Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

Programa nº 141

Mauro Malin

>>Palocci no espelho da mídia
>>Contra a baixaria

Por Mauro Malin em 17/11/2005 | comentários

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Palocci no espelho da mídia


Aparentemente, a ida do ministro Antonio Palocci ao Senado foi uma ação na esfera política. Mas a outra instância em que se dá a batalha é a mídia. Dines, qual é sua análise da cobertura jornalística?


Dines:


– Mauro, o suspense de ontem foi em torno do que falaria o ministro Palocci no Senado. Já o suspense de hoje relacionava-se com o comportamento dos jornais diante do que disse o ministro. Ontem, tanto o mundo político como o mundo econômico torciam para que Palocci se saísse bem na defesa da sua gestão à frente da pasta da Fazenda. Os agentes econômicos, por óbvias razões: a economia vai bem. Os agentes políticos, inclusive a oposição, também torciam pelo sucesso de Palocci, porque não queriam ficar com o ônus de um retorno à inflação e ao desgoverno. Hoje a reação dos jornais, de uma maneira geral, seguiu essa linha. Querem Palocci no comando da política econômica. E não querem ser responsabilizados por qualquer tipo de crise provocada por sua saía. Em resumo, todos ficaram felizes com a vitória do Palocci no primeiro round. Tudo indica que haverá um segundo round, na CPI dos Bingos. Mas se daqui a pouco a reação dos mercados for positiva, isso deve ser atribuído às manchetes de hoje. Logo, não serão as manchetes de capas e revistas que derrubarão Palocci depois da CPI.


Mauro:


– Dines, as manchetes e os títulos de hoje dão essa dimensão do êxito parcial do ministro da Fazenda. Na Folha de S. Paulo e no Globo, Palocci aparece na ofensiva. A linha dos outros jornais de peso nacional pode ser sintetizada na manchete do Estadão. Abre aspas: “Palocci explica, rebate críticas, mas continua na mira das CPIs”, fecha aspas.



Autocensura questionada


O prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, questiona nesta quinta-feira, 17 de novembro, em artigo na Folha de S. Paulo, a decisão do cineasta João Moreira Salles de suspender a circulação de seu documentários Entreatos, gravado durante a campanha eleitoral de Lula para a presidência, em 2002, e já exibido nos cinemas.


Visto antes dos escândalos, o filme mostrava favoravelmente um Lula simpático. Agora, o sinal mais é substituído pelo sinal menos.


Cesar Maia argumenta que o autor do filme não é dono da opinião das pessoas e das interpretações que seu trabalho possa produzir. E qualifica a decisão de João Moreira Salles como ato de censura, ainda que de autocensura.



Contra a baixaria


A suspensão do sinal da Rede TV! na Grande São Paulo, anteontem, devido a episódios do programa Tarde Quente, de João Kléber, foi comemorada como uma vitória pelo deputado Orlando Fantazzini, coordenador da campanha Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania. O programa é campeão de menções negativas no ranking da baixaria.


Fantazzini:


– O fato da Rede TV! ter descumprido medida judicial em razão do estímulo ao preconceito de gênero, à discriminação, obviamente não poderíamos esperar outra decisão judicial senão a de cassar a possibilidade de ela continuar tendo o seu sinal e transmitindo uma programação. Acredito que a ação que vem sendo feita no sentido da valorização dos direitos humanos e de fazer com que as emissoras de televisão tenham a compreensão de que não estão acima da lei é papel preponderante numa sociedade democrática. Eu só tenho a achar que doravante as emissoras de televisão darão tratamento totalmente diferenciado a essa questão.


Mauro:


– O deputado Orlando Fantazzini é autor de um projeto de lei que cria um código de ética para a televisão brasileira. As redes Record e Mulher também foram punidas recentemente por ter feito ataques a religiões de origem africana.


Guerra e mentiras



Em tempo de guerra tem mentira como terra, reza velho provérbio. Agora é o consagrado Bob Woodward que aparece na história da revelação indevida da identidade de uma agente da CIA, Valerie Plame, mulher do ex-embaixador Joseph Wilson, crítico das razões dadas pelo presidente George Bush para desencadear a invasão do Iraque.


Woodward se celebrizou como um dos autores das reportagens do Washington Post sobre o caso Watergate, que contribuíram decisivamente, mais de trinta anos atrás, para a derrubada do então presidente Richard Nixon. O jornalista recebeu a informação sobre Valerie de alguém do governo americano, suspeita-se que de Karl Rove, e não a repassou à direção do jornal.


Esse caso provocou a prisão por quase três meses da jornalista Judith Miller e sua aposentadoria, dias atrás, do The New York Times.

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