Domingo, 20 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

Programa nº 148

Mauro Malin

>>Pobreza, PIB e política
>>Promiscuidade institucional

Por Mauro Malin em 28/11/2005 | comentários

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Pobreza, PIB e política


O governo ganha hoje mais um elemento provisório de alívio: a Fundação Getúlio Vargas trabalhou com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, Pnad e constatou que a miséria diminuiu no país. O cálculo da FGV baseia-se na renda. Na quarta-feira o IBGE divulgará o crescimento do PIB no terceiro trimestre. O número é ruim para o governo e enfraquece politicamente o ministro da Fazenda, Antonio Palocci.


Isso dito, é preciso deixar bem claro que a politização exacerbada de estatísticas não cria bom ambiente para a discussão da realidade nacional e das políticas públicas. Mas a mídia não consegue tirar o pé do acelerador.


Promiscuidade institucional


O Alberto Dines convoca a imprensa para se contrapor à promiscuidade institucional provocada pelo lançamento da pré-candidatura do presidente do Supremo Tribunal Federal à presidência da República.


Dines


– Mauro, só neste fim de semana é que alguns opinionistas resolveram comentar os procedimentos, digamos, inusitados ocorridos na última quarta, durante o julgamento do recurso do deputado José Dirceu. E apenas o Estadão incomodou-se no domingo com nova situação, no mínimo esdrúxula: o presidente do Supremo movimenta-se abertamente como candidato a candidato à presidência da República.


Veja que absurdo, Mauro: o senador Renan Calheiros, presidente do Senado, portanto chefe do Poder Legislativo, apresenta o nome do Chefe do Poder Judiciário como candidato à Chefia do Poder Executivo. É a maior promiscuidade institucional desde os tempos da ditadura. E qual será o poder capaz de evitar esta lambança? Apenas a imprensa tem condições e legitimidade para impedir o prosseguimento desta falta de decoro generalizado nas mais altas esferas da República. A imprensa está ai para isso, resta saber se ela tem a disposição de enfrentar o presidente da nossa suprema corte. Como sabemos, uma indenização milionária pode acabar com a vida de qualquer empresa jornalística e estas questões relativas à imprensa geralmente correm no Supremo. O que estamos assistindo é um vale-tudo despudorado cuja origem está na consagração da impunidade.



Debates alvoroçados


A crise de corrupção de 2005 e a crise da campanha eleitoral de 2006, antecipada, se contrapõem ao encaminhamento sereno de questões administrativas. Algumas são totalmente estratégicas, como as verbas federais para a educação. No jornal Valor desta segunda-feira, 28 de novembro, o ministro da Educação, Fernando Hadad, coloca o assunto num contexto de conflito entre o Ministério da Fazenda e a Casa Civil.


A antecipação das eleições afeta a localização de nova refinaria de petróleo no Estado do Rio. O prefeito petista de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, defende que seja em Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A governadora Rosinha Mateus quer a refinaria no Norte Fluminense, reduto do marido, Anthony Garotinho. No noticiário, nada sobre vantagens e desvantagens das duas propostas de localização da refinaria. Só conflito político.



Televisão digital


Existe um tipo de questão estratégica que não se submete a um recorte político-partidário, mas cuja discussão ocupa menos espaço do que seria necessário. É o caso das definições sobre a televisão digital. O debate é pobre, apresentado quase sempre como conflito em torno de escolhas tecnológicas. Mas o modelo econômico e o tipo de interatividade que permitirá são mais importantes.


As maiores interessadas diretas são as empresas de comunicação, em especial a maior delas, que tem o serviço jornalístico mais importante, que é a Rede Globo.


Hoje a Folha de S. Paulo mostra como a definição da tecnologia interessa a fornecedores europeus, japoneses e americanos.



Os inimigos da floresta


A revista Época publicou nesta semana reportagem com denúncia gravíssima sobre assassinatos já cometidos e encomendados no Pará.


