Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

Programa nº 399

Mauro Malin

>>O caminho do dinheiro
>>Magreza e vendas

Por Mauro Malin em 21/11/2006 | comentários

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O caminho do dinheiro


Estudar a articulação entre empresas públicas e empreiteiras prestadoras de serviços é um dos caminhos mais fecundos para se entender como funciona o financiamento da política no Brasil. É o filão explorado hoje na Folha de S. Paulo. Em foco, a maior das empresas, a Petrobrás.



Magreza e vendas


Editora de moda do Jornal do Brasil há muitos anos, Iesa Rodrigues explica que os estilistas encomendam às agências modelos magérrimas porque querem que as roupas pareçam folgadas.


Iesa:


– Primeiro, a moda vem vindo de um ciclo de roupa justa, uma roupa que estreita. Faz parte do ciclo normal da moda ir justamente para o lado oposto. Quando todo mundo está usando a roupa justa, coladinha, isso já chegou à rua, aí a moda que lança as novas idéias começa a partir para o lado oposto. Provavelmente, isso vai levar uns três anos para “pegar”. A moda vive disso, de sugerir coisas opostas. E outra coisa é o seguinte: imagina quão mais cara pode ser uma roupa que tem muito mais tecido.


E eles pegam aquele padrão das meninas do Leste Europeu, belgas, como base. E aí eles querem que todo o elenco tenha aquela mesma medida. Uma medida padrão, que nos anos 80 era um padrão 90 [centímetros de quadris], eu acho que já está em 86, 85. Para uma menina de um 1 metro e 80, é muito pouco.


Mauro:


– Imagem está relacionada com vendas, segundo a editora de Moda do JB.


Iesa:


– A finalidade disso é mostrar a roupa bem na passarela e nas fotos. Porque se a roupa já é larga e ela for vestida numa pessoa de tamanho 42, 40, não vai convencer ninguém de que aquilo é bonito. Existe essa visão. Existe essa visão. Para você convencer alguém de que aquilo é bonito, a coisa não pode parecer engordativa, nem envelhecedora, nem nada. Então, você tem que ter um corpo certo para aquele tipo de roupa. Por exemplo, quem faz moda praia não pode usar esse tipo de menina muito magra, porque não valoriza. Um biquíni numa menina superfininha não valoriza. Precisa ter um outro tipo de modelo.


Mauro:


– A magreza exagerada também é filha de circunstâncias técnicas relacionadas à imagem, diz Iesa.


Iesa:


– Na passarela ela parece uma menininha, assim, adolescente. Quando ela sai da passarela, você vai para o camarim, ela tem 1 metro e 80, ela é enorme, e é muito mais magra do que parece. Porque a passarela, visualmente, ela engorda a pessoa. Eu acho que são quatro quilos na foto, não sei, cinco quilos na passarela, sete quilos na TV. Visualmente, engorda a imagem da pessoa.


Mauro:


– A jornalista reconhece que a imprensa, a despeito das limitações que encontra, não é obrigada a se deixar arrastar por uma estética mórbida.


Iesa:


– A gente pode falar nisso: “Olhem para suas filhas, olhem, literalmente”. Eu não vou te dizer que eu vou botar meninas gordinhas nas minhas fotos, porque eu não vou ter roupa. O estilista, quando ele empresta as roupas, já empresta naquele tamanhinho. Eu não acho bonito. Normalmente, a gente evitar usar essas assim, bem… Biafra, mesmo. Porque não fica bonito na foto. Na passarela fica porque elas estão até em movimento. Mas a foto cristaliza aquela coisa estranha que é um esqueletinho.


Mauro:


– Iesa Rodrigues admite que a mídia tem, fora das páginas de opinião, caminhos pragmáticos para se contrapor à ditadura da moda.


Iesa:


– Nada supera a imagem. Se você começar a botar mulheres maravilhosas que não são esse padrão 00, as pessoas se convencem mais.


Por trás das nuvens


A morte de uma modelo anoréxica questiona, não se sabe por quanto tempo, a submissão da mídia a interesses comerciais. A morte de 154 pessoas do avião da Gol só muito lentamente, e com atraso constrangedor, levantou o véu que encobria o estado dos serviços de controle do tráfego aéreo no Brasil. O movimento dos controladores mostra duas fragilidades: a da aviação civil e a da cobertura jornalística.


Assassinatos e envenenamentos


A velha Rússia não abandona os métodos da polícia tzarista. Alexander Litvinenko, que segundo o jornal The Guardian investigava na Inglaterra o assassinato da jornalista Anna Politkovskaya, crítica do governo, tem 50% de chances de sobreviver a um envenenamento.


