Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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>>Quanto melhor, melhor
>>A morte do legista

Por Mauro Malin em 13/10/2005 | comentários

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Quanto melhor, melhor


Alguns possíveis desenlaces no horizonte parecem contrariar a vontade da opinião pública tal como apresentada pela mídia, mas podem ser a melhor solução.


Primeiro, o presidente Lula até aqui não perdeu sua condição de candidato forte à reeleição. Isso frustra muita gente, mas, não havendo envolvimento direto do presidente na ilegalidade, talvez seja a melhor solução. Um governo fraco ou um substituto fraco não ajudariam o país a chegar até 2006.


Segundo, a vitória do grupo ligado a Lula nas eleições internas do PT. Como seria a convivência do governo com um PT dirigido por correntes que fazem oposição frontal à política de respeito aos compromissos assumidos em 2002 na Carta aos Brasileiros, que o vice José Alencar chama de “pacto com o demônio”?


Terceiro, a possível vitória do não no referendo de 23 de outubro. Para quem acha que o referendo é uma proposta fora de lugar, é a melhor solução. Convém lembrar que continuará em pleno vigor o Estatuto do Desarmamento.


Máquina pública avariada


Mas estamos longe de viver no melhor dos mundos. As disfunções na máquina estatal afloram em fatos destacados no noticiário de hoje. Primeiro, a denúncia de que havia uma quadrilha de ladrões dentro da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Segundo, o fracasso do governo no controle da febre aftosa. E, se quisermos recuar dois dias, a incompetência da polícia do Pará para organizar os torcedores nos portões do treino da seleção brasileira em Belém.


A morte do legista


Nesta quinta-feira, 13 de outubro, o Estado de S. Paulo reúne as melhores informações sobre a morte do legista Carlos Delmonte Printes. Ele foi o perito que constatou sinais de tortura no cadáver do então prefeito de Santo André Celso Daniel incompatíveis com crime comum. Seis pessoas envolvidas no caso Celso Daniel foram assassinadas desde janeiro de 2002, mas as informações do Estadão dão conta de que Carlos Delmonte estava deprimido por causa de doença grave de um filho e a morte de outro em acidente de trânsito. Deixou uma carta que sugere suicídio, mas estava com o pulmão e o coração frágeis.


Os jornais de São Paulo, o Correio Braziliense e a Zero Hora, de Porto Alegre, deram a notícia na primeira página, mas com a devida cautela. Há informações seguras de que os esquemas na prefeitura de Santo André eram uma barra pesada, mas precipitações e sensacionalismo não trarão benefício ao esclarecimento do caso. De todo modo, se houve um esquema de propinas, investigá-lo e puni-lo independe da maneira como o prefeito foi morto.


Bússolas precárias


Os instrumentos de compreensão do país estão descalibrados. A maior prova disso são novas previsões de que o crescimento do PIB pode superar 4% neste ano. Ao longo dos meses não faltaram vozes das mais abalizadas para dizer que isso seria impossível. No Globo de hoje, Flávia Oliveira reúne argumentos para detectar a quebra da inércia inflacionária e, portanto, a possibilidade de que seja atingida a meta de inflação seguida pelo Banco Central, 5,1%.


No plano específico, existe aí uma discussão técnica. Num plano mais amplo de reflexão, o que não se está percebendo é quanto o país mudou, apesar da sucessão de notícias sobre mazelas antigas. A manchete do jornal Valor de hoje afirma que o investimento produtivo será o maior em onze anos.


A necessidade de dominar o próprio campo de conhecimento toma quase todo o tempo dos especialistas na universidade e nas empresas. Há poucas pessoas dedicadas a pensar o país como um todo. Quem deve fazer essa síntese é a política, hoje mais ocupada com a quebra da legalidade.


A mídia está no centro do problema mas está também no centro das soluções. Um jornalismo competente, menos maniqueísta, menos superficial, menos sensacionalista, é requisito básico para se entender o que acontece.


Gripe aviária


O assunto é delicado e deve ser tratado com todo o senso de responsabilidade, mas a mídia não pode perder de vista a progressão de uma possível epidemia de gripe aviária. A população precisa ser esclarecida e deve acompanhar passo a passo as providências das autoridades sanitárias do país e do mundo. Até o fim do mês o Ministério da Saúde apresentará seu plano para enfrentar a ameaça.


De dentro das redações


O site da revista The Economist foi reformulado. Oferece agora novidades como gravações de entrevistas com editores, que dão um resumo do que está na edição impressa da revista. Dar voz aos jornalistas que estão nas redações ajuda o leitor a compreender como trabalha a imprensa.


Por dentro das edições


Um evento cultural, mais do que jornalístico, é anunciado hoje na Folha: a digitalização da coleção completa da revista The New Yorker, apresentada como a melhor e mais bem escrita publicação semanal americana. O livro de apresentação e oito DVDs custam cem dólares. A possibilidade de conhecer o conteúdo completo de cada edição permite entender o contexto em que algumas pérolas do jornalismo foram produzidas.

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