Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

Programa nº 1187

>>Politicagem em Copenhague
>>Fugindo do debate

Por Luciano Martins Costa em 16/12/2009 | comentários

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Politicagem em Copenhague


Na imprensa internacional, a principal personagem brasileira na Conferência do Clima, em Copenhague, é a senadora Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente.


Por uma razão muito simples: ela é especialista no assunto, construiu sua carreira como ativista, desde o tempo em que militava ao lado do líder seringueiro Chico Mendes, no Acre.


Atua e estuda especialmente mecanismos de defesa das florestas tropicais, mas há muitos anos também se especializou em educação e tem sido apontada como referência em projetos de desenvolvimento sustentável.


Há oito anos, ela foi a estrela de um seminário sobre o Brasil realizado na Universidade Berkeley, nos Estados Unidos, ao qual compareceram também os então senadores José Serra e Christóvam Buarque, a falecida ex-primeira dama Ruth Cardoso e sindicalistas.


Na imprensa brasileira, os principais destaques são a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, chefe da delegação oficial brasileira, e o governador de São Paulo, José Serra.


Os dois são os prováveis candidatos que irão capitalizar a disputa presidencial do ano que vem.


A ministra, por obrigação, participa das principais reuniões e tem que ser citada no noticiário.


O governador, que também tem projetos a mostrar durante o evento, não pode fugir da oportunidade de evidenciar suas afinidades com o meio ambiente.


Nenhum dos dois tem tintas verdes na biografia, mas o momento exige flexibilidade, e a imprensa serve para isso.


Aliás, a senadora do DEM Kátia Abreu, líder dos ruralistas no Congresso e inimiga declarada dos ambientalistas, também passeia suas novíssimas convicções por Copenhague.


A rigor, o encontro de Copenhague trata de adaptar a política e a economia ao conhecimento científico.


A ciência demonstrou que os negócios privados e estatais, os hábitos de consumo e as políticas públicas que vêm sendo praticados em todo o mundo conduziram o planeta aos limites do esgotamento e que as mudanças climáticas produzidas em grande parte pela atividade humana já causam grandes estragos no ambiente e irão agravar a situação dos países mais pobres.


As negociações dos técnicos e diplomatas estão perto de se esgotar.


O encontro entra agora na fase de definição, com a chegada a Copenhague dos chefes de Estado.


E o que a imprensa brasileira fez até agora foi transferir para a Dinamarca as picuinhas da política nacional. 


***


Fugindo do debate


Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa:


– O grande público pôde, finalmente, tomar conhecimento da existência da Conferência Nacional de Comunicação, aberta na segunda-feira, em Brasília, com encerramento marcado para amanhã (1&/!@). E como milhões de brasileiros tomaram conhecimento da conferência? Por meio do Jornal Nacional, que na edição de anteontem (14) dedicou quase um minuto a uma nota narrada pela voz pausada e bem articulada de William Bonner, noticiando o início dos trabalhos da Confecom (ver aqui).


Era uma pauta óbvia. Afinal, tratava-se de uma conferência que reunia mais de 1.600 delegados, e cujos trabalhos foram abertos com um discurso do presidente da República. Embora se trate do mais importante telejornal brasileiro, a edição do Jornal Nacional optou por dar essa matéria sem imagens.


Esse detalhe passaria por uma simples decisão dos editores não fosse o tom – e a entonação – de editorial imprimida por Bonner na leitura da nota. Ali foi dito que “a representatividade da conferência ficou comprometida sem a participação dos principais veículos de comunicação do Brasil”, para em seguida lembrar que seis das mais importantes entidades empresariais do campo da comunicação – Abert e ANJ, entre elas – decidiram, quatro meses atrás, abandonar a organização da conferência por considerarem “as propostas de estabelecer um controle social da mídia uma forma de censurar os órgãos de imprensa, cerceando a liberdade de expressão, o direito à informação e a livre iniciativa, todos previstos na Constituição”.


Não é bem assim. Aliás, não é nada disso. O problema maior é que as empresas de mídia têm sérias dificuldades em discutir publicamente o seu papel na sociedade – em suma, a mídia não pauta a mídia. No caso dos veículos impressos, pode-se até compreender essa atitude, ainda assim passível de críticas. Mas no que respeita às empresas de radiodifusão, que são concessionárias de um serviço público, essa postura é inadmissível. Mas, como de costume, seus representantes fazem cara de paisagem e seguem em frente, brandindo o argumento da defesa da liberdade de expressão, claro. É lamentável.

Todos os comentários

  1. Comentou em 16/12/2009 Ibsen Marques

    Volto para uma feliz comparação que me veio à mente (creio-a feliz). A censura tem estado para o quarto poder (a imprensa) assim como a imunidade está para o parlamentar; explico: O parlamentar se apoia nesse preceito constitucional para fugir de qualquer processo judicial e não apenas àqueles referentes a prováveis perseguições por suas idéias. O mesmo ocorre com a imprensa, para fugir do controle social ou de qualquer espécie de regulação, tudo cai na conta da Censura.

  2. Comentou em 16/12/2009 Ibsen Marques

    Quando se fala em controle social da mídia ou agência de regulação, as nossas grandes entidades empresariais da comunicação, que há muito deixaram de ser uma concessão pública e passaram a capitanias hereditárias, tremem. Convenientemente colocom-nas sob a pecha de censura. Aliás, essa palavra anda me atormentando nos dias atuais: Censura: Qualquer forma de controle ou regulação sobre o quarto poder, a saber, a imprensa, é hoje considerado censura. Esse é mais um ranço maldito que trazemos da ditadura militar.

  3. Comentou em 16/12/2009 Wendel Anastacio

    Senhor Luciano e Internautas;
    Texto lúcido e inteligente, embora requentado, pois sabemos muito bem quem são e o que propõe as ‘coronéis midiáticos’! Lamentar e indignar a meu ver, são virtudes louváveis, mas neste caso insuficiente para externar nosso repúdio a este tipo de comportamento! Cabe a nós, que pensamos diferente, mostrar e difundir todo o boiocote que a Confecom vem sendo vítima, e inteligentemente anular as possíveis estratégias feita por eles!
    Acredito que a ausência destes grupos, se deveu ao temor de serem vaiados, e como são ‘alergicos ao cheiro do povo’, é bem possível que tentem manipular as propostas encaminhadas ao Congresso, principalmente porque é lá que será travada a batalha decisiva!
    Outro fato que devemos ter em mente, é que uma grande parte dos congressitas têm ‘o rabo preso’ com a mídia, além de interesses compartilhados com as famiglias que domiman este segmento!
    Indignar e lamentar, são retóricas que talvez impressionem, mas prefiria ler artigos mais contudentes em defesa da democratização/desentralização/divertificação da mídia, que é um direito e anseio de toda a Nação Brasileira!
    Uma lei democrática de imprensa que não vá discutir conteúdo mas procedimentos que devem ser adotados na elaboração de uma notícia, não é só necessária, mas urgente neste atual momento!

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