Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Programa nº 325

Mauro Malin

>>Palavra de réu, não de rei
>>Briga de TVs abre brechas

Por Mauro Malin em 07/08/2006 | comentários

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Palavra de réu, não de rei


Tomar ao pé da letra depoimentos do acusado Vedoin filho sobre a máfia das ambulâncias é abrir caminho para manipulações. A mídia tem divulgado declarações do empresário da Planam como plena expressão da verdade. Equivale a acreditar em Marcola ou Beira-Mar.


Briga de TVs abre brechas


Alberto Dines diz que a briga entre as Redes Globo e Band abre uma brecha para o aperfeiçoamento da cobertura da campanha eleitoral.


Dines:


– A guerra entre a TV-Globo e a Band é uma guerra de anúncios, de mentirinha. Não vai melhorar a qualidade da cobertura jornalística na TV brasileira nem, muito menos, ajudar o eleitor a escolher melhor os seus candidatos – sobretudo no Legislativo. O primeiro anúncio (da Globo), estava correto. Prometia investimentos na cobertura televisiva e oferecia ao conhecimento do público as normas que os seus profissionais seguirão na cobertura eleitoral. É assim que se faz. A Band preferiu partir para a briga e lembrou antigas falhas da concorrente. Essa roupa-suja não interessa ao cidadão-telespectador, é puro marketing. O telespectador quer que as emissoras de TV impeçam a re-candidatura dos mensaleiros e dos sanguessugas, quer que os escândalos sejam acompanhados com afinco e o caixa-dois seja impedido de funcionar novamente. Mas é bom saber que as emissoras estão brigando. Significa que elas querem aperfeiçoar as suas coberturas, querem acabar com as abobrinhas e significa, sobretudo, que vão acabar com o pool que impedia qualquer diversidade.


Cuba caricatural


As opiniões ideologizadas publicadas na imprensa brasileira sobre a situação em Cuba são em muitos casos simplificações grotescas. Até aí, trata-se da incapacidade de achar opinionistas de melhor qualidade para ocupar páginas nobres dos jornais. Mais dramático é quando reportagens seguem o mesmo caminho, como aconteceu com a Veja desta semana. Ignora-se todo o passado de Cuba, as relações dos Estados Unidos com a Ilha, e produz-se uma narrativa que parte da ascensão de Fidel Castro ao poder. Não explica nada, só agita. Recomenda-se ler notícias e entrevistas nos jornais.


Judeus e palestinos


Também em relação ao Oriente Médio o noticiário sofre um grau considerável de manipulação. A maior delas talvez seja iniciar o relato a partir de determinado momento, a divisão estabelecida pela ONU em 1947, ou, antes, em 1917, a promessa britânica de um lar nacional para os judeus. Os relatos quase sempre omitem o drama multissecular dos judeus na Europa e a submissão dos palestinos aos impérios turco-otomano e britânico, para não recuar mais no tempo.


Mães sem filhos


Eliane Brum, autora da reportagem de capa desta semana da Época, sobre o físico Marcelo Gleiser, publicou na semana passada reportagem chamada “Meu filho foi assassinado”, com depoimentos, colhidos ao longo de meses, de mães de soldados do narcotráfico. É um relato em que a grande imprensa dá a palavras a personagens que quase nunca têm voz e rosto na mídia.


Eliane:


– O Brasil é um país tão desigual que às vezes as pessoas, os mundo só se encontram pela violência. E a função do jornalista, e eu acho que essa é uma função bem importante, é aproximar esses mundos. O que essa matéria das mães fez foi isso, foi aproximar mundos. Uma mãe, ou não precisa ser uma mãe, alguém de classe média pode ler o depoimento dessas mães e pode se identificar, pode ver que ela é muito mais parecida do que diferente. Pode alcançar o que ela está sentindo. E pode começar a vê-la de uma outra maneira. Então, ela deixa de ser aquele jargão, deixa de ser a “mãe do bandido” – como se isso explicasse alguma coisa, isso não explica nada – e passa a ver como ela vive. Quem ela é, o que ela sente, o que ela sofre, o que ela sonhou, como ela tentou dar um outro destino para esse filho, porque nenhuma mãe quer que o filho seja traficante, nenhuma mãe quer enterrar o filho e nenhuma mãe quer sobreviver ao seu filho.


Mauro:


– Eliane Brum lança no dia 22 o livro A Vida Que Ninguém Vê, com histórias publicadas na Zero Hora, de Porto Alegre, no final dos anos 90.


Ler também, de Eliane Brum:


Uma bomba aki


À espera do assassino


Revisão penal


A situação das prisões paulistas é hoje pior do que antes dos ataques desencadeados pelo PCC em maio. A promessa de fazer um mutirão para atualizar a situação penal de cada preso, embora chegue tarde, é positiva.


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Todos os comentários

  1. Comentou em 07/08/2006 Vera Borda

    Desculpe, a redação da mensagem ficou ambígua mesmo. Estava pensando em blogs, não em sites inteiros, e certamente não penso em comparar blogs cujos donos não me parecem merecer o epíteto de ‘jornalistas’ com os redatores do Observatório da Imprensa. O senhor tem toda razão de reclamar.

  2. Comentou em 07/08/2006 Vera Borda

    Concordo perfeitamente com a opinião do jornalista a respeito da validade, veracidade ou legitimidade do depoimento de um réu confesso sobre o caso das ambulâncias e que tais. Só me espanto que essa ressalva não tenha sido feita com a veemência que se observa hoje na manifestação de vários jornalistas acerca da validade dos depoimentos do doleiro Barcelona, do juiz Mattos, aquele que está condenado por vender decisões, do Buratti, demitido do serviço público por corrupção e de outras pessoas da mesma laia quando acusaram o PT e o governo. Naquele tempo valia tudo, todos iam às CPIs e eram tratados de Vossa Excelência, recebiam reportagens extensas de revistas semanais e páginas e páginas de sites como os do OI. Mas… antes tarde do que nunca.

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