Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 1434

>>Quem quer banda larga?
>>Críticos não entendem o “maniqueísmo”

Por Luciano Martins Costa em 03/12/2010 | comentários

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Quem quer banda larga?


Noticiada nesta semana pelo site especializado em mídia AdNews, a sétima edição do levantamento sobre Internet no Brasil, realizado a cada seis meses pelo serviço de pesquisa da agência F/Nazca, traça um perfil dinâmico do internauta brasileiro e aponta para um inexorável êxodo de leitores da mídia tradicional para os novos meios digitais.


Os jornais fazem referências esparsas a outros estudos, e a leitura cruzada dessas fontes indica que este início da segunda década do século 21 deve marcar a consolidação dos novos hábitos de consumo de informação e entretenimento.


O estudo da F/Nazca informa que, na população brasileira com mais de 12 anos de idade, 54% costumam acessar a internet com regularidade, o que forma um mercado de 81,3 milhões de pessoas. Esse também é o grupo que passa mais tempo conectado em cada acesso: uma média de 3 horas por dia.


Também são os que mais frequentemente adicionam conteúdo de sua própria autoria à rede: 54% deles são ativos nesse sentido, sendo que 30% usam sites de relacionamento, principalmente Orkut e MSN.


Esse protagonismo combina com a constatação de que 60% dos internautas brasileiros de todas as idades já substituiram a plataforma tradicional de TV, rádio ou cinema para assistir ou ouvir programas ou filmes


Cerca de 22% da população brasileira já prefere obter notícias através da internet, sendo que 55% destes apontam como fontes prediletas as ferramentas de busca tipo Google. Em seguida, com 51%, vêm as redes sociais, como YouTube, Orkut e Twitter. Portais predominantemente informativos, percebidos como os sites da imprensa tradicional, ocupam só o terceiro lugar, citados por apenas 37% dos que buscam notícias.


Outra informação complementar, publicada pelo Globo nesta sexta-feira, dá conta de que o Brasil vai fechar o ano de 2010 com o dobro de conexões em banda larga em relação ao ano anterior. Serão 40,5 milhões de conexões.


No entanto, segundo a Folha de S.Paulo, embora viva um período de expansão na oferta de banda larga, o Brasil ainda é o 42o. país do mundo na relação custo-benefício entre preço e qualidade da conexão. Paga-se muito por conexão de baixa qualidade.


Faça o raciocínio: quanto mais acesso, mais leitores deixam a mídia tradicional em troca de fontes variadas de notícias.


Quem quer mais banda larga? E quem perde com o plano nacional de universalização da internet?


O Rio contra o crime
Críticos não entendem o “maniqueísmo”


Alberto Dines:


– O antropólogo Luiz Eduardo Soares, um dos nossos maiores especialistas em matéria de segurança, usou três vezes na última semana a expressão “ilusão de maniqueísmo” (e equivalentes) que os neocríticos da mídia repetiram, repetiram, mas não entenderam.


A primeira vez foi num texto postado em seu blog na quinta-feira, dia 25/11, quando ainda estava em curso o assalto à Vila Cruzeiro (comentado neste Observatório). Dias depois no Roda Viva (segunda, 29/11, da TV Cultura) e, finalmente, na entrevista à Folha de S. Paulo, ontem, quinta (pg. C-4, http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0212201009.htm, só para assinantes).


É evidente que ex-secretário nacional de Segurança Pública está provocando a mídia a escapar da bipolaridade da cobertura porque para ele, além dos agentes do Estado e dos criminosos, há outros players – muito mais importantes e mais perigosos – que os noticiaristas não conseguem perceber.


Tanto em Elite da Tropa 2, que serviu de suporte ao filme Tropa de Elite 2, como nestes pronunciamentos da última semana, Soares quer empurrar a imprensa  para assumir uma posição de cobrança no lugar de apenas entusiasmar-se com o inédito sucesso operacional dos últimos dias. Como não faz política, ele não pode cobrar das autoridades uma ação mais abrangente contra a banda podre da polícia, as milícias e principalmente contra o poderoso esquema internacional de lavagem de dinheiro que financia e mantém o comércio de drogas e armas.


Os chefões das favelas cariocas são apenas os intermediários, “pés-de-chinelo”, que mandam matar e que morrem. Os financiadores estão em lugar seguro, em outros estados, principalmente S. Paulo e Paraná, vivendo como nababos.


O jornal Valor Econômico, na primeira página de ontem, oferece uma chave para entender a sutil insistência de Luiz Eduardo Soares na condenação do “maniqueísmo”. Sem entrar em detalhes por óbvias razões, o jornal de economia e negócios revelou a existência do sofisticadíssimo Laboratório de Tecnologia contra a Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) junto à polícia do Rio e apontou a prisão da companheira do traficante Polegar como resultado do trabalho de investigação. Cortina de fumaça: Viviane Sampaio da Silva é fichinha, há poderosos chefões que ainda não apareceram.


E porque ainda não apareceram nem estão atrás das grades? Aqui entra a pregação de Soares contra a corrupção policial. O trabalho do LAB-LD já poderia ter rendido prisões espetaculares. Além da perda de território, os narcoterroristas poderiam a esta altura estar à míngua e o seu negócio destroçado.


O esquema de lavagem de dinheiro que mantém o narcotráfico está incólume. Por que não foi desmantelado? É esta a pergunta-mensagem que Soares quer passar à mídia e ela não consegue entender e muito menos converter em matéria jornalística.


Soares tem informações sobre o assunto, evidentemente.

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