Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Programa nº 127

Mauro Malin

>>Sem golpismo
>>Jornalismo e entretenimento

Por Mauro Malin em 28/10/2005 | comentários

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Sem golpismo


Um dos caminhos desaconselháveis na crise do “mensalão” é uma partidarização extremista dos trabalhos nas CPIs do Congresso e no Conselho de Ética da Câmara. Já existe a percepção – talvez não uma convicção técnica, mas a percepção – de que os tribunais superiores perderam a aura solene de neutralidade e põem sua colher na sopa da política.


É ato belicoso reeditar a tese do impeachment do presidente Lula para retaliar, com base em mais do mesmo, ou seja, financiamento irregular da campanha eleitoral de 2002. Isso já se sabia desde o início. Os dois maioires partidos oposicionistas, PSDB e PFL, haviam descartado o caminho do pedido de impeachment, enquanto o PT fazia agitação com uma “conspiração das elites”. Entendia-se que quase todas as campanhas eleitorais tiveram financiamento irregular. A imprensa deu seu beneplácito a essa disposição cautelosa. Impeachment só pode voltar à agenda se houver fato novo.



O mistério perdura


Uma perícia técnica constatou ser verdade a afirmação de Gilberto Carvalho, assessor do presidente Lula, de que não falou aos irmãos de Celso Daniel sobre entrega de recursos para José Dirceu. A notícia está hoje na Folha de S. Paulo, que solicitou a realização da perícia.


Se o teste tiver validade científica, faltam peças no quebra-cabeças de Santo André.


Jornalismo e entretenimento


O Alberto Dines mostra como um noticiário de televisão pode vestir notícias com a roupa do espetáculo e rebaixar a hierarquia dos assuntos mais relevantes.


Dines:


– Mauro, a temperatura política subiu novamente, o clima em Brasília está outra vez tenso, mas a matéria de abertura do Jornal Nacional de ontem foi a chegada dos cento e poucos turistas brasileiros bloqueados pelo furacão Wilma em Cancún. Está virando rotina: brasileiro no exterior ganha imediatamente status de herói e os seus 15 segundos de fama. Há vários dias sabia-se que todos os turistas estavam todos bem, que uma operadora deveria despachar um avião para trazer os seus clientes de volta e mesmo assim o mais importante noticiário noturno da TV brasileira preferiu iniciar a sua edição com o registro do triunfal regresso dos indômitos viajantes, com direito a derramar copiosas lágrimas em close.


Empolgados com o feito destes patrícios que enfrentaram galhardamente os impiedosos ventos mexicanos de 280 quilômetros por hora, os editores do Jornal Nacional esqueceram de mostrar o que está se passando na nossa Amazônia flagelada pela maior seca dos últimos 60 anos e como se sente o bispo d. Luís Cápio com a notícia de que o governo está disposto a tocar o projeto de transposição do S. Francisco. Não devem ser notícias importantes.


Figurinhas carimbadas


O outro lado é que os mesmos políticos e pessoas notórias aparecem o tempo todo nos noticiários. O jornalista Pablo Uchoa resume de Londres conclusões de uma pesquisa universitária feita em Portugal sobre a mesmice das fontes da mídia.


Uchoa:


– Não é só no Brasil que a cobertura da imprensa passa longe de escutar quem, no fim das contas, paga o salário dos jornalistas: o leitor.


  Uma pesquisa feita na Universidade do Minho, em Portugal, concluiu que as TVs portuguesas atrapalham a renovação da elite política do país.


Segundo a professora Felisbela Lopes, que avaliou os noticiários semanais entre 1993 e 2003, “os donos do plâteau foram sempre as mesmas pessoas a falar da vida de todos nós”. Ou seja: os mesmos políticos, os mesmos economistas, os mesmos intelectuais que parecem estar em toda cobertura, em todos os canais.


Para a professora, uma sociedade civil à margem da cobertura da imprensa não vale como opinião pública. E isso seria um déficit de cidadania.



Lula derrota Chávez


O presidente Lula pode comemorar uma notícia que os jornais não dão nesta sexta-feira, 28 de outubro. Uma pesquisa anual do instituto chileno Latinbarómetro feita em 18 países da América Latina, a pedido da revista The Economist, mostra que Lula é o presidente que tem a melhor avaliação, com nota 5,7. Hugo Chávez ocupa o segundo lugar, com 4,9. A rigor, Lula não será o único a comemorar.


No Brasil, em 1996, 50 por cento dos entrevistados consideravam a democracia preferível a qualquer tipo de governo. Esse número caiu para 37 por cento em 2004. Mas o apoio a um governo autoritário caiu de 24 por cento para 15 por cento.


Como afirma The Economist, vai ser difícil instaurar novas ditaduras, mas a pobreza, a desigualdade e uma herança de práticas autoritárias tiram pontos da democracia.

