Domingo, 23 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Programa nº 550

Mauro Malin

>>Renan vira “novela”
>>Documentário para refletir

Por Mauro Malin em 25/06/2007 | comentários

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Senado viagiado


Uma série de reportagens sobre impunidade que o Globo publica desde a semana passada poderia servir de inspiração à imprensa na cobertura de escândalos no Senado. O jornal procura fazer uma revisão organizada desse panorama. O paradoxo senatorial é que quantos mais casos surgirem – agora, além de Renan Calheiros, entrou na berlinda Joaquim Roriz –, mais improvável se torna a punição de quem quer que seja. A saída para não deixar isso tudo cair no esquecimento é fazer recapitulações, sem esperar meses e anos para isso.
 
Renan vira “novela”


Alberto Dines critica a banalização do caso Renan Calheiros pelos principais jornais paulistas.


Dines:
 
– Tudo começou como um folhetim  e desde ontem, domingo, está parecendo uma autêntica telenovela. O Escândalo Renan está voltando à estaca zero, a sua importância política está sendo esvaziada não por causa de fofocas televisivas mas graças aos dois seríssimos jornalões paulistas que ontem aproveitaram o clima junino para espairecer. A Folha dedicou parte da sua capa e uma página inteira na parte interna, às confissões amorosas da ex-namorada do Presidente do Senado. “Amei demais”, confessa a nova namoradinha do Brasil, “fiquei muito triste como exploraram a minha intimidade”, acrescentou.  Já o Estadão com um pouco mais de compostura e menos destaque, foi na direção contrária. Preferiu ouvir a “legítima”, isto é, a mulher do senador que, como boa nordestina, não tem papas na língua: “Homem é mesmo muito besta” disse num surpreendente assomo feminista. Quem está preparando o terreno para adiar o Caso Renan para depois do recesso não é o governo nem a tropa de choque do senador alagoano. O Caso Renan caminha rapidamente para a pizzaria graças à irrefreável vocação da nossa mídia para banalizar as crises e converter em piada as nossas tragédias.


Vigário Geral e Parada de Lucas


Mais uma vez confirma-se denúncia feita pelo sociólogo José Cláudio Souza Alves sobre o padrão de conflitos entre o Comando Vermelho e o Terceiro Comando nas favelas de Vigário Geral e Parada de Lucas. Segundo o Extra e o Globo de hoje, a PM assistiu impávida a uma incursão de Vigário Geral e Parada de Lucas na noite de sábado. Só que o Globo, como se sabe, não dá os nomes das quadrilhas. 


Documentário para refletir


O cineasta João Jardim é o autor de Pro Dia Nascer Feliz, importante documentário sobre escolas brasileiras visto por mais de 50 mil pessoas em muitas cidades grandes do país, que nesta semana estréia em Vitória e Goiânia. O DVD de Pro Dia Nascer Feliz será lançado no final de julho. João Jardim fala da faixa específica em que transita o documentário, entre o noticiário algo raso da imprensa e uma reflexão mais aprofundada que atinge setores restritos do público.
 
João Jardim:
 
–  As matérias que eu lia, muitas no jornal, e via na televisão, deixavam muitas perguntas em aberto. E é justamente o que me causou grande curiosidade, entender o que está por trás daqueles números, daquelas denúncias. Infelizmente, no Brasil, a gente não tem o hábito de produzir um tipo de jornalismo reflexivo de consumo mais aberto. Você até tem isso na figura do Jabor, ou na figura desses cronistas assim, mas é sempre uma coisa muito opinativa. Justamente o que me interessou foi produzir uma peça de caráter opinativo – porque é uma coisa autoral; com certeza ali tem a minha opinião –, baseado em fatos reais, é um documentário, com o objetivo reflexivo. É sempre fato, só, é sempre fato, fato. Quando você vai para a questão mais reflexiva, você entra num tipo de produção que não é acessível para o grande público, que é ou o documentário que é muito hermético ou os cadernos de idéias dos jornais.
 
O que é interessante do filme, que foi o que eu quis produzir, é que ele é uma peça de estudo, uma peça de reflexão em si. Então a utilização que ele tem hoje em dia, é uma utilização das pessoas olharem para ele, ali tem tudo aquilo que os jornais denunciam visto de uma outra forma, mais humana, que permite uma crítica: “Ah, não, mas não é assim! Isso aqui não acontece aqui, isso aqui está exagerado”. “Ah, não! Mas faltou mostrar as experiências positivas”, faltou não sei o quê. Então, exatamente esse tipo de crítica ao produto e de reflexão sobre o produto, e dessa longevidade que o produto documentário tem, que de certa maneira falta.


Clique aqui e leia a entrevista completa de João Jardim.


Cinema nacional


Na Folha, reportagem cita posição do produtor de cinema Luiz Carlos Barreto a favor do reforço da distribuição de filmes brasileiros. A matéria trata de pedidos de financiamento feitos ao BNDES para a construção de 95 novas salas multiplex em capitais do país. No Jornal do Brasil, o ator e produtor Marco Ricca diz: “A Globo Filmes é um avanço, mas é monopolista. Tenho filmes que não posso divulgar na TV Globo. È a lei do mercado e sei que estamos acomodados, mas precisamos achar outros caminhos”.

Todos os comentários

  1. Comentou em 27/06/2007 jose paulo badaro

    Não simpatizo com o Sr. Renan desde o tempo em que era líder do Collor, muito menos do tempo em que mereceu do FHC o cargo de Ministro da Justiça mas, até ai, engrossar o coro forçado e chato da Veja e da Globo, no afã de derrubá-lo e assim favorecer o democrata de última hora, Cel. Agripino, ou até mesmo a presidenta do PSOL, me parece demais da conta. O primeiro, porque em disputa legítima perdeu a presidência do Senado para ele mesmo, Renan, e a segunda porque disputa diretamente com ele a política alagoana. Além disso a questão, no meu modo de entender, é relativamente simples: a acusação é no sentido de que o senador estaria na folha de pagamento da Mendes Jr., tanto que um preposto desta faria pagamentos a terceiros em seu (dele, senador) nome. Ocorre que, se, de um lado, até agora não há qualquer prova nesse sentido, de outro o senador provou (e ninguém contestou), que possui mais de 1.000 cabeças de gado. Ora, até onde consta ninguém cria mil de cabeças de gado para fazer churrasquinho para os amigos nos finais de semana (!) mas, obviamente, para comercializar a carne, já que no caso não se está falando de gado leiteiro. Em outras palavras, sem uma prova concreta, cabal e definitiva de que a ‘gestante’ ou qualquer outra criatura foi paga com dinheiro ilícito, ou de que o patrimônio do indigitado teria sido formado com dinheiro espúrio, me recuso a malhar esse judas…

  2. Comentou em 25/06/2007 Tiago de Jesus

    “A Globo Filmes é um avanço, mas é monopolista. Tenho filmes que não posso divulgar na TV Globo. È a lei do mercado e sei que estamos acomodados, mas precisamos achar outros caminhos’…. Não, não é a lei do mercado, é uma prática anti-mercado. Opa, o argumento só cola se a empresa for estatal, eu sempre me esqueço do corolário do liberalismo tapuia.

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