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ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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>>PT agita questões da mídia
>>Futuro dos jornais

Por Mauro Malin em 28/08/2006 | comentários

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PT agita questões da mídia


A Folha de S. Paulo informa hoje que um documento preliminar do PT para o programa de governo de Lula faz, a título de democratizar os meios de comunicação, propostas como “criar conselhos populares para participar do processo de renovação e outorga de concessões de rádio e TV” e a “promoção de um programa de incentivos legais e econômicos para o desenvolvimento de jornais e revistas independentes”.


Há também propostas válidas, como o recadastramento das concessões de rádio e TV e a correção de brechas legais que facilitam a formação de oligopólios na radiodifusão. Mas o fato de partirem do PT, que, sob a liderança de seu fundador, aproveitou vícios da mídia, usou verbas públicas para propaganda e lançou idéias autoritárias, leva a prever a repetição de um cenário conhecido: as propostas levantarão uma onda de indignação e se perderá mais uma oportunidade de discutir reais mazelas da comunicação no Brasil.


Futuro dos jornais


Alberto Dines diz que a reportagem de capa da revista The Economist desta semana, sobre o fim dos jornais, não passa daquilo que, em jargão jornalístico, se chama de uma “cascata”.


Dines:


– Ninguém desconhece que o semanário inglês The Economist é um dos melhores do mundo: é bem informado, equilibrado quando o liberalismo não está em questão, tem um texto brilhante e, sobretudo, uma invejável audiência não apenas na Inglaterra, mas também na Europa e nos Estados Unidos. Contudo, a edição da revista que hoje chega às nossas bancas tem na capa uma pergunta despropositada: quem matou o jornal (ou os jornais)? No jargão jornalístico brasileiro a matéria seria classificada como “cascata”, pura armação. Não há nenhum fato novo que justifique a suposição de que os jornais estão condenados a morrer, apenas hipóteses – as de sempre – sopradas por consultores e lobbies ligados à internet. Jornais estão perdendo leitores, é verdade, mas as revistas semanais também estão em queda acentuada, exceto as revistas semanais de qualidade como o próprio Economist. A idéia de que o leitor dos grandes jornais não está interessado na questão do Líbano ou do Hezbollah é uma perigosa lorota. A melhor prova foi a capa da edição anterior da revista, onde o Hezbollah é apresentado como o vencedor do último conflito. Tudo indica que na última semana das férias do verão europeu os coleguinhas ingleses rasparam as gavetas e apelaram para o único assunto dramático. Com isso provaram que quem está matando os jornais sem qualidade também matará as revistas levianas.


Congresso de jornais


Na quinta-feira, em São Paulo, um debate com editores de veículos importantes, mediado por Roberto DaMatta, encerrará o 6° Congresso Brasileiro de Jornais. Será que vão ecoar ou ignorar a The Economist?


Fortunas


A Veja recupera nesta semana fenômenos ligados a supostas ou verdadeiras fortunas acumuladas pelos ex-governadores Luiz Antônio Fleury Filho, de São Paulo, e Newton Cardoso, de Minas Gerais. A falta de apetite dos jornais para esses assuntos é clamorosa. Talvez o livro Políticos do Brasil, de Fernando Rodrigues, jornalista da Folha, ajude a mudar esse panorama.


Kirchner assusta


A correspondente do Globo em Buenos Aires, Janaína Figueiredo diz que houve raro consenso na mídia argentina contra a concentração de poderes obtida pelo presidente Néstor Kirchner.


Janaína:


– Há pouco mais de um mês foi aprovado no Congresso argentino um projeto de lei que aumentou ainda mais o poder em mãos do presidente Néstor Kirchner. Foi chamado de projeto dos superpoderes, porque vai permitir a partir de agora ao governo um controle muito mais direto e intenso do Orçamento do Estado nacional argentino sem ter que passar pelo Congresso. Houve um debate muito intenso e o interessante foi observar como em geral houve um consenso na imprensa em relação a esse projeto, uma crítica ao governo por querer aumentar uma concentração de poder que já é enorme, já é considerada perigosa. E essa crítica veio por parte inclusive de meios de comunicação que são considerados em geral aliados ao governo, como é o caso do jornal Clarín… [Ele] questionou a possibilidade de que isso crie uma hegemonia perigosa.


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