimento, o PAC.

Além de representarem o motor que pode garantir ao País um crescimento anual de 5%, a partir deste ano, as obras do PAC são uma vistosa bandeira para as eleições municipais que se aproximam.

E Dilma tem a chave que dá partida ao motor.
 
O problema, do ponto de vista da política fisiológica, é que Dilma Rousseff não tem jogo de cintura.

Ela resiste o quanto pode a ceder em cargos estratégicos e insiste em preservar os quadros técnicos do governo.

Dilma ganhou o bambolê na segunda-feira.

Ontem, o PMDB ganhou a diretoria internacional da Petrobrás.

A febre da imprensa

É papel da imprensa alertar as autoridades para os riscos que corre a sociedade.

Mas no caso da febre amarela, sobrou alarmismo e faltou sensatez.



Hoje, o Estado de S.Paulo observa que o Brasil vive situação comparável, mas inversa à que ocorreu no Rio de Janeiro em 1904, durante a ‘revolta da vacina’.

No século passado, insuflada pela imprensa, a população do Rio se revoltou contra a campanha de vacinação do sanitarista Oswaldo Cruz.

Hoje, a imprensa provoca o movimento oposto, alarmando a população e induzindo à busca descontrolada por vacinas até mesmo em lugares onde não há sinais da moléstia.

Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa:

O surto de febre amarela, detectado em Goiás, vem sendo tratado pela mídia com a atenção que merece, mas brandido por alguns colunistas de jornal e comentaristas de rádio e TV com uma eloqüência, no mínimo, fora de propósito. Parece que todos estamos ameaçados e o mosquito transmissor está logo ali, no canto da sala, pronto para atacar.

Temos aí, sim, um problema grave de saúde pública, mas ainda não está configurada uma epidemia, como certos jornalistas querem nos fazer crer. Por trágico que seja, já que matou mais gente neste mês de janeiro do que em todo o ano passado, o que se tem é uma versão silvestre da febre amarela, ainda sem reflexos maiores nas grandes áreas urbanas, onde a população corre aflita aos postos de vacinação.

É claro que o assunto tem tudo para provocar barulho tão ao gosto dos editores mais ansiosos, mas a prudência aconselha que não é hora de alarmismos fátuos. A hora é de muita atenção e de mais investigação, análises e interpretações. E de menos jornalismo declaratório.

Todos os comentários

  1. Comentou em 24/01/2008 Alexandre Carlos Aguiar

    Divirto-me bastante com os coitados que disseminam a tal ‘epidemia de febre amarela’, levados pela mídia inconseqüente. Obviamente que alguns o fazem por ignorância total, por completo desconhecimento do que seja uma epidemia. Outros, claro, têm seus interesses partidários. No frigir dos ovos, estes sonsos vão tomar a vacina e pode ser que morram ou adoeçam pela revacinação. É só esperar pra ver! Será que o PIG pagará a conta do funeral ou do hospital?

  2. Comentou em 23/01/2008 Jedeão Carneiro

    A epidemia do ´Aedes Midiaticus’ nas redações tem provocado mais males à população do que o próprio mosquito transmissor da febre amarela.

  3. Comentou em 23/01/2008 maria de fátima araujo de morais

    Por volta de 1998,uma pessoa morreu na Chapada dos Veadeiros, de febre amarela silvestre e fizeram um alarde um pouco menor do que o de agora.
    Em dez2007, o contrato com a empresa que explorava o Parque Nacional de Brasilia havia acabado. Os funcionários do IBAMA teriam que trabalhar no ‘recesso de Natal’, sendo obrigados a permitir a entrada dos pobres, que são osfrequentadores do Parque. Daí, 2 macacos aparecem mortos. Imediatamente o assunto é a febre amarela transmitida por macacos.
    Essa estória me faz lembrar o leite com soda cáustica, água oxigenada, formol e sei lá mais o que.
    Anulei meu voto para presidente nas últimas eleições, mas gostaria que alguém me explicasse até onde irão os meios de comunicação, na tentativa de deixar de joelhos o grupo que desfruta do poder no momento?

  4. Comentou em 23/01/2008 Jairo Fernando Oliveira

    Os problemas causados por dupla vacinação já são superiores aos casos de febre amarela SILVESTRE! Tudo bem que a população deve ser esclarecida sobre a febre amarela, mas principalmente, que é a febre amarela SILVESTRE, e que as pessoas contaminadas estiveram em matas ou próximo a matas. Vejam a manchete do Supernotícia (MG): ‘Suspeita de primeiro caso de febre amarela em Minas’. Assustado vou ler a matéria e pimba: o jovem contaminado (falecido, infelizmente) é mineiro mas trabalha em CALDAS NOVAS (GO) como caseiro de uma fazenda e visita frequentemente seus parentes em Araguari. Então não tem como considerar a contaminação em MG. Partidarismos à parte, utilizar o povo para prejudicar o governo é surreal! Não confiar em governo e tomar vacina é uma decisão pessoal, independe de partidarismo político. Em questão de saúde, confio muito mais no bom senso e nas informações que todos têm HÁ ANOS E ANOS. Se você vai viajar para GO, tem que tomar esta vacina. Se vai adentrar mata ou acampar, vacina, sem dúvida. Mas, convocar todos para vacinação em massa é criar um pânico desnecessário.

  5. Comentou em 23/01/2008 Max Suel

    Começando do final: o autor do texto tomou a vacina contra a febre amarela ? alguém de sua família tomou ? (só para saber …)
    Eu tenho receio mesmo desta endemia. Não confio no governo. Vou tentar tomar a vacina no próximo final de semana.
    Quanto ao texto político: PAC & Dilma, fica claro que o autor do texto ‘torce’ muito para que ela seja a candidata do próximo governo. Mas veja: ‘…representa também a maior aposta do presidente Lula da Silva para a sucessão presidencial em 2010.’ Quem acredita nisto? Quando Lula falou ou demonstrou isto? a maior aposta do pres Lula é o …. pres Lula. Ainda mais:’…A ministra é tida como boa administradora, de pulso firme e disciplinada.’ Não ficou provado que seja boa administradora, nem no Rio Grande do Sul nem nos 3 anos como Ministra das Minas e Energia. Ela fez o balanço do PAC, mas escondeu e omitiu números indesejados. Dourou a pílula.

  6. Comentou em 23/01/2008 Edmilson Fidelis

    O que você, moderadamente , chama de ‘jornalismo declaratório’, eu chamo de jornalismo partidário. Mera propaganda desconstrutiva de adversários politícos. Que se lixem as consequências do pânico generalizado e desnecessário. Quem se importa com o sacrifício de peões neste jogo de poder? Desde que se derrube o rei contrário.

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