Sábado, 20 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Por Mauro Malin em 27/11/2006 | comentários

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Palco e bastidores


Existe um combate estridente entre governo e imprensa. O governo usa erros e excessos da mídia como pretexto para combater manifestações críticas. Os principais veículos de imprensa fazem marcação cerrada contra o governismo e não conseguem colocar em primeiro plano um debate menos estereotipado sobre os rumos do país. Enquanto isso, o tecido da comunicação se altera profundamente, e de forma discreta, com a entrada das telefônicas no segmento da televisão.


Ameaça e deturpação


A sugestão de que a mídia faça uma auto-reflexão, contida em entrevista à Folha do presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, traz uma ameaça: “Confesso que fico espantado quando vejo revistas, que se transformaram em órgãos de difamação política, entupidas de propaganda oficial”.


Difamação é crime e deve ser combatida mediante recurso à lei. Verbas de publicidade supostamente são ditadas pela necessidade de fazer chegar ao público as mensagens do governo.


Na chamada da primeira página de sábado (25/11), entretanto, a Folha fez o dirigente petista pregar a permanência do PT no poder por uma geração. Garcia disse explicitamente na entrevista que não se trata disso. Declarou: “Não estou dizendo que o PT deve ficar no poder. Estou dizendo que precisamos do movimento de uma geração para transformar o país, e gostaria que o PT tivesse um papel protagonista. Quem decide é a sociedade”.


O governo e o PT usam enfrentamentos com a imprensa como cortina de fumaça para seus próprios erros e desmazelos. Mas desfigurar declarações em nada melhora a posição da mídia.



Contra a baixaria


O governo tenta novamente controlar a baixaria na televisão. Segundo Daniel Castro na Folha de hoje, o ministro Márcio Thomaz Bastos assina no dia 11 portaria que muda as regras de classificação indicativa de TV. Valerão também para TV paga. E as emissoras deverão exibir um símbolo para informar ao telespectador as inadequações de cada programa.


Exploração da anorexia


É grotesca a capa da revista Caras que anuncia: “Oito dias antes da internação. As últimas fotos de Ana Carolina”. Se foram tiradas dias antes de uma internação da qual ela saiu morta, a jovem já estava doente. “Veja como estava mal a modelo que morreu de anorexia”, parece ser o convite mórbido feito pela revista.


Os aprendizes ensinam


Uma das participantes do Colóquio Latino-Americano sobre Observação da Mídia promovido pelo Observatório da Imprensa em setembro, a representante da Veeduría Ciudadana de Medios do Peru, Rosa Maria Alfaro, diz que um dos erros de quem tem acesso à produção nos meios de comunicação social é ignorar a efetiva capacidade do público. Supõe-se que ele seja incapaz.


Rosa Alfaro:


– [Que] É um público que não sabe nada, que não tem visões críticas, que está em uma situação quase de recipiente vazio, como dizia Paulo Freire. E, portanto, é necessário “alfabetizá-lo”, é necessário dar-lhe coisas, “injetar-lhe” o conhecimento, a consciência política, etc., etc. Acho que esse conceito definiu relações extremamente verticais. E que hoje em dia trata-se justamente de partir das pessoas, do que aportam, do que sabem, e de trabalhar com elas seu próprio processo educativo, dirigido por elas. Porque elas são os atores de sua própria mudança, e nós somos insumos, somos quem, metodologicamente as mobiliza para avançar, e a gerar um diálogo de tal maneira que seja possível, sim, uma aprendizagem comum.


Mauro:


– Rosa Alfaro diz que aprendeu a fazer radionovelas com mulheres simples de uma pequena povoação.


Rosa Alfaro:


– Eu me lembro que, quando comecei a trabalhar em comunicação, fomos a uma povoação trabalhar com mulheres, e nosso interesse era ensinar-lhes a fazer rádio, para que o usassem em sua cidade. Quando começamos a trabalhar, quisemos fazer um noticiário, não quiseram, não se comprometeram. Um debate, tampouco. Lhes propusemos fazer uma espécie de pequeno documentário, também não. Mas quando lhes foi proposto fazer histórias, começaram a armar umas histórias que elas mesmas dramatizavam, traziam os homens para fazer o papel de homens. Umas histórias… algumas, inclusive, analfabetas, mas sabiam relatar melhor do que nós. Eu aprendi a fazer radionovelas com essas mulheres. Qual foi a ajuda que lhes demos? Valorizar o que sabem. Nesse sentido, creio que essa visão de tirar as pessoas da ignorância é uma visão que é preciso retirar da relação que estabelemos com as pessoas.

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