Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

Programa nº 577

>>Todos cansados
>>Volta à cena

Por Luciano Martins Costa em 01/08/2007 | comentários

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Confusão no ar


Finalmente, os grandes jornais brasileiros conseguiram, quinze dias depois da tragédia em Congonhas, oferecer alguma diversidade em suas manchetes.


O Globo dá voz às empresas aéreas, avisando em manchete que elas não podem cumprir as novas rotas determinadas pelo Conselho Nacional de Aviação Civil para desafogar o aeroporto de São Paulo.


Já o Estadão anuncia as obras de emergência em Cumbica chamando-as de ‘operação tapa-buraco’.


A Folha, por sua vez, escolheu hoje como manchete a informação que foi capa de Veja no final de semana. E que havia sido adiantada pelo Estadão há mais de dez dias: ‘Caixa-preta indica erro do piloto’.


Tudo e nada


A rigor, porém a leitura dos três jornais, em vez de oferecer um quadro mais completo dos acontecimentos, lança ainda mais confusão no noticiário.


Ao dedicar a manchete às empresas aéreas, O Globo dá a elas um status que talvez não mereçam, se for considerado seu histórico recente de atos de negligência, irresponsabilidade e descaso com os passageiros apinhados nos aeroportos.


A acusação de que o governo cometeu uma ‘intervenção grave no mercado’ ao tentar reorganizar o setor aéreo é no mínimo discutível.


A conta de duzentos mortos, muitos dos quais ainda não identificados, deveria se suficiente para o entendimento de que o mercado precisa de uma intervenção.

Manchete velha


A reforma da pista principal de Cumbica, prevista desde 2004, não foi realizada exatamente por causa do movimento intenso nos aeroportos de São Paulo. No dia 20 deste mês os jornais já haviam publicado a informação sobre a escolha da Infraero de fazer apenas reparos nos pontos de maior risco. A reforma está prevista para março do ano que vem.

Além disso, as obras parciais, conforme O Globo já havia noticiado ontem, estão em andamento desde 2005.


Portanto, a escolha da manchete do Estado foi provavelmente motivada pela oportunidade de usar a expressão ‘tapa-buraco’.


É mais chamativa do que as opções feitas pelos outros jornais.


Mas não ajuda o leitor a entender os acontecimentos.


Culpa requentada


Já a manchete da Folha, requentando informação supostamente tirada de uma das caixas-pretas do Airbus acidentado, traz uma contradição.


O jornal afirma que a caixa-preta indica erro do piloto.


E logo abaixo, observa, em letras menores, que não é descartada a hipótese de erro do equipamento.


Além do problema semântico, de considerar que máquinas erram, em vez de dizer que o equipamento falhou, a Folha contribui para formar na opinião pública uma convicção sobre a tese do erro humano.


Convém observar que, na mesma notícia, o jornal afirma que os spoilers, aquelas dobras nas asas que funcionam como freios aerodinâmicos, também não funcionaram.


E esse equipamento é acionado automaticamente, sem ação dos pilotos.


Ou seja, notícia velha, edição confusa.


Todos cansados


Os jornais de hoje também chamam atenção para a reação do presidente Lula às vaias que tem recebido em algumas cidades e ao lançamento da campanha ‘Cansei’, feita por um grupo de empresários liderados pela seção paulista da OAB.


A Folha foi o jornal que deu maior destaque à declaração do presidente.

Nenhum dos jornais fez referência ao fato de que a Rede Globo e a Bandeirantes se negaram a veicular anúncios gratuitos do movimento, por considerarem que não representam campanha de utilidade pública e sem fins partidários.


O tema já estava destinado ao arquivo morto, mas o presidente da República, com sua insuperável propensão ao discurso, veste a carapuça e abre oportunidade para o bate-boca.


O Partido dos Trabalhadores resolveu contribuir para reduzir a qualidade do debate político. Em reunião da Comissão Executiva, o partido do presidente acusa a imprensa de ser o instrumetno e estado-maior de uma campanha contra o governo.


Novos capítulos serão inevitáveis nos próximos dias.


Serra se antecipa


O governador José Serra deve ter informações sobre o escândalo na Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de São Paulo.


Ele vai anunciar hoje a reestruturação da companhia, que é cenário de suspeitas de superfaturamento, que envolvem o deputado Mauro Bragato.


A imprensa não deixou o tema esquecido nos últimos dias.


O governador resolveu se antecipar.


Volta à cena


Quem se lembra de Renan Calheiros? O presidente do Senado, que andava escondido sob o noticiário da tragédia e dos Jogos Panamericanos, retorna  ao palco em grande estilo.


A Folha traz notícia na primeira página dando conta que Renan e seu irmão, o deputado Olavo Calheiros, são acusados de grilagem de terras em áreas de proteção ambiental de Alagoas.


A notícia também ganha espaço importante no Globo, o que mostra que a imprensa não esqueceu o senador peemedebista.


O Estado de S. Paulo garante que o presidente do Senado não será poupado por seus pares, se a Polícia Federal comprovar que os documentