Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

Programa nº 396

Mauro Malin

>>O caso da Radiobrás
>>Percepção de facciosismo

Por Mauro Malin em 16/11/2006 | comentários

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Cadeias esquecidas


É alarmante a desatenção da mídia em face das condições de detenção nas prisões paulistas de segurança máxima paulistas. Hoje haverá missa na Catedral da Sé em apoio a uma greve de fome de presos.


O caso da Radiobrás


Alberto Dines diz que é artificial o noticiário em torno da carta de demissão encaminhada ao presidente da República pelo presidente da Radiobrás, Eugenio Bucci.


Dines:


– Está evidente que a grande imprensa quer criar uma crise artificial em torno de um caso de rotina. O jornalista Eugênio Bucci, presidente da Radiobrás, apenas colocou o cargo à disposição da Presidência da República (à qual está vinculado). Cumpriu um rito protocolar, nada mais do que isso. Não protestou nem reclamou de eventuais ingerências do PT na orientação da Radiobrás. Mas ontem o Globo e a Folha destacaram de forma desproporcional um episódio que simplesmente não aconteceu. É o que se chama vulgarmente de “forçar a barra”. Caso clássico de uma não-notícia, um factóide, que pela simples repetição pode crescer e confirmar-se. Os jornalões têm razões de sobra para criticar os recentes pronunciamentos do presidente da República sobre o desempenho da mídia. Na boca de um Chefe de Estado convertem-se automaticamente em intimidações descabidas, de nítido teor autoritário. Mas se a mídia não está gostando do que afirma o presidente a seu respeito deve dizê-lo frontalmente, sem recorrer a artifícios que, estes sim, acabam por justificar as queixas e confirmar um estilo jornalístico equivocado. O confronto governo-imprensa é sério demais para ser noticiado com manhas e malícia.


Percepção de facciosismo


Leitores deste Observatório têm acusado a grande imprensa, de modo genérico, de facciosismo. A repórter Carolina Moran, da Rádio CBN do Rio de Janeiro, conta experiência recente que lhe fez ver como é arraigada a visão de que a mídia sempre toma partido.


Carolina:


– Eu percebi isso mais claramente num curso de pós-graduação que eu estou fazendo já há alguns meses, um curso de especialização em políticas públicas. As pessoas que participam desse curso são pessoas com nível superior, engenheiros, pessoas que lidam com recursos humanos. A gente faz algumas dinâmicas de grupo. Numa delas, a turma foi dividida em grupos para analisar um plano de transportes para a cidade do Rio de Janeiro. Tinha um grupo que representava o governo do estado, outro as empresas de ônibus, e o grupo da imprensa, do qual eu fiz parte. E na hora de discutir esse plano eu comecei dizendo como seriam as ações que a imprensa teria na apresentação desse plano, ouvindo especialistas, etc., e houve uma cobrança muito grande da turma para que eu manifestasse a minha opinião, se eu era contra ou a favor do plano. Para que, antes de mais nada, a imprensa dissesse de que lado estava. Eu argumentei que não estava de lado nenhum, que a imprensa não tem estar contra nem a favor. A gente tem que apurar os fatos, ver se é aquilo mesmo, ouvir os especialistas. Começou uma grande polêmica na turma. Eu pude perceber que na verdade existe um consenso. As pessoas acham que a imprensa sempre toma uma posição, qualquer que seja o assunto. Eu acabei sendo voto vencido nesse aspecto.


Na verdade não é bem assim. A gente tenta, pelo menos, no dia-a-dia ser o mais isentos possível. Podemos falhar nessa missão, no jornalismo tem maus profissionais, como em qualquer outra profissão, mas acho que a grande maioria dos profissionais tenta ser isenta.



A mídia se defende


A objetividade da mídia é no máximo uma boa intenção. Mas daí a supor que haja facciosismo metódico vai uma grande distância. O problema é que a mídia só recentemente começou a ficar um pouquinho mais transparente a respeito de seus métodos de trabalho. Mas algo se transforma. Em discurso para juízes, o presidente das Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho, disse: “A defesa que fazemos da liberdade de expressão não significa que nós, jornalistas, estejamos em lugar especial, intocável, acima do bem e do mal”. O tom do discurso soa como novidade, na boca de um dos maiores empresários de mídia do país.


Propaganda questionada


A Justiça catarinense proibiu outdoors da grife Ellus. Daniel Chalfon, da agência MPM, diz hoje no jornal Valor: “Nós, publicitários, às vezes esquecemos que o material que criamos não será exibido apenas nos grandes centros urbanos, cujos valores são mais flexíveis do que em cidades do interior, por exempo”.



