Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

Programa nº 406

Mauro Malin

>>Padrões de elite
>>Américas do Sul

Por Mauro Malin em 30/11/2006 | comentários

Ouça aqui

Download

Toma-lá-dá-cá


Há hoje no Globo um bom material sobre doações de campanha. Cientistas políticos dizem que está tudo dentro das boas práticas. Claro, se comparado com doações como as do traficante Pablo Escobar, na Colômbia dos anos 80, é tranqüilo. Mas a lenga-lenga não deve tirar de foco o toma-lá-dá-cá das campanhas. Por sinal, assinalado por outros ouvidos pelo Globo.


Padrões de elite


Já existe um padrão de criminalidade de integrantes das elites brasileiras. Preso empresário que mandou matar auditor fiscal da Receita. Deputado eleito, advogado de grande banca, vai para a cadeia em Minas Gerais. Pai e filho acusados de traficar drogas são presos em condomínio de luxo no Rio. Fazendeiro que mandou matar fiscais do Trabalho vai aguardar o processo em liberdade. Notícias sobre trabalho escravo no ferro-gusa correm mundo. PMs trabalham como vigilantes de madeireiras irregulares no Pará. As notícias são dadas. Mas faltam reportagens que descrevam melhor o fenômeno. Fácil é associar pobreza a criminalidade e violência.


Américas do Sul


O professor da Uerj Antonio Carlos Peixoto, coordenador de Relações Internacionais do governo do estado do Rio de Janeiro, adverte que a cobertura jornalística do momento político na América do Sul deve fugir das generalizações que deixam escapar a especificidade de cada processo político nacional.


Antonio Carlos:


– O que está me parecendo é que quando a imprensa utiliza a expressão extremamente genérica “Há um deslocamento para a esquerda na América do Sul”, esta expressão encobre realidades que são extremamente diferenciadas. E isto tem a sua importância, porque essas diferenças é que, em última análise, vão poder determinar a dinâmica do processo político nos diferentes países em que esse deslocamento teria ocorrido ou efetivamente ocorreu. Não se pode confundir o caso de eleições nas quais um dos partidos do sistema partidário tradicional chega ao poder com casos como o de movimentos indigenistas na Bolívia, ou de um candidato que aparece com uma legenda de última hora, mas que, apesar disso, obtem uma maioria extremamente expressiva dos votos, como aconteceu no domingo passado no Equador. Ou, ainda, o caso da eleição peruana, onde um partido tradicional, com um candidato que já foi presidente do Peru, chega ao poder, derrotando uma coligação também armada na última hora, mas que conseguiu captar os votos das camadas populares e de uma parte dos movimentos indígenas. E, ainda, não se pode confundir esses dois casos com o que ocorre na Venezuela de Hugo Chávez, onde nós temos um caso de populismo mais tradicional, ou clássico. Ou seja: uma liderança carismática, com forte apoio em movimentos sociais difusos – mas esses movimentos não são etno-sociais – e uma base militar relativamente importante. Isso introduz diferenças que são sensíveis.


Mauro:


– O professor Antonio Carlos Peixoto mostra que há também pontos de identidade entre os diferentes processos.


Antonio Carlos:


– Basta ver o seguinte: Evo Morales convocou uma assembléia constituinte, como Chávez convocou também, no início de seu governo, e Rafael Corrêa agora está falando também na convocação de uma assembléia constituinte.


Leia aqui a entrevista completa de Antonio Carlos Peixoto.


Demagogia e cinismo


Na Venezuela, enquanto a sensação de crescimento da corrupção se generaliza, o canal estatal Venezoelana de Televisión deu 87 horas para o presidente Hugo Chávez e menos de duas horas para seu opositor nas eleições de domingo, Manuel Rosales. Nas TVs privadas, o inverso, embora em proporção mais discreta: Rosales teve 15 horas e meia e Chávez, pouco mais de dez horas. O candidato da oposição abriu inscrições para um hipotético cartão de crédito chamado “Mi Negra”. A negra é o petróleo. Demagogia de alta octanagem. Então, fica combinado assim: todos tentam se locupletar e o cinismo avança.


Que cultura é essa?


Muito mal explicado o conceito de cultura da pesquisa do IBGE divulgada ontem sobre o gasto no setor como proporção do PIB. No Jornal Nacional, as imagens mostravam aparelhos de televisão. Quanto disso é cultura e quanto é entretenimento ou baixaria? E quanto é jornalismo? Jornalismo é informação ou cultura? Informação é cultura? Para ilustrar os gastos da população negra, a Globo fez reportagem num curso de informática. Então, trata-se de um conceito de cultura bem amplo, que inclui a instrução e as técnicas, além do lazer, etc. No Globo de hoje aparecem itens como compra de brinquedos, aluguel de salão de festas e pesque-pague. Como dizia Bussunda e repete Ancelmo Gois: Fala sério!

Todos os comentários

  1. Comentou em 29/05/2007 paulo barreto

    Qual é a vossa? Se um Presidente eleito quer reescrever a Constituição é porque ele quer mudar o país para melhor, de acordo com as suas promessas. Aliás, através duma Votação Popular e mais tarde pelos eleitos do Povo! O Presidente não faz isso sòzinho…
    As populações da América Latina, fartas das desilusões dos Partidos Políticos durante décadas, escolhem novas formas de Governo não previstas pela ‘democracia USA’ e nascem situações como o Ecuador… Deveríamos estar TODOS contentes, mas claro que os Partidários vêem o seu poder desvanecer-se e ei-los gritando: ‘Violação!’ Sim, a Corrupção está a ser violada! As Máfias, locais e nacionais, as Classes até aí Dominantes, os Parasitas, os Oportunistas. Toda essa gangada se queixa e eu gozo ao ler os gritos de coitadinhos-raivosos caídos do poleiro…
    O Quinteto; Fidel, Chaves, Morales, Ortega e Correa é uma benção para a A.L. que bem poderia ser sexteto (México) ou mais.
    Uma pergunta: O que é ‘Esquerda’? Várias pessoas escrevem mas ninguém esclarece terminologia… Para mim significa ‘O Lado dos Pobres’- fora Partidos, Sindicatos, Essas Coisas. Pobres sem Líderes. Desgraçados por herança. Há gerações. Nunca a Igreja acabou com os Pobres. Se acabassem com eles perdiam a Fonte de Rendimentos.
    Os Partidos não vivem de/para os Pobres. À vezes usam-nos nas suas manifestaòes, contra pagamento… Alás, para eles, não HÁ Pobres!

Programas Anteriores

1 2 3 4 5 última

1 de 2625 programas exibidos

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem