Sexta-feira, 22 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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Programa nº 340

Mauro Malin

>>PT agita questões da mídia
>>Futuro dos jornais

Por Mauro Malin em 28/08/2006 | comentários

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PT agita questões da mídia


A Folha de S. Paulo informa hoje que um documento preliminar do PT para o programa de governo de Lula faz, a título de democratizar os meios de comunicação, propostas como “criar conselhos populares para participar do processo de renovação e outorga de concessões de rádio e TV” e a “promoção de um programa de incentivos legais e econômicos para o desenvolvimento de jornais e revistas independentes”.


Há também propostas válidas, como o recadastramento das concessões de rádio e TV e a correção de brechas legais que facilitam a formação de oligopólios na radiodifusão. Mas o fato de partirem do PT, que, sob a liderança de seu fundador, aproveitou vícios da mídia, usou verbas públicas para propaganda e lançou idéias autoritárias, leva a prever a repetição de um cenário conhecido: as propostas levantarão uma onda de indignação e se perderá mais uma oportunidade de discutir reais mazelas da comunicação no Brasil.


Futuro dos jornais


Alberto Dines diz que a reportagem de capa da revista The Economist desta semana, sobre o fim dos jornais, não passa daquilo que, em jargão jornalístico, se chama de uma “cascata”.


Dines:


– Ninguém desconhece que o semanário inglês The Economist é um dos melhores do mundo: é bem informado, equilibrado quando o liberalismo não está em questão, tem um texto brilhante e, sobretudo, uma invejável audiência não apenas na Inglaterra, mas também na Europa e nos Estados Unidos. Contudo, a edição da revista que hoje chega às nossas bancas tem na capa uma pergunta despropositada: quem matou o jornal (ou os jornais)? No jargão jornalístico brasileiro a matéria seria classificada como “cascata”, pura armação. Não há nenhum fato novo que justifique a suposição de que os jornais estão condenados a morrer, apenas hipóteses – as de sempre – sopradas por consultores e lobbies ligados à internet. Jornais estão perdendo leitores, é verdade, mas as revistas semanais também estão em queda acentuada, exceto as revistas semanais de qualidade como o próprio Economist. A idéia de que o leitor dos grandes jornais não está interessado na questão do Líbano ou do Hezbollah é uma perigosa lorota. A melhor prova foi a capa da edição anterior da revista, onde o Hezbollah é apresentado como o vencedor do último conflito. Tudo indica que na última semana das férias do verão europeu os coleguinhas ingleses rasparam as gavetas e apelaram para o único assunto dramático. Com isso provaram que quem está matando os jornais sem qualidade também matará as revistas levianas.


Congresso de jornais


Na quinta-feira, em São Paulo, um debate com editores de veículos importantes, mediado por Roberto DaMatta, encerrará o 6° Congresso Brasileiro de Jornais. Será que vão ecoar ou ignorar a The Economist?


Fortunas


A Veja recupera nesta semana fenômenos ligados a supostas ou verdadeiras fortunas acumuladas pelos ex-governadores Luiz Antônio Fleury Filho, de São Paulo, e Newton Cardoso, de Minas Gerais. A falta de apetite dos jornais para esses assuntos é clamorosa. Talvez o livro Políticos do Brasil, de Fernando Rodrigues, jornalista da Folha, ajude a mudar esse panorama.


Kirchner assusta


A correspondente do Globo em Buenos Aires, Janaína Figueiredo diz que houve raro consenso na mídia argentina contra a concentração de poderes obtida pelo presidente Néstor Kirchner.


Janaína:


– Há pouco mais de um mês foi aprovado no Congresso argentino um projeto de lei que aumentou ainda mais o poder em mãos do presidente Néstor Kirchner. Foi chamado de projeto dos superpoderes, porque vai permitir a partir de agora ao governo um controle muito mais direto e intenso do Orçamento do Estado nacional argentino sem ter que passar pelo Congresso. Houve um debate muito intenso e o interessante foi observar como em geral houve um consenso na imprensa em relação a esse projeto, uma crítica ao governo por querer aumentar uma concentração de poder que já é enorme, já é considerada perigosa. E essa crítica veio por parte inclusive de meios de comunicação que são considerados em geral aliados ao governo, como é o caso do jornal Clarín… [Ele] questionou a possibilidade de que isso crie uma hegemonia perigosa.


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Todos os comentários

  1. Comentou em 28/08/2006 Samira Moratti

    Em relação às propostas do PT, não sei se irão calhar.. afinal, muita mudança se fala, como acima foi abordado, mas e em relação a Lei de Imprensa, vergonhosa e com o estigma de ter nascido em plena ditadura? Quando que irão mudar essa lei ou, pelo menos, reformular muitos pontos obscuros e negativos, principalmente para os profissionais da área da comunicação? Hoje temos a Internet, mas na Lei de Imprensa nada se diz a respeito desse meio de comunicação, por exemplo. Essa lei é retrógrada e ultrapassada. Se o governo – caso seja eleito – quer mesmo fazer a diferença entre a mídia – para com certeza ganhar aliados nesse ramo – que comece do zero, mudando a atual lei de imprensa. Parabéns pelo artigo!

  2. Comentou em 28/08/2006 José de Souza Castro

    A fortuna de Newton Cardoso foi criada em dois momentos principais: quando ele foi prefeito de Contagem por dois mandatos, nas décadas de 70 e 90, e quando foi governador de Minas entre 1987 e 1990. O atual candidato ao senado pelo PMDB mineiro apoiado por Lula começou a ficar rico quando se elegeu prefeito de Contagem pelo MDB e se tornou nacionalmente conhecido, em 1975, quando tentou fechar a fábrica de cimentos Itaú, para cortar uma das fontes de poluição do município, sendo impedido por Geisel. Em 1977, depois de deixar o cargo, Newton foi nomeado presidente da Cuco, uma empresa urbanizadora municipal criada por ele para vender terrenos industriais. Ele enviou declaração de bens à Câmara Municipal. Tinha 306 hectares de terras. Em 1986, quando se elegeu governador, já era dono de 9.024 hectares. Três anos depois, em junho de 1989, o jornal Estado de Minas, que lhe fazia oposição, publicou uma série de reportagens vencedora do Prêmio Esso regional mostrando a evolução da fortuna do governador. Ele já possuía 25 mil hectares de terras, entre outros bens e empresas. Só as terras eram avaliadas pelo jornal em 30 milhões de dólares. A revista Veja desta semana avalia as fazendas em R$ 17 milhões. Na declaração de bens apresentada ao TRE, o candidato ao senado as avalia em R$ 60 mil. ‘O nebuloso Newtão’ é o título da reportagem. A Veja foi até modesta…

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