Todos os comentários

  1. Comentou em 18/11/2006 Marco Costa Costa

    Alguns jornalistas dos grandes centros urbanos insistem numa imprensa livre de expressão e com total liberdade democrática. Senhor jornalista deste texto, ‘Na vida tudo é relativo, um fio de cabelo na cabeça é pouco; na sopa, é muito. Portanto, mais vale uma caneta em atividade, do que duas encostadas num estojo qualquer?

  2. Comentou em 17/11/2006 Marco Costa Costa

    Porque será que o senhor é contra a mídia governamental. Se a mídia estatal fala somente dos feitos maravilhosos dos governantes. Contudo, a mídia privada, não por falta de assunto, mas por vingança contra aqueles que o desprezam, sistematicamente usam e abusam do falatório contra os partidos ditos de esquerda. Esta conduta tem por objetivo trazer de volta para o poder a direita mais reacionária que temos no país. Desta forma, a imprensa capitalista poderá se expressar livremente contra os mais frágeis do ponto de vista econômico e político.

  3. Comentou em 17/11/2006 Douglas Puodzius

    A resposta de Malin para um leitor(Marco) demonstra bem os pesos e medidas da nossa vida ou no minimo a ingenuidade que a ideoligia produz em alguns de seus defensores incondicionais. Diz o Articulista que atualmente temos uma imprensa livre bem diferente de Cuba. Seria verdade? Poderia mesmo a nossa imprensa discutir e noticiar qualquer assunto? Não estaria, a exemplo de Cuba, amarrada a um sistema que impediria sua plena atuação? Para não restringir ao campo politico, lembro de uma entrevista que assisti no globo esporte onde a camisa de Zidane foi coberta por um distorção de imagem para não identificar o patrocinador. Um ex funcionário da Globo (Daniel Herz)escreveu um livro (A História Secreta da Rede Globo) que, pelo modelo de justiça midiática atual, onde o acusado deve provar sua inocência, deveriamos ter manchetes e mais manchetes bombásticas, analises indignadas, pedidos de CPIs, discussão sobre aplicação da pena capital para o caso, mesas redondas e rodas vivas para discutir a mafia, destroçamentos de biografias e tudo mais que há no cardápio. Bem, nada disso. Lá vem o silencio. Pode um veiculo apresentar reportagem de desvio de um anunciante seu? Liberdade de Imprensa no sistema capitalista é tão utópico quanto a existencia de ética nesse sistema. Desculpe, Malin, mas, antes de falarmos de Cuba, vamos discutir o que temos por aqui. Pode acreditar será mais útil.

  4. Comentou em 17/11/2006 Marco Costa Costa

    Uma situação que deixa minha minha mente confusa e não consigo administrar meus pensamentos para saber sobre os males e os bens que uma notícia pode trazer a humanidade. Este sentimento de culpa faz-me recorrer a vossa senhoria, com toda a sua sabedoria de jornalista conceituado para que serve, para quem serve e porque serve a notícia, bem como que vocês pregam uma imprensa democratica e com libertade total de expressão.

  5. Comentou em 16/11/2006 Ruy Acquaviva

    CAro Sr. Malin, o facciosismo de que o Sr. fala é um facciosismo individual do jornalista. O que se supõe é que existe uma pressão do poder econômico, exercida de forma capciosa, levando a um facciosismo de pauta. Um tema amplo e interessante que o Sr. tem o mérito de abordar. Ao contrário do que alguns colegas seus colocam, o que os leitores e a sociedade querem é abordar o tema e não promover linchamento dos jornalistas ou empastelamento dos jornais. Vale a pena discutir a questão. No exemplo apresentado acredito que os colegas de curso da Sra. Carolina estavam interessados em sua opinião enquanto aluna do curso, talvez acreditando que essa opinião poderia influenciar sua participação no exercício. Esse episódio apenas demonstra que a sociedade tem a vontade de abordar o tema. As reações de boa parte dos jornalistas deste site apenas aguça tal sentimento, por gerar estranheza, já que a sociedade não engole essa tese de que o jornalismo e os jornalistas estão acima da sociedade, não sendo passíveis de questionamentos. Também acho que a maioria dos profissionais tenta ser isenta, como posso achar que a maioria dos políticos tenta ser honesta. Há porém a influência do meio e a derrota das boas intenções (em que grau é que há de se analisar), será que os jornalistas aceitam receber o mesmo tratamento que eles mesmos dispensam aos políticos ou outras categorias profissionais???

