Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 1307

>>O dossiê clandestino
>>Arejando o noticiário

Por Luciano Martins Costa em 07/06/2010 | comentários

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O dossiê clandestino

Nada como um fim de semana prolongado para testar a capacidade dos jornais de manter uma cobertura aprofundada sobre o que quer que seja.

O que se viu na semana que passou representa ao mesmo tempo uma nova tendência dos grandes jornais brasileiros, reforçada nas últimas reformas, de procurar manchetes exclusivas, e certa incapacidade para manter e aprofundar a cobertura dos grandes temas do período.

Como estamos mergulhando na campanha eleitoral antes do tempo, percebe-se também alguma preocupação em manejar questões que se tornam sensíveis em época de eleição.
 
O Globo estampou de manchete, na sexta-feira, sua descoberta de que o governo privilegia aliados na liberação de emendas, como se isso fosse novidade.

Novidade seria se o governo – qualquer governo – decidisse privilegiar seus adversários. Ou se a imprensa começasse a trabalhar seriamente por uma reforma política que reduzisse distorções no uso partidário de verbas públicas.

No sábado, o Globo e a Folha de S.Paulo destacaram a sanção do projeto Ficha Limpa, mas o Estadão achou melhor apostar na história do dossiê que um jornalista a serviço do PT teria pensado em montar contra a filha do candidato José Serra.

No domingo, o Estadão destaca pesquisa eleitoral e os outros jornais voltam ao caso do dossiê.
 
A nova semana começa com os jornais tentando manter em evidência o que poderia ser o primeiro escândalo da atual campanha, mas falta conteúdo para manter o tema nas primeiras páginas.

Mais de uma semana depois que a revista Veja publicou a primeira reportagem sobre o assunto, a imprensa ainda não conseguiu contar do que tratava o suposto dossiê.

Afirma-se que existe, mas seu conteúdo segue na clandestinidade.

Diz-se apenas que tinha como alvo a filha do ex-governador José Serra, mas ninguém explica que informações estariam sendo investigadas.

Ao manter o tema em evidência, sem no entanto explicar do que se trata, a imprensa acaba valorizando os “arapongas” e expondo a suposta vítima a mais especulações.
 
Arejando o noticiário

O esforço que o governo de Israel vem fazendo para se contrapor à onda de condenações à operação militar usada para bloquear os navios com ajuda humanitária que se dirigiam à Faixa de Gaza revela, de certa maneira, como a imprensa tradicional ainda é considerada relevante na formação das opiniões.

A batalha comunicacional prossegue feroz na internet, mas ainda é nos jornais que as partes em confronto concentram seus melhores talentos.

Chovem nas redações ofertas de “contribuições” espontâneas de analistas, comentadores e supostos especialistas repentinamente interessados em justificar a violência contra o grupo de pacifistas.
 
A favor dos palestinos, destaca-se a Aliança Recos – Redes de Cooperação Comunitária sem Fronteiras – que reúne simpatizantes da causa palestina e em favor da paz no Oriente Médio, entre eles alguns judeus pacifistas.

Com grande capacidade de penetração na região, a Recos inunda listas de emails misturando informes enviados da Faixa de Gaza, relatos de testemunhas e opiniões sobre o conflito no Oriente Médio.

Mas essa rede de militantes pacifistas não é conhecida ou reconhecida pela grande imprensa, que prefere suas próprias fontes ou os serviços das agências internacionais de notícias.
 
O episódio da semana passada parece ter abalado o muro de proteção midiática que sempre considerou Israel como um bastião do mundo civilizado encravado em território bárbaro.

O ataque desproporcional aos ativistas, com evidências de que alguns deles foram criteriosamente assassinados com tiros à queima-roupa, demonstra que a barbárie contamina todo o ambiente.

O conceito de “Estado esquizofrênico”, até então apontado apenas para o Irã, onde o governo precisa ao mesmo tempo agradar a mentalidade medieval de líderes religiosos e participar do jogo da globalização contemporânea, já começa a ser usado para qualificar o Estado de Israel, onde também cresce a influência de fanáticos religiosos nas decisões de governo.

Intelectuais judeus contrários à solução militar para o conflito  ganham espaço na imprensa tradicional.

Ponto para a imprensa.

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