Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Programa nº 114

Mauro Malin

>>O palácio fala outra língua
>>Referendo põe a mídia na berlinda

Por Mauro Malin em 11/10/2005 | comentários

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O palácio fala outra língua


O palácio do Planalto e a opinião pública estão falando línguas diferentes. Isso é sintoma grave de desarmonia.


Comparações impertinentes


No Brasil, assolado há décadas por um ensino de má qualidade, é forte a tentação de cair em comparações inadequadas. Ontem o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, citou até os nazistas e os Aliados antinazistas a propósito de julgamentos coletivos e individuais. A imprensa se limita a registrar, não explicita uma crítica a esse absurdo.


O ministro Jacques Wagner entrou na corrida pelo troféu de declaração mais inepta. Comparou a cassação de acusados de corrupção com a pena de morte.


Além de questionar esses despropósitos, a mídia precisa cobrar um debate sobre o dispositivo que permite a deputados renunciantes se reapresentar ao eleitorado. A Justiça Eleitoral é extremamente permissiva. A memória, inclusive da mídia, é curta. Nesse quadro, usar a renúncia como escapatória é algo que parece fragilizar a democracia. Se depender apenas dos parlamentares, dificilmente o assunto entra em pauta.


Referendo põe a mídia na berlinda


O Alberto Dines anuncia que o tema de hoje à noite no programa de televisão do Observatório da Imprensa é o questionamento da participação da mídia no debate sobre o referendo do dia 23. Fala, Dines.


Dines:


– Mauro, agora se começa a discutir o referendo em si e muitos lembram que este tipo de consulta costuma agradar aos regimes totalitários. Nada mais errado. Referendos em regimes democráticos são extremamente produtivos no processo decisório. Na Califórnia, no próximo dia 8 de novembro, haverá quatro consultas simultâneas sobre questões orçamentárias que podem derrubar o governador Schwarzenegger. O nosso referendo não vai resolver definitivamente o problema da violência. Mas, levado a sério, qualquer que seja a decisão final, pode produzir outros referendos que somados poderão indicar caminhos seguros e sensatos para governantes e legisladores.


Este nosso referendo sobre desarmamento provocou um inesperado debate popular sobre jornalismo. Nosso Observatório da Imprensa nunca recebeu tantas mensagens em seus quase 10 anos de existência. É um bom sinal. O cidadão-leitor-ouvinte quer se manifestar, recusa a passividade. Vai votar sobre armas mas quer também uma imprensa desarmada, sem prepotência. É sobre isso que vamos falar hoje à noite no “Observatório da Imprensa” – às dez e trinta na rede da Televisão Educativa, às onze da noite na rede Cultura.


Crítica ao referendo


Dines, eu continuo achando que este referendo está fora do lugar. Na melhor das hipóteses temos uma pergunta mal formulada. As duas campanhas de propaganda são muito ruins. Agora, enveredaram pelo caminho dos ataques recíprocos. No fundo, um duelo de marqueteiros. Não é o melhor contexto para a manifestação da chamada sabedoria popular.



Mais clareza sobre números


Dines, você pede mídia sem prepotência. Seria um grande avanço, mas estamos longe disso. Fala também em mídia desarmada. No sentido propriamente bélico da metáfora, seria ótimo. Uma mídia que não atire antes de perguntar “quem vem lá?”. Mas em outro sentido, eu pediria uma mídia mais armada. Mais armada de informação e conhecimento. Tanto no caso do desarmamento como no da transposição das águas do São Francisco, temos visto os dois lados torcerem e retorcerem estatísticas. Ontem de manhã, a rádio CBN fez um debate sobre o referendo do desarmamento. Cada lado usava os números a seu bel-prazer. À noite, no Roda Viva da TV Cultura sobre o Rio São Francisco, a mesma coisa. Hoje, Luís Nassif inicia na Folha uma série de colunas em que promete apresentar melhor o tema da transposição.


Antes de mais nada, a mídia deveria se munir de informações claras sobre as estatísticas.


Memória de Herzog


Em parceria com o Observatório da Imprensa, o Museu da Pessoa criou um site de depoimentos sobre o assassinato de Vladimir Herzog, há trinta anos. Nele há testemunhos inéditos dos jornalistas Alberto Dines, Audálio Dantas, José Pola Galé, Luiz Weis e Rodolfo Konder, e um convite para que cada pessoa envie seu próprio relato sobre o episódio, que foi um divisor de águas na luta contra a ditadura militar.


O endereço é www.museudapessoa.net.


O Rio de Janeiro no labirinto


O Globo de hoje mostra em números o que é a inação da Prefeitura do Rio diante do crescimento de favelas em áreas ditas nobres da cidade. A discussão é rasa. Não vai muito além da desvalorização dos imóveis e das leis descumpridas.


O Globo descobriu recentemente que a favela da Rocinha já tem prédio de onze andares e que não pára a ocupação de morros em Ipanema, Leblon e Gávea. Depois, caiu numa esparrela. Acreditou que o prefeito César Maia estaria empenhado em remover favelas de áreas de risco e em fazer cumprir normas da construção civil. Começou um jogo de empurra entre o prefeito e a Câmara de Vereadores. Resultado: nulo.


O Rio parece cada vez mais desnorteado. Hoje, suas elites não conseguem mais discutir planejamento urbano. O governo não consegue fazer nem a polícia cumprir as leis. A mídia não tem fôlego para discutir as grandes questões da cidade e da Região Metropolitana.

Todos os comentários

  1. Comentou em 12/10/2005 Raquel Alves

    É caótica a situação do estado do Rio de Janeiro. E para variar, agora inventam este tal referendo, com uma votação absurda: desarmar cidadãos de bem e ainda por cima com dados de pesquisa que sabemos não correspondem à realidade. É inconcebível um governo como esse, que cria soluções para ‘tapar buracos’, quando o certo seria buscar soluções coerentes para o problema da violência. Que pesquisa é essa, que demonstra que a maioria do armamento vem de dentro do país, de cidadãos de bem, sendo que fuzis, armas de último tipo não costumam ser compradas pelo povo. E esses artistas, intelectuais, que vão para televisão discursar a favor deste absurdo. Onde estamos? Que mídia que tenta manipular claramente um povo cansado de não ver soluções e sim medidas ‘tapa-buracos’. Agora fica a pergunta, qual a intenção dessa mídia que tenta impor uma solução que sabemos que não surtirá efeito, como comprovado em outros países? Seria mudar o foco do assunto, tirar os holofotes da sujeira do governo? Espero que o resultado do referendo venha demonstrar ,através do voto, que o povo resistiu a essa hipocrisia e não que o mesmo se mantém alienado.

  2. Comentou em 11/10/2005 Heidy Miquelin

    Fala-se em dasarmamento, mas isso não vai tirar a arma da mão do bandido, não é tão simples assim, eles possuem as de alta potência, nem os militares possuem. mesmo porque se morre um bandido logo aparece os ‘direitos humanos’, para questionar o acontecimento. Sendo que um cidadão de bem morro e a familia não tem defesa.

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