  6. Comentou em 16/11/2006 Glauber Soares Soares

    Malin, nos últimos meses diversos pontos de vista têm sido relatados não apenas neste Observatório, mas também nos demais meios de comunicação, sobre a questão da parcialidade ou não da imprensa, de modo que muitas são as opiniões a respeito do tema. O que consigo verificar, realmente, é que existe um movimento inédito, originário do seio de nossa sociedade, que tem como objetivo tornar a grande Imprensa melhor e mais responsável (não quero dizer com isso que muitos profissionais da imprensa não busquem esta meta, também). Apenas, na minha opinião, esse movimento é irreversível e positivo – tanto para imprensa quanto para a democracia e, consequentemente, para a sociedade como um todo. A sociedade, por incrível que pareça, já consegue ler as entrelinhas. Desta forma, é fundamental que sejam criados novos mecanismos na maneira de se conceber e se noticiar uma matéria: uma visão ética deve prevalecer; a imparcialidade deve ser buscada ; as fontes deverão ser questionadas; a veracidade da informação deve ser vigiada… O processo de mudança da grande Imprensa já começou. Muitos tentarão nadar contra essa onda invisível. Todavia, como em tantas outras fases de nossa história, ela irá prevalecer, deixando para trás aqueles que não conseguem vislumbrar um novo amanhã…

  7. Comentou em 16/11/2006 Washington Ferreira

    O Dines afirmou que ‘a grande imprensa quer criar uma crise artificial’? ´Será que estou lendo o que eu estou lendo? Será que essa foi a primeira crise artificial que a imprensa criou ao longo de quatro anos de governo Lula, sr. Dines? Será que as ‘crises artificiais’, somadas aos alopramentos de determinados petistas, foi suficiente para, diariamente, a mídia bater no governo? E quanto ao sr. Roberto Irineu Marinho, o que queriam que ele dissesse na frente de uma platéia de juízes? Que o jornalista está acima do bem e do mal? E o facciosismo pode não ser metódico, mas a má-vontade e o preconceito, sim.

  8. Comentou em 16/11/2006 Euclides Rodigues de Moraes

    Sr. Malin,
    Quero saudar a novidade, no pronunciamento do Sr. Roberto Irineu Marinho, como um ponto deveras positivo.
    Espero que com um pronunciamento de uma pessoa do próprio meio e de quem se trata, nós, sociedade civil, possamos iniciar a reflexão para aperfeiçoamento da mídia, que vem sendo reclamado, insistentemente, pela população e pelo que nos parece, até agora, tem sido constestado pela mídia, que se nega a admitir que os reclamos, atuais, tem algum sentido.

  9. Comentou em 16/11/2006 Ivan Berger

    Afinal, a imprensa merece ou não o bombardeio que sobreveio à reeleição de Lula? Sim e não, penso eu, tomando por base este mesmo OI, que durante a campanha já apontava um indisfarçável partidarismo da grande mídia, algo que muitos parecem ter esquecido. Por que então,consumada a esmagadora vitória de Lula, virou moda escrachar a imprensa em geral? Sociólogos, cientistas políticos, jornalistas, enfim, intelectuais de todas os matizes continuam devendo explicações mais convincentes do que associar esse verdadeiro tsumani de críticas a uma espécie de vendeta lulista a suposta perseguição sofrida pelo presidente, reação esta, aliás, incentivada pelo próprio presidente. Sim,pois a julgar pelo conceito nada lisonjeiro da maioria em relação a mídia em geral, em que mesmo nomes reconhecidamente insuspeitos são postos em dúvida, como o nosso Dines, essa repentina explosão tem raízes mais profundas. E antigas. Como neófito em questões políticas, pelas quais na verdade nunca me interessei seriamente, dada sua natureza pérfida e malcheirosa, pediria ao prezado Malin que oportunamente destrinchasse melhor o assunto. Ou me indicasse algum trabalho nesse sentido, para que eu possa me situar melhor e quem sabe, quem sabe, reformular meu ponto de vista sobre a frouxidão de caráter do povo brasileiro. Dos que insistem em colocar nossos destinos nas mãos de políticos e governantes inescrupulosos, bem entendido.

  10. Comentou em 16/11/2006 Eduardo Guimarães

    Mauro, escreva o que estou lhe dizendo: um dia você e seus pares da imprensa lamentarão profundamente a enormidade que estão cometendo ao agirem como se acusar o partidarismo da mídia fosse um absurdo. Peço que não esqueça de mim quando esse dia chegar.

  11. Comentou em 16/11/2006 Marcelo Seráfico

    Caro Mauro, permita-me a liberdade de assim chamá-lo, ocorreu-me de perguntar-lhe se os cursos de comunicação têm entre suas disciplinas a epistemologia ou teoria do conhecimento. Muito dessa discussão sobre isenção, neutralidade e objetividade está relacionada a como se produz o conhecimento. Pelo que vejo de algumas manifestações, por exemplo, a da jornalista Carolina, a dificuldade de ser ‘isento’ é traduzida como incompetência e isso causa desconforto nos jornalistas. Talvez uma discussão sobre os limites da objetividade pudesse clarear um pouco os temas que vêm sendo discutidos aqui. Nas Ciências Sociais aprendemos que somos, ao mesmo tempo, obervadores da realidade social e agentes que contribuem para sua configuração. Essa circunstância implica, sempre, que o conhecimento que produzimos é relativo, tem limites e está sujeito a críticas. O fundamental é revelar como chegamos a ele, nosso ponto de vista – que tem a ver com a metodologia. Será que esse mesmo tipo de raciocíio não se aplicaria aos jornalistas?

