Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
Menu

Programa nº 537

Mauro Malin

>>O Brasil doente
>>Concessões ao chavismo

Por Mauro Malin em 06/06/2007 | comentários

Ouça aqui

Download

Ações policiais


O Estadão diz que foi há uma semana, a Folha diz que foi no domingo o aviso da Polícia Federal ao presidente Lula a respeito da Operação Xeque-Mate. Lula não interferiu. Duas leituras são possíveis: o presidente se portou como magistrado, ou o governo perdeu o controle da PF, embalada em feroz luta interna. 


O Brasil doente


O presidente do PTB, deputado cassado Roberto Jefferson, assina hoje na Folha artigo que marca os dois anos da entrevista dada ao jornal em que ele reiterou a denúncia do mensalão, feita em setembro de 2004 ao Jornal do Brasil pelo deputado Miro Teixeira e esfriada por um ataque judicial do então presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha. O JB foi obrigado a publicar um direito de resposta e o assunto dormiu até a Veja estampar fotos do vídeo em que Maurício Marinho, diretor dos Correios, recebia 3 mil reais de propina.


Na Veja datada de 18 de maio de 2005 lê-se, abre aspas: Maurício Marinho explica que está ali em nome de um partido, o PTB, e sob ordens de um político, o deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB. ´Ele me dá cobertura, fala comigo, não manda recado´, diz Marinho, mostrando toda sua intimidade com o cardeal petebista. ´Eu não faço nada sem consultar. Tem vez que ele vem do Rio de Janeiro só para acertar um negócio. Ele é doidão´’, fecha aspas.


Jefferson aponta vários sintomas de uma realidade política doentia. Um dos indicadores não mencionados por Jefferson é que o processo contra ele e outros, enviado pelo procurador geral da República ao Supremo Tribunal Federal, vai se atolar e se eclipsar no tempo. Alguém poderia dizer que outro sintoma é que Jefferson preside o PTB, partido do ministro das Relações Institucionais do presidente Lula, Walfrido dos Mares Guia. Mas não há aí o que estranhar, sendo o PTB o que é desde sua recriação por Ivete Vargas em 1979, com ajuda do general Golbery do Couto e Silva. 


Concessões ao chavismo


O argumento de que uma concessão pública de radiodifusão pode ou não ser renovada por um governo é de natureza formal e serve como biombo para apoiar a investida do presidente Hugo Chávez em busca de uma hegemonia midiática que quer privar o povo venezuelano do dissenso. Esse argumento foi usado ontem à noite no programa de televisão do Observatório da Imprensa.


O problema não está exclusivamente no encerramento das atividades do canal mais popular da Venezuela, a RCTV. Está na montagem de uma máquina midiática governista oficial e oficiosa. Além da criação de meios de comunicação do governo, há empresários beneficiados pelas políticas de Chávez que compraram emissoras e jornais. E Gustavo Cisneros, dono de um dos grupos mais poderosos de comunicação do continente, que inclui a Venevisión, fez um acordo com Chávez. Seus noticiários se iniciam sempre com reportagens favoráveis ao governo.


Hoje se noticia que a RCTV vai transmitir novelas em praças públicas de cidades venezuelanas. 


Rede de Observatórios
    
O editor do Observatório da Imprensa Online, Luiz Egypto, participou do Primeiro Encontro da Rede Nacional de Observatórios da Imprensa, uma antiga idéia agora concretizada.


Egypto:


– Encerrou-se na noite de sábado passado, em Vitória (ES), o Primeiro Encontro da Renoi [http://renoi.blogspot.com], a Rede Nacional de Observatórios de Imprensa. Durante três dias, jornalistas e professores vinculados a universidades de todas as regiões brasileiras se reuniram na capital capixaba para debater formas de organização e colaboração de uma rede comprometida com a crítica sistemática de mídia, aliada à excelência acadêmica e à pesquisa no campo do jornalismo.


A proposta da Renoi surgiu no âmbito deste Observatório da Imprensa em julho de 1998, e tomou corpo a partir de novembro de 2005, quando a rede foi finalmente constituída. Desde o início a idéia é estimular a criação de núcleos de observação da mídia em instituições de ensino de todo o país, de modo a funcionarem como nós dessa rede nacional.


O encontro de Vitória mostrou que a rede agora ganhou musculatura e foco em sua ação. Os desafios ainda são imensos, mas a disposição em superá-los não é menor. 


Testar a auto-regulamentação


O Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária tirou do ar um anúncio da Peugeot em que a sogra do casal protagonista era jogada fora para um carro subir uma ladeira.


O Conar recebeu mais de cem queixas contra o anúncio agressivo. Normalmente não chegam mais do que dez. Basta uma para o caso ser examinado. Eis um caminho que precisa ser mais divulgado na mídia: o anúncio é questionável? Leve o caso ao Conar.

