Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

Programa nº 632

>>Operação persona
>>Cansados e sem público

Por Luciano Martins Costa em 17/10/2007 | comentários

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Escândalo privado

Os jornais de todo o mundo têm hoje um prato suculento servido no Brasil: a prisão dos mais altos executivos da empresa de tecnologia Cisco System, entre 40 acusados de fraudes no valor aproximado de 1 bilhão e meio de reais.

O Globo e o Estado de S.Paulo colocaram o assunto em manchete e dedicaram grande espaço interno em suas páginas de negócios.

A Folha parece ter chegado tarde, ou não teve fôlego para uma reportagem mais ampla.

Um detalhe do noticiário merece mais esclarecimentos: dizem a Folha e o Globo que nada menos do que 46% das empresas que operam no Brasil já sofreram algum tipo de crime financeiro.

O índice é o mesmo de outros países, o que pode indicar uma grande vulnerabilidade na economia global.

Lista de crimes

Os jornais explicam que, no caso da Cisco, a empresa não era vítima, mas autora dos crimes, que podem envolver pelo menos treze outras grandes companhias.

Se a investigação prosseguir no mesmo ritmo, este será provavelmente o maior escândalo internacional no mundo dos negócios.

A lista dos crimes imputados aos dirigentes da Cisco tem nada menos do que oito tipificações, incluindo falsidade ideológica, evasão de divisas, corrupção ativa e passiva e fraude contábil.

As fraudes começavam nos Estados Unidos, onde a Cisco tem sua sede principal, e envolviam empresas-fantasmas e ‘laranjas’. Um deles, morador na periferia de São Paulo, era indicado como dono de uma empresa que movimentou mais de 500 milhões de reais em um ano.

Operação Persona

A Polícia Federal e o Ministério Público vinham investigando o caso há dois anos, e rastrearam negócios feitos cinco anos atrás. Segundo o Estado de S.Paulo, o esquema é semelhante ao que foi descoberto em 2005, e que envolvia a loja Daslu.

A polícia explica que o nome dado à investigação, ‘Operação Persona’, não tem a ver com a extinta coluna social do Estadão. Trata-se de referência à máscara do teatro grego, já que o escândalo derruba perrsonagens importantes do mundo dos negócios.



Segundo o Globo, o fio da meada que leva à Cisco foi apanhado em operações anteriores, o que revela a existência no Brasil de uma grande organização criminosa cujos verdadeiros chefes ainda não foram identificados.

O Globo cita o empresário Marcos Antônio Mansur, acusado na operação Dilúvio, no ano passado, de ser um dos organizadores do esquema. Preso em agosto de 2006, Mansur ganhou habeas-corpus do Tribunal Regional Federal de Porto Alegre e foi solto em janeiro deste ano.

Nos últimos três anos, a Polícia Federal, o Ministério Público e a Receita Federal deflagraram nada menos do que cinco grandes operações contra empresários criminosos.

Os jornais poderiam contar aos leitores, qualquer dia destes, quantos desses bandidos de colarinho branco continuam presos e quantos já foram condenados.

A outra notícia

O deslumbramento dos jornais com o desempenho das grandes empresas pode dificultar a visão de outros aspectos dos negócios, como as fraudes e a concorrência criminosa, que só se revelam com a ação das autoridades.

É o caso do escândalo envolvendo a Cisco System.

Da mesma forma, o encanto da imprensa com os avanços tecnológicos e as novidades da indústria à vezes oculta outras notícias, ainda mais importantes para o interesse público.

Ouça o comentário de Alberto Dines.