  12. Comentou em 16/11/2006 Clerton de Castro e Silva

    Será que o juiz de futebol não pode torcer para nenhum time, embora ele viva do futebol? Agora, se o juiz misturar a função com a paixão, ele fatalmente terá problemas. Será que os juizes dos tribunais eleitorais não podem ter candidatos? O jornalista tambem tem a sua opinião. O grande problema da imprensa é quando o jornalista divulga a sua opinião e não a notícia. Porém, como em todas as profissões, o jornalista tambem sofre pressões de todos os lados, principalmente dos governantes da vez. Este assunto, faz eu recordar uma passagem em minha vida. Estavam meus dois filhos, na época, um com 15 anos e o outro com 13 anos, vendo pela televisão um jogo de futebol entre os seus times (um é Vasco e o outro e Botafogo), No segundo tempo do jogo, o juiz marcou um pênalti a favor do Vasco, gerando uma acirrada discursão entre os dois quanto à validade da marcação. Como eu não torço por nenhum dos dois times, fui chamado pelos meninos para dar a minha opinião. Disse a eles que o pênalti realmente existiu. Para minha surpresa, o que se sentiu prejudicado, ficou indignado, dizendo que eu não gostava do time dele e que estava protegente o outro. Igualzinho na política.

  13. Comentou em 16/11/2006 roberto maia soares

    Mauro,muito bom ver o Dines alinhado com a galera(mais ou menos…).A mídia realmente cansa de criar factóides e a bronca do governo não é intimidação,é constatação.Não se ameaça ninguém,chama-se é a atenção para o assunto e fica a critério da mídia encontrar uma solução.Só isso.Carolina também está coberta de razão.Quando a imprensa já não tem um ‘lado’ ao ir buscar a notícia,normalmente fica do lado da fonte.É fácil comprovar:Qualquer pessoa que tenha sido notícia,que passe uma informação a um jornalista,que testemunhe um evento,etc, pode, ao ler a publicação, encontrar erros, interpretações, destaques, etc, completamente equivocados.Essa é a nossa mídia,compromisso com a verdade é outra coisa.E,é verdade, errar é humano.Não é o caso do Roberto Marinho Jr,que não disse o que realmente pensa.Ele se põe acima do bem e do mal.Liberdade de experessão na Globo?Piada.

  14. Comentou em 16/11/2006 Marco Costa Costa

    A Imprensa não tem o direito de dizer se isto ou aquilo é o melhor para o povo. A imprensa tem apenas que relatar os fatos que ocorrem no cotidiano que envolve toda a sociedade. Liberdade de expressão não significa ser o dono da verdade. Atualmente a mídia em geral tem confundido as duas situações, aja vista estar perseguindo sistematicamente o presidente da República, esquecendo-se que o leitor não vive somente de notícias palacianas. Liberdade de expressão e democracia na imprensa são desculpas para vender notícias de responsabilidade duvidoso. Obs.: Durante as eleições, a imprensa de uma forma geral ficou em cima do muro quanto às notícias que envolviam o PSDB, foi ou não foi caro mestre?

  15. Comentou em 16/11/2006 Adriano Soares de Assis

    Acredito ser este o melhor caminho para o entendimento entre o publico e a midia. A Internet é uma ferramenta valiosíssima para que ambos, público e midia, comecem a se entender. Antes não havia cobrança porque a verdade estava sempre do vosso lado. Agora, com e-mails, blogs e jornais on line parece que o canal ficou sem ruído e assim determinou o começo da mudança na comunicação entre ambos. Tomara que pare no meio do caminho.

  16. Comentou em 16/11/2006 Juciano Lacerda

    São comentários ponderados como este do Dines que valem a pena ser debatidos, pois provocam reflexão sobre práticas da imprensa e práticas do governo: ‘Mas se a mídia não está gostando do que afirma o presidente a seu respeito deve dizê-lo frontalmente, sem recorrer a artifícios que, estes sim, acabam por justificar as queixas e confirmar um estilo jornalístico equivocado. O confronto governo-imprensa é sério demais para ser noticiado com manhas e malí­cia.’ O OI vai tomando de fato o rumo da crítica jornalí­stica que lhe marcou historicamente.

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