Sábado, 20 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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>>O caso da Radiobrás
>>Percepção de facciosismo

Por Mauro Malin em 16/11/2006 | comentários

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Cadeias esquecidas


É alarmante a desatenção da mídia em face das condições de detenção nas prisões paulistas de segurança máxima paulistas. Hoje haverá missa na Catedral da Sé em apoio a uma greve de fome de presos.


O caso da Radiobrás


Alberto Dines diz que é artificial o noticiário em torno da carta de demissão encaminhada ao presidente da República pelo presidente da Radiobrás, Eugenio Bucci.


Dines:


– Está evidente que a grande imprensa quer criar uma crise artificial em torno de um caso de rotina. O jornalista Eugênio Bucci, presidente da Radiobrás, apenas colocou o cargo à disposição da Presidência da República (à qual está vinculado). Cumpriu um rito protocolar, nada mais do que isso. Não protestou nem reclamou de eventuais ingerências do PT na orientação da Radiobrás. Mas ontem o Globo e a Folha destacaram de forma desproporcional um episódio que simplesmente não aconteceu. É o que se chama vulgarmente de “forçar a barra”. Caso clássico de uma não-notícia, um factóide, que pela simples repetição pode crescer e confirmar-se. Os jornalões têm razões de sobra para criticar os recentes pronunciamentos do presidente da República sobre o desempenho da mídia. Na boca de um Chefe de Estado convertem-se automaticamente em intimidações descabidas, de nítido teor autoritário. Mas se a mídia não está gostando do que afirma o presidente a seu respeito deve dizê-lo frontalmente, sem recorrer a artifícios que, estes sim, acabam por justificar as queixas e confirmar um estilo jornalístico equivocado. O confronto governo-imprensa é sério demais para ser noticiado com manhas e malícia.


Percepção de facciosismo


Leitores deste Observatório têm acusado a grande imprensa, de modo genérico, de facciosismo. A repórter Carolina Moran, da Rádio CBN do Rio de Janeiro, conta experiência recente que lhe fez ver como é arraigada a visão de que a mídia sempre toma partido.


Carolina:


– Eu percebi isso mais claramente num curso de pós-graduação que eu estou fazendo já há alguns meses, um curso de especialização em políticas públicas. As pessoas que participam desse curso são pessoas com nível superior, engenheiros, pessoas que lidam com recursos humanos. A gente faz algumas dinâmicas de grupo. Numa delas, a turma foi dividida em grupos para analisar um plano de transportes para a cidade do Rio de Janeiro. Tinha um grupo que representava o governo do estado, outro as empresas de ônibus, e o grupo da imprensa, do qual eu fiz parte. E na hora de discutir esse plano eu comecei dizendo como seriam as ações que a imprensa teria na apresentação desse plano, ouvindo especialistas, etc., e houve uma cobrança muito grande da turma para que eu manifestasse a minha opinião, se eu era contra ou a favor do plano. Para que, antes de mais nada, a imprensa dissesse de que lado estava. Eu argumentei que não estava de lado nenhum, que a imprensa não tem estar contra nem a favor. A gente tem que apurar os fatos, ver se é aquilo mesmo, ouvir os especialistas. Começou uma grande polêmica na turma. Eu pude perceber que na verdade existe um consenso. As pessoas acham que a imprensa sempre toma uma posição, qualquer que seja o assunto. Eu acabei sendo voto vencido nesse aspecto.


Na verdade não é bem assim. A gente tenta, pelo menos, no dia-a-dia ser o mais isentos possível. Podemos falhar nessa missão, no jornalismo tem maus profissionais, como em qualquer outra profissão, mas acho que a grande maioria dos profissionais tenta ser isenta.



A mídia se defende


A objetividade da mídia é no máximo uma boa intenção. Mas daí a supor que haja facciosismo metódico vai uma grande distância. O problema é que a mídia só recentemente começou a ficar um pouquinho mais transparente a respeito de seus métodos de trabalho. Mas algo se transforma. Em discurso para juízes, o presidente das Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho, disse: “A defesa que fazemos da liberdade de expressão não significa que nós, jornalistas, estejamos em lugar especial, intocável, acima do bem e do mal”. O tom do discurso soa como novidade, na boca de um dos maiores empresários de mídia do país.


Propaganda questionada


A Justiça catarinense proibiu outdoors da grife Ellus. Daniel Chalfon, da agência MPM, diz hoje no jornal Valor: “Nós, publicitários, às vezes esquecemos que o material que criamos não será exibido apenas nos grandes centros urbanos, cujos valores são mais flexíveis do que em cidades do interior, por exempo”.



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