Dines:

– Os jornais de ontem estavam fascinados com o novo modelo do Airbus, o A-380, considerado o maior avião comercial do mundo. Mas não mostraram o mesmo entusiasmo por uma notícia veiculada no dia anterior, segunda-feira, pela Folha de S.Paulo sobre o desastre do Boeing da Gol no ano passado. A repórter Leila Suwwan revelou em primeira mão que a Força Aérea está tentando ocultar uma falha grave de comunicação entre o jato Legacy e o Cindacta-1. A revelação é grave porque  acrescenta mais um elemento na lista de responsáveis  pela colisão: além dos pilotos americanos e além dos controladores, agora temos o governo diretamente implicado na tragédia. A matéria da Folha é minuciosa: das quatro freqüências que os pilotos do Legacy poderiam ter usado, duas estavam indisponíveis e outra inoperante. Significa que o então ministro da Defesa não dizia a verdade quando negou peremptoriamente qualquer falha de comunicação. O que mais impressiona nesta história é a passividade da imprensa diante da revelação. Não se trata apenas de insensibilidade da mídia diante dos desdobramentos da tragédia, mas da sua incapacidade de processar rapidamente as informações que ela própria veicula.



Luciano:

Cansados e sem público

A Fiesp, a Associação Comercial de São Paulo e a Ordem dos Advogados do Brasil, patrocinadores do fracassado movimento ‘Cansei’, acabam de anotar outra frustração: a manifestação contra a prorrogação da CPMF, planejada para juntar uma multidão de 2 milhões de pessoas no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, teve um número reduzido de espectadores.

Mesmo com a apresentação dos cantores Zezé di Camargo e Luciano e da popular banda KLB, o Globo contou apenas 7 mil pessoas. Segundo a Folha, a Polícia Militar calculou em 15 mil o total do público que passou pelo local.

O Estado de S.Paulo nem noticiou o fracasso. Fez apenas uma nota, mostrando que a maioria dos presentes, inclusive os artistas convidados, não sabia o que é a CPMF.

A Fiesp gastou 300 mil reais na organização.

Enquanto isso

Em Brasília, governo e oposição tentam chegar a um acordo para votar a proposta de prorrogação do tributo, mas, segundo os jornais, são pequenas as chances de um entendimento que permita a aprovação no Senado ainda neste ano.

A oposição exige mudanças no projeto, com redução progressiva da alíquota, o que é possível porque a proposta aprovada na Câmara permite que isso seja feito posteriormente, através de projeto de lei.

Por enquanto, o governo concorda em discutir a isenção da CPMF para quem ganha até 1.200 reais por mês e para quem tenha apenas uma conta bancária, mas a oposição quer um compromisso pela redução progressiva da alíquota.

Nunca neste país…

O presidente Lula entrou pessoalmente nas conversas, mas não ajudou em nada.

Ele afirmou que todos os senadores, em algum momento, votaram anteriormente na continuidade da CPMF, que já foi prorrogada várias vezes desde que foi criada, em 1996.

Alguns parlamentares entenderam como interferência indevida no Legislativo.

O senador Arthur Virgílio, do PSDB, fez a blague do dia. Segundo o Estado de S.Paulo, ele disse que pode até aprovar a prorrogação da CPMF, desde que o presidente Lula pare de falar ‘nunca antes neste país…’, frase que coroa todos os seus discursos.



Renan ameaça

As negociações colocam no centro do cenário o senador petista Tião Viana, vice-presidente do Senado em exercício.

Substituindo o presidente Renan Calheiros, em licença de 45 dias, Viana tem se esforçado para fazer o papel de magistrado, e começa a ser citado como candidato a ficar no lugar de Renan até o fim do mandato da atual mesa diretora.

Renan Calheiros segue em Brasília, tentando salvar o mandato e seus direitos políticos.

Para agradar o governo, ele se dispõe a estender sua licença por mais 45 dias, o que deixaria a presidência do Senado com o petista Viana até o final do ano.

Mas, ao mesmo tempo, Renan espalha, por meio de seus amigos, que não tem nada a perder e que poderia reassumir a presidência do Senado, criando problemas para o governo e embaraços para a oposição.

Além disso, ele deixa no ar a ameaça de revelar o que sabe sobre alguns dos nobres parlamentares que o acusam.

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