Todos os comentários

  1. Comentou em 07/06/2007 Auberon rgergerger

  2. Comentou em 06/06/2007 Marco Tognollo

    Quem acessa o OI para ler algo sobre a não renovação da concessao da RCTV e não lê os comentários fica ‘boiando’. Há quem ignore com a maior cara de pau que a RCTV foi protagonista em um golpe de estado. Malin, como é mais ligeiro, tenta sair pela tangente..
    o fato de ‘a democracia venezuelana nao ser tão consolidada’ (como o Sr. mesmo disse. alias, qual o conceito de democracia consolidada, essa que os americanos impoe mundo afora?) por acaso é motivo para a renovação de concessao de uma emissora que patrocina golpes de estado?
    O OI está a cada dia mais engraçado. Quando se fala em RCTV, os principais colunistas ‘esqueceram’ das imagens divulgadas pela propria emissora confessando a participacao na quartelada. No caso do Roberto Carlos que sairam gritando censura! censura! (que na realidade o autor do livro foi bem ‘mané’ e concordou inteiramente com o pedido do RC. Fez um ‘belo’ acordo) não houve censura pela justica. Mas quando perguntei nesse mesmo OI o porque de não ser feita uma comparacao com a decisao judicial que proibiu a exibição do ‘muito alem do cidadao kane’ no país, Malin me saiu com uma dessa: ‘Nunca vi o documentário. Não posso, portanto, opinar…’

  3. Comentou em 06/06/2007 Ivan Moraes

    ‘Por que Chávez deixou passar?’: porque Sarney nunca perde na justica.

  4. Comentou em 06/06/2007 Marco Costa Costa

    A imprensa fica procurando cabelo na cabeça de careca. Se o sujeito faz desta forma, está errado, deveria fazer daquela maneira. Se ele fala duro, não deveria impor pelo tom de voz. O cidadão é maleável para fazer suas colocações, está errado, ele deveria fazer um discurso duro para impor seu pensamento. Se ele é de esquerda, deveria ser de direita, se é de centro, deveria ser ditador, se ele é ditador, deveria ser anarquista, se ele usa trejeitos femininos, deveria usar trejeitos masculino, durma-se com o barulho da bateria do Ringo. Deixem o grande líder Hugo Chávez em paz, pois ele não vem aqui impor o que você deve escrever.

  5. Comentou em 06/06/2007 Sostenes Da Silva

    Prezado Mauro, seu raciocínio me parece estranho. Só porque a Venezuela não tem toda essa democracia como você diz, vai deixar passar algo tão grave quanto o citado pelo leitor acima. Outra, se Chávez tivesse processado vocês, jornalistas, estariam reclamando da mesma forma e com o mesmo discurso.

  6. Comentou em 06/06/2007 Fábio Carvalho

    Falta um ‘p’ em ‘policiais’ no título da tela inicial do OI (não precisa publicar essa correção, embora eu esteja utilizando a mesma ferramenta destinada aos comentários).

  7. Comentou em 06/06/2007 Catalina rgergerger

  8. Comentou em 06/06/2007 Marco Costa Costa

    Essa história de democracia já esta se tornando enfadonho, não temos o direito de achar que o grande Hugo Chávez é ditador ou democrático. Segundo consta, ele foi eleito democraticamente, isto prova que o país esta alicerçado nas instituições democráticas, essa conversa fiada de que ele deveria processar ou tomar uma outra atitude frente à RCTV não cola. Vale lembrar, o senhor Hugo Chávez foi perseguido por essa emissora num passado recente, para não agir ditatorialmente e muito menos popularescamente para retirar do ar a famigerada emissora, ele aguardou o vencimento da concessão e tomou a iniciativa de retirar do ar golpista.

  9. Comentou em 06/06/2007 Maurício de Campos Araújo

    Em primeiro lugar a RCTV não foi fechada, tanto que está transmitindo a sua programação pela internet e pelo cabo, o que aconteceu foi o governo dentro dos tramites legais vigentes na Venezuela não renovou a concessão para TV aberta. Para um observador da imprensa, me admira que não tenha acompanhado com detalhes as várias manipulações praticadas pela RCTV. Deve ter seguido a máxima do senhor Ricupero, o que interessa nós mostramos, o que não interessa nós escondemos. Claro que para jornalistas brasileiros participar de uma conspiração para derrubar através de golpe de estado um presidente constitucionalmente eleito não é crime, pois fizereram com exito o mesmo em 64 e tentaram o mesmo recentemente em 2005. Gostaria de saber com base em que o jornalista afirma que a Venezuela não é democrática? Um país que tem na Constituição a possibilidade de convocar um plebiscito para tirar qualquer governante do poder executivo do poder. Chamar um presidente que participou nos últimos anos de seis eleições de ditador só pode ser brincadeira. Entendo que o modelo de democracia para o jornalista deva ser um país onde um presidente pode ser eleito com menos votos que o seu adversário.

  10. Comentou em 06/06/2007 Paulo Izidoro

    Considero que a liberdade de imprensa é um bem supremo de uma sociedade democrática. Democracia implica direitos e deveres e, no caso da RCTV, sem entrar no mérito dos arroubos populistas de Hugo Chávez, acho que se esta emissora estivesse instalada num país com instituições democráticas sólidas já teria sido fechada há muito mais tempo e toda a sua diretoria estaria na cadeia. Digo isso referenciado pela absurda montagem que deu respaldo popular e internacional (num 1º momento) ao golpe de estado que derrubou Chávez por menos de uma semana. Naquela oportunidade a RCTV editou imagens para caracterizar um suposto massacre de antichavistas, as quais depois de serem confrontadas com as imagens das câmeras de segurança do palácio do governo e ruas adjacentes, constataram que se tratava de uma criminosa manipulação de imagens, tanto pela fraude, conspiração / golpe de Estado, como pela cumplicidade com os assassinos franco-atiradores (como a RCTV sabia que os atiradores estariam lá e se instalaram em pontos estratégicos para as tomadas de imagens??). Alguem tem dúvidas que se este tipo de manipulação de informação ocorresse na Inglaterra, Frnaça, Alemanha e EUA a RCTV não estaria fechada há mais tempo e toda a sua diretoria estaria na cadeia????

Programas Anteriores

1 2 3 4 5 última

1 de 2625 programas exibidos

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem