Quinta-feira, 14 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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Por Luciano Martins Costa em 09/11/2009 | comentários

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Publicidade informativa

O fim de semana da imprensa trouxe um episódio curioso: o melhor material jornalístico sobre a questão do petróleo publicado recentemente não é produto de jornalismo, mas de publicidade.

O informe publicitário postado na mais recente edição da revista Veja por iniciativa da Petrobras e do Ministério de Minas e Energia oferece aos leitores a mais ampla visão sobre a questão do pré-sal já apresentada ao público pela mídia desde que foi anunciada a descoberta das reservas em grandes profundidades.

São 14 páginas de um texto direto, didático, no qual são respondidas praticamente todas as questões que têm sido levantadas pela imprensa nos últimos meses.
 
Alguém pode observar, com razão, que o informe publicitário é um texto de um lado só, que raramente contempla a controvérsia como um todo.

Mas sabe-se também que as empresas e outras instituições recorrem à comunicação direta com o público quando não conseguem ver seus pontos de vista refletidos no noticiário e nos comentários do material jornalístico.

No caso do pré-sal, assim como em outros temas de grande complexidade técnica ou política, a imprensa anda claramente em débito com os leitores.

Se o objetivo do jornalismo é informar a sociedade, temos então o caso explícito em que o trabalho do jornalista foi realizado pelo publicitário, ou por jornalistas trabalhando em publicidade.
 
O episódio, cada vez mais  comum na imprensa brasileira, serve como exemplo de como a contaminação dos debates por certo viés político – que impede ou constrange a publicação da verdade inteira nos espaços jornalísticos – acaba estimulando a comunicação direta de empresas e outras instituições com a sociedade.

Claro que as empresas de comunicação comemoram o ingresso do dinheiro correspondente aos grandes informes publicitários, como esse de iniciativa da Petrobrás.

Mas no longo prazo, corre-se o risco de que algumas grandes empresas cheguem à conclusão de que é mais conveniente falar diretamente aos seus públicos de interesse, por seus próprios meios.

Com a sofisticação da internet e o crescimento das redes sociais, esse é mais um sinal de alerta para o futuro dos jornais e revistas de papel.
 
Escondendo a notícia

Alberto Dines:

– Para a grande imprensa paulistana, não existe violência urbana nem crime organizado. Estes são “fenômenos” cariocas.  Para os mundaníssimos jornalões da Paulicéia, chacinas, assaltos a condomínios, arrastões, seqüestros, latrocínios, são “baixarias”, coisa que só interessa à “gentinha” e não aos seus qualificados leitores. O novo e audacioso assalto a um carro-forte em Araras, perto de Campinas, ocorrido no fim da tarde da última quinta-feira só foi noticiado pela Folha e pelo Estado no sábado.

Ao longo do dia anterior, os portais de informação da internet fartaram-se de “comer mosca”, embora as rádios ao longo do dia estivessem muito ativas investigando o roubo de quase seis milhões de reais e a primeira “bala-perdida” de que se tem notícia nestas prósperas bandas. As autoridades policiais acreditam que os bandidos fazem parte da mesma quadrilha que, três semanas antes, em Amparo, atacou e roubou outro carro-forte também utilizando uma metralhadora pesada. Mas isto não interessou à mídia digital, a mídia da modernidade.

O mais grave porém aconteceu no dia seguinte, domingo, depois que os jornalões afinal acordaram da letargia: o fato havia sumido, evaporou-se, como se nada tivesse acontecido. Como se a polícia inteira estivesse de folga, como se as redações estivessem trancadas e os jornais fechados para balanço. No sábado, a Folha dedicou três páginas ao assalto, o Estadão usou duas, capas inclusive. A omissão do domingo não ocorreu por falta de espaço: o “Cotidiano” da Folha estendia-se ao longo de três cadernos. Seria incúria, incompetência ou ordens do Departamento Comercial para não macular com sangue os fascinantes anúncios de lançamentos imobiliários?

Qualquer que seja a razão, está ficando claro que o Rio pode ser a capital do crime organizado. Mas S. Paulo é a capital da imprensa desorganizada.


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