Todos os comentários

  1. Comentou em 30/10/2005 Jose Alberto Vilela

    É preocupante ver que a mídia só repercute, requenta, reprisa, reforça, repete, aquilo que interessa para denegrir o Governo e o PT. Pois é, a contratação pela FOLHA de uma empresa para avaliar quem mentira na acareação da semana passada do caso Santo André resultou no seguinte: o Sr.Carvalho não mentiu. Pelo contrário, as afirmações dos irmãos do prefeito carecem de verossimilhança. Pergunta: por que a mídia silenciou sobre o fato? Quem soube numa pequena reportagem da própria Folha (nota interna, sem qualquer destaque) soube. Quem não leu atentamente o jornal daquele dia não soube de nada. É assim que a mídia quer formar as cabeças e mentes, com imparcialismo? Estão muito longe disso.

  2. Comentou em 28/10/2005 Igor Heinrish

    Coitados dos tucanos gripados e dos PFListas parasitas, vão morrer do próprio veneno. O FHC, teve a cara de pau de pedir que o Lula desistisse de concorrer a reeleição, o Artur Virgílio pediu para que ele renunciasse, os carrapatos da pátria mãe, desde a ditadura (os PFLs) propõe o impeachemant. Será que eles não percebem que a maior parte da população não quer isso? E só faltava a última, uma tal de CPI do Caixa 2, um blef descarado do PSDB. Tô torcendo para que seja aprovada, só assim vai ficar escancarado para toda a nação brasileira, o financiador das campanhas milionárias do PSDB e PFL, o mago das privatizações, o famigerado Daniel Dantas. Aquele moço que teve como sócia a filha do Prefeito de São Paulo, o José Serra.

  3. Comentou em 28/10/2005 said bazzi

    É lamentável partir de um meio conceituado como o observatorio da imprensa, que teria no meu ingênuo entendimento uma posição sensata e coerente em suas matérias utilizar nesse artigo o termo Xiita como um termo pejorativo atribuido a radicalizações e extremismos, seja ele de ordem partidária, ideológica, política, etc. Aconselho-os a pesquisarem e conhecerem quem sao os Xiitas, sua história, seu passado, seu sofrimento, seu presente e acima de tudo suas idéias. Levem oq os Xiitas sao e pensam dos proprios Xiitas e nao de quem quer e tem interesse em denegrir a sua imagem.

  4. Comentou em 28/10/2005 João Gonçalves

    Quero comentar sobre esta crise politica,o PSDB e o PFL estão na contramão do povo brasileiro sera que eles não leem pesquisas, sera que eles não vão a supermercados, sera que eles não sabem o que é milhares de carteiras profissionais assinadas,sera que eles não sabem o que é superávit da balança comercial,sera que eles não sabem que para se ter um impeachment do presidente tem que partir do povo e não de um golpismo barato de oposição, passaram tanto tempo no governo (1994 a 2002)e não aprenderam nada e por sinal foram péssimos e agora na oposição conseguem ainda serem piores,para esta oposição guanto pior o Brasil melhor. PSDB e PFL tenham mais amor ao Brasil e ao povo brasileiro e não aos seus interesses particulares, a eleição esta ai cuidado porque o povo pode ser muito duro nas urnas com suas irresponsabilidade. Sem mais para o momento VIVA BRASIL!!!

  5. Comentou em 28/10/2005 MILTON MILTON

    Parabéns pela bela material, tenho certeza que este assunto não saira na grande midia que ja demostrou para todos de que lado esta. O bom que veja ao andar pelas ruas é que as pessoas estão percebendo o desejo da grande midia.

  6. Comentou em 28/10/2005 Almir fernandes

    Creio que a visão míope dos fatos que o Observatório da Imprensa faz. É no mínimo tendenciosa, pois remete aos dois maiores partidos de oposição a responsabilidade de um impeachment contra ‘Lula’.Desde o início os mesmos sempre falaram contra este tipo de atitude , mesmo sabendo que pelos mesmos motivos o PT e diversos partidos deram início ao processo de impeachment de ‘Collor’, que culminou com a cassação de seus direitos políticos. Quer maior golpismo do que o ‘PT’, tentar de todas as maneiras desviar as atenções dos escândalos do ‘Mensalão,Correios,Caixa 2, Celso Daniel ‘, e tantos outros como no caso do irmão de Lula que usou de influência para conseguir benesses no governo.Demorou para se pedir o impeachment de Lula visto que muitos que estavam ou estão com o Presidente já disseram que o mesmo sabia do mensalão. O observatório da imprensa esta usando o mesmo discurso petista de que existe golpismo por tráz de tudo isto. Creio que golpismo não . Mas sim vergonha na cara. Então é melhor visualizar os dois lados antes de se fazer qualquer tipo de afirmação, que pode até em alguns momentos ser leviana e tendenciosa.

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