Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

Programa nº 144

Mauro Malin

>>O destino de Palocci
>>Lula crítico da mídia

Por Mauro Malin em 22/11/2005 | comentários

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O destino de Palocci


Segundo a Folha de S. Paulo desta terça-feira, 22 de novembro, Antonio Palocci pediu para sair do Ministério da Fazenda e já há um sucessor escolhido, o senador Aloisio Mercadante. Em editorial, o Estado de S. Paulo constata que existe uma investida política contra a seriedade da gestão econômica. O Valor diz que Palocci traçou sozinho um caminho de defesa e poderá contar com amparo na oposição, que não gostaria de dar a Lula bons pretextos para trocar gastos por votos em 2006.


Palocci será ouvido hoje em duas comissões da Câmara. O presidente do Sebrae, Paulo Okamoto, amigo e colaborador de Lula, presta depoimento na CPI dos Bingos.


Lula crítico da mídia


O Alberto Dines diz que o presidente Lula às vezes tem razão em criticar a mídia.


Dines:


– Mauro, o presidente Lula vai se transformando aos poucos num crítico da mídia. Raras são as semanas em que deixa de fazer uma crítica ao desempenho dos jornais. Às vezes erra, outras vezes está coberto de razão. Foi o que aconteceu ontem quando o presidente reclamou das especulações da mídia a partir dos elogios que fez a Dilma Roussef na solenidade que comemorou o lançamento do programa de bio-diesel. Se a ministra foi a coordenadora do programa ainda quando ocupava a pasta das Minas e Energia, cabia a ela os aplausos do chefe da nação. Comentamos o episódio aqui neste Observatório.


A verdade, Mauro, é que a mídia voltou a ficar afobada e excitada. Quer ver sangue. Está errada: a imprensa é a única que não pode perder a cabeça. A continuação de Antônio Palocci no ministério da Fazenda, ao contrário do que aconteceu com o então ministro José Dirceu, é uma questão que ultrapassa o governo Lula, mobiliza o país de ponta a ponta, entrou na esfera internacional. Por isso foi focalizada na edição desta semana do Economist. A mídia não deve torcer por ninguém, nem distorcer o que está acontecendo. É sobre a mídia e Palocci que vamos falar hoje à noite no Observatório da Imprensa: às dez e meia na TVE e às onze na TV Cultura.


A mídia não inventou a crise


Dines, eu discordo dessa visão do presidente Lula sobre a mídia. A imprensa não inventou a briga pública no ministério, a hesitação em relação à política econômica, a vociferação dos adversários dessa política, a fragilidade de Palocci devido às denúncias sobre Ribeirão Preto. A crise não é de “denuncismo”, como diz Lula, mas de “mensalão”.


A imprensa comete erros. A oposição faz jogadas oportunistas. Mas a crise não foi fabricada pela mídia. Assim como a mídia não inventou os assassinatos de prefeitos petistas de Campinas e Santo André.


PT também ataca a mídia


A propaganda obrigatória do PT paulista ontem à noite foi um ataque em regra à imprensa. O presidente do partido no estado, Paulo Frateschi, chegou a dizer que não quer censura. Mas quem falou em censura?


Silêncio branco


Passou em brancas nuvens a estréia, no domingo, da TV da Gente, voltada para o público negro e dirigida pelo cantor e apresentador Netinho de Paula. Só a TV Bandeirantes, que é parceira de Netinho, noticiou ontem o advento da emissora. Fora disso, apareceu a agressão de Netinho a um comediante.


Ou cotas, ou diplomas


A política de cotas proposta no Estatuto da Igualdade Racial, ainda pendente de aprovação no Congresso, estabelece que todas as empresas com mais de 20 empregados deverão ter no mínimo vinte por cento de afro-brasileiros. Isso inclui, evidentemente, as empresas de mídia.


O diretor de Redação do Globo, Rodolfo Fernandes, afirma que a imposição de cotas, no caso, se chocará com a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo.


Rodolfo:


– Um projeto que preveja 20 por cento de jornalistas contratados pelo critério de serem afro-descendentes é totalmente incompatível com a outra exigência que existe para a contratação de jornalistas, a lei que obriga a contratar apenas pessoas com diploma. Como as universidades no Brasil não formam 20 por cento de jornalistas afro-descendentes por ano, uma dessas duas leis é totalmente incompatível com a outra. Não vai existir mão-de-obra suficiente para ser contratada se o Estatuto entrar em vigor com a exigência do diploma. Imagino que numa situação em que essa lei venha a ser aprovada, vai ter que ser colocada uma cláusula de entrada em vigor efetiva dessa nova legislação de muitos e muitos anos, sob pena de ela praticamente virar letra morta.

Todos os comentários

  1. Comentou em 02/12/2005 ubirajara sousa

    Ah, senhor Antônio Luiz Teixeira, que bom seria se, em vez de geólogo, você fosse um jornalista. O Brasil está carente de pessoas como você. Um abraço.

  2. Comentou em 23/11/2005 Touco tousco

    Uma lei exigir 20% de negros contratados como jornalistas e outra lei exige que todos jornalistas tenham diploma de jornalismo.