Enquanto as Forças Armadas discutem doutrinas de defesa nacional que chegam a contemplar a hipótese de uma guerra de guerrilhas contra invasão estrangeira na Amazônia, constata-se cada vez mais que os maiores inimigos da floresta estão dentro do país. São grileiros, desmatadores, madeireiros, garimpeiros, empreiteiros e outros agressores. Sob o manto da omissão de sucessivos governos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 28/11/2005 Iorgeon Haenkel

    De novo, é impressionante como é difícil para grande parte da mídia e de setores da eliote do país admitirem que o governo Lula têm méritos. Antes ouvi de algumas pessoas que os índices do IBGE eram manipulados pelo governo e que tudo não passava de uma estratégia do governo. Mas, e agora? com a FGV publicando pesquisa até mais abrangente? Demonstrando que, embora seja ‘pequeno’ [o avanço], os índices de desigualdade no país são os menores desde a década de 70! Essa notícia não é somente boa, é ‘bótima’! Se o Lula não cumpriu tudo que prometeu, pelo menos a promessa mais relevante de combate à fome e à miséria parece estar dando resultados. O que grande parte da mídia, por desconhecimento ou mesmo por má vontade, não reconhece, é que programas de distribuição de renda têm um efeito social que vai além do assistencialismo. Essa mesma mídia só reconheceu os benefícios do bolsa família, depois que uma das revistas mais importantes da Europa (The Economist) publicou uma matéria extensa sobre o assunto. Creio que está mais do que na hora da mídia começar a ressaltar o país que está dando certo, não só com o Diego Hipólito, Daiana e outras estrelas da ginástica que, hoje, não dão mais caruara na hora de executar os seus saltos mágicos. Ainda bem que a elite inteligente deste país já percebeu que a mais beneficiada com a diminuição das desiguldades é ela mesma. Sempre acreditei neste país e no seu povo

  2. Comentou em 28/11/2005 marcio varella

    O assunto me provocou o tema dessa falta de esportividade, de dignidade, de concorrência leal existente em todos os setores da vida nacional, mas que tem uma origem bastante conhecida, qual seja, o lixo americano imposto aos países pobres como o nosso. E digo pobre não em termos de riqueza material, financeira, mas pobre de idéias, de não poder desenvolver suas próprias idéias, seus próprios conceitos culturais, seu próprio jeito, suas próprias características – aquela coisa que diferencia um ser humano do outro, um povo do outro, uma nação da outra. É nisto que somos paupérrimos – comemoramos até o Halloween, festinha para nós idiota mas que, para os EUA, é importante e significativa. Quero me ater a uma pergunta participativa feita em matéria do portal Terra às 21h50 desta noite (28/11) em matéria sobre decisão de uma juíza do STJ sobre a anulação ou não de 11 jogos do campeonato brasileiro de futebol. O jornal pede a opinião do navegador sobre a decisão da diretoria do Internacional de premiar os jogadores por cada gol que possam marcar sobre o Corinthians. Eu opino: isto é uma vergonha. O jornalista que escreve uma matéria desta não pode, de forma alguma, ficar impassível diante de uma proposta pública de corrupção da esportividade. Deveria abrir a matéria com a opinião de um humanista sobre a nojenta proposta do clube gaúcho.

  3. Comentou em 28/11/2005 Orlando Maretti

    Prezados Mauro e Dines Muito oportuna a denúncia que fazem da promiscuidade institucional, exercida por esse pseudojurista gaúcho. Interessante que as lideranças petistas, agora aos abraços e beijos com o promíscuo dos Pampas, não o perdoaram quando foi flagrado banhando-se nas plácidas águas do Alvorada, a convite de FHC. A revista filopetista Carta Capital estampou a foto de Jobim, em traje de banho, denunciando o que seria um escândalo. Nos tempos que correm, o sr. Carta não publica uma linha crítica sobre as atuais posições do presidente do STF, pouco condizentes com a de um verdadeiro magistrado. A promiscuidade também contagia parte da mídia.

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