Manobras de fronteira


O Jornal da Band noticiou ontem a transferência de manobras militares brasileiras da fronteira com a Bolívia para a fronteira com o Paraguai. É como dizer: é no Paraguai, mas seria na Bolívia. Em face do caldeirão boliviano, cuja temperatura não pára de subir, o recado é sutil, mas indisfarçável. Talvez seja mesmo melhor, nesse caso, prevenir do que remediar.

Todos os comentários

  1. Comentou em 23/12/2006 Brás de Alportel

    Em relação a esta questão da tão referida moda da magreza, vale a pena dizer que já não é um assunto de hoje. Foi por volta de 1993 que eu percebi que as coisas, mais tarde ou mais cedo, iriam dar uma reviravolta. Foi quando vi as críticas tão duras e acirradas a uma das, então, mais promotoras modelos de então: KATE MOSS. Desde então percebi que já nada ia ser como dantes, que seria tudo uma questão de tempo até à MORTE da moda da magreza, como já aconteceu na Espanha, Brasil e Itália. O problema é que se enganaram no ‘monstro’ que se deve abater. Não é a ideia, muito redutora, de que são as modelos magras as causadoras desta situação da anorexia, que é apenas a ponta de um mais vasto iceberg. O verdadeiro ‘monstro’ é a imposição de uma silhueta ‘ideal’, um CORPO-PADRÃO, seja quais forem as suas medidas!!! Isso é que gera os tais complexos e insatisfação nas pessoas no que respeita ao seu corpo! A solução seria, não despedir as magrinhas que não fazem mal a ninguém, mas sim pôr ao lado delas outras modelos mais gordas! A solução é a variedade de silhuetas!
    Eu se mandasse, ordenava o encerramento dessas autênticas anedotas a que se dá o nome de ‘Health Club’, pois são centros promotores do ‘monstro’ que é, como já disse atrás, a imposição de uma silhueta-dita-ideal, que é fonte de mal-estar e complexos nas pessoas que a não têm, e também ilegalizava as lipo-aspirações!

  2. Comentou em 22/11/2006 Ivan Moraes

    ‘Talvez o leitor prefira militares americanos no Equador e no Paraguai.’ ! Excelente ponto, Mauro… que nao me havia ocorrido!

  3. Comentou em 22/11/2006 Crsitiana Oliveira Castro

    ‘ Biafra mesmo’ !!!!!!! É o limite da falta de respeito pelo ser humano. Mais um pouco e já estaremos invejando a fome infantil no mundo. Imagens estarrecedoras serão colírio para nossos olhos imbecilizados. Salve a fome pq é mais fácil matar de inaninção do que colocar mais pano na roupa… É o mesmo que dizer mata o assassino pq eu, como advogado, não seio que fazer para defendê-lo de detrminada acusação. Chegamos ao limite do cinismo.

  4. Comentou em 22/11/2006 Marco Costa Costa

    Qual a diferença entre os métodos da repressão Russa com os nossos. No entendimento deste leigo, mas não asno, tudo é repressão, o que é pior, contra os mais fracos do que tange ao poder econômico e político. Para vc poderá ser diferente, pois vc defende a classe média decadente deste quintal AMERICANO.

  5. Comentou em 21/11/2006 José da Silva

    Idiota é quem pára (e paga) pra ver esses esqueletos ambulantes.

  6. Comentou em 21/11/2006 Marco Costa Costa

    Você tem certeza que o investigador do assassinato da jornalista Anna, tenha sido envenenado pela polícia da velha Rússia? Não faça desta história uma outra escola base.

  7. Comentou em 21/11/2006 Ivan Moraes

    ‘Em face do caldeirão boliviano, cuja temperatura não pára de subir, o recado é sutil, mas indisfarçável’. A propaganda de ‘auto-suficiência’ da Petrobrás, simultânea ao enorme esforco de se conseguir algum tipo de contrato com os EUA cuja natureza ainda nao sabemos — e que deu espetacular zebra — deu a impressao internacional que o resto dos países produtores de petróleo da América Latina estavam sendo passados pra trás. Isso não foi nem sutil nem disfarçável. Que a Bolivia estava e esta tendo problemas é óbvio, mas militares brasileiros à borda é além de estranho. É insultante, tanto como a sua última frase.

  8. Comentou em 21/11/2006 Marnei Fernando

    Vocês são os mesmos ídolos e as aparências não enganam mais…
    acham que depois de vocês não aparecerão mais ninguém… vocês podem até dizer que tou por fora ou então que tou inventando… Mas são vocês que amam o passado é que não vêem…
    São vocês que amam o passado é que não vêem… Que o novo sempre vem… o novo jornalismo brasileiro está chegando apesar de vocês…

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