    O paradoxo evocado é falacioso por duas razões:

    – a premissa de os afro-descendentes são menos 20% dos formados em jornalismo carece de estatística que a apóie.

    – Mesmo assumindo-se a tal premissa, as empresas de mídia não contratam 100% dos formados em jornalismo, que acabam empregados em outras funções ou outras empresas.

    Assim, há um impeditivo lógico para que se configure um paradoxo entre as duas leis, além da premissa não verificada.

  3. Comentou em 22/11/2005 zialia lima rocha

    Sobre o Roda Viva 1002, tentei assistir e até pensei que entre todos haveria alguém para defender o governo, claro. Qual não foi minha surpresa! Verifiquei logo de início que aquilo era um complô! Covardia em TV Cultura! Desliguei e fui dormir. Paciência!

  4. Comentou em 22/11/2005 Pedro Ramos de Toledo

    Caro repórter:

    Cadê o mensalão?

  5. Comentou em 22/11/2005 pedro Ramos de Toledo

    Se a descrição do Sr. Antônio Teixeira foi tão fiel quanto bem escrita, eu jogo a toalha… A situação da imprensa Brasileira chegou ao total descalabro, igualando-se à corrupção histórica do Brasil. Eles estão tentando colocar o Serra no poder de qualquer jeito! Desistiram até de disfarçar! A campanha tucana não está mais restrita ao horário político. Ela desfila imponente em todos os grandes telejornais, programas de debates e imprensa escrita. A imprensa está nos condenando a viver o Reich tucano pelos próximos 100 anos… E como podemos reagir a isto? Como podemos combater a intensidade e difusão desta campanha política? Como viver em uma democracia onde a imprensa ‘livre’ apoia um partido que tornou costumaz a prática de espancamento de professores desarmados em protestos pacíficos e legítimos em defesa da educação sucateada deste país? Agora só falta apoiar a criminalização do MST, do MTST, dos movimentos de direito aos homossexuais e e proteção da mulher… Desculpem, nossa classe jornalística já trabalha nisso… Viva o PSDB e a consolidação do Estado-Empresa. E @#$%#$ o povo Brasileiro.

  6. Comentou em 22/11/2005 mario sergio gochi

    A mídia não inventou a crise, mas faz de tudo para aumenta-la, ou a Revista Veja não tentou emplacar o caso dos ‘dolares de Cuba’.

  7. Comentou em 22/11/2005 Antonio Luiz Teixeira

    Acho que esse de ontem foi o de número 1002. Entrevistou Bolívar Lamounier. Para entrevistá-lo, representantes fieis da mídia e de seus donos, incluindo-se o representante da imprensa oficial tucana, da revista Primeira Leitura, Rui Nogueira. Foi mais uma das verdadeiras plenárias tucano-pefelistas ou daqueles horários político-eleitorais chapa-branca. Um ‘desenhista’ da Globo minuciosamente captava o cenário, conotava-o com suas inscrições e uma câmera em close ressaltava o conteúdo que se queria passar. Uma telespectadora pergunta ao suposto entrevistado, após toda a execração que já é normal ao PT, se não existiam partidos bons, e quais diferenças entre PT e PSDB. O ‘entrevistado’ responde-lhe cuidadosamente que ele não poderia emitir opinião político-partidária sobre a primeira questão e que se eximiria de dar opinião mas, em seguida, referindo-se à segunda questão, lembra que de fato existem partidos por aí muito melhores que o PT e que, no caso do PSDB, este tem quadros muito superiores e capacitados para gerir um governo, etc e tal. A câmera dá um close na ‘arte’ do desenhista por alguns segundos e estampa: ‘O PT já era!’. Volta-se para o ‘debate’ e todos querem tirar do ‘entrevistado’ quais seriam as opções ao Lula e ao PT que eles teriam para 2006. Lamentam que suas oposições estão fracas e induzem que eles, da mídia, fazem sua parte mas a oposição tem sido beneplácida e incompentente para enfrentar o PT. Compararam Lula a Vargas e outros populistas do passado, o ‘entrevistado’ reluta na comparação e considera o momento atual ainda mais grave. O ‘desenhista’ já tem outra imagem. A câmera em close destaca: ‘Lula a caminho do (im)populismo!’. E assim vai todo o resto do programa da ‘Rede Pública de Televisão’. Imaginem se assim não o fosse. Daí me pergunto: quando é que algum dia alguém vai se debruçar a, verdadeiramente, analisar esse descalabro em que se tornou a TV Cultura? Era isso que queria Vladimir Herzog? Morreu por isso também?

  8. Comentou em 22/11/2005 milton milton

    a propria midia hoje é quem esta dando um tiro no pé, esta tão simples notar a conduta midiatica que até os mais humildes ja percede. Vejo certos jornais na TV e logo noto que existe mais critica que elogio, basta pensar hoje só quem da entrevistas são PSBD e PFL e na defesa o PT, e os outros partidos não existem, suas opiniões não servem, que democracia é esta da midia que não mas é do que concessões público do povo usada para atender a certas familias, lamentavel, só não ve quem não quer, as TV, jornais, revistas falam por si e o Brasil esta acordando, abra o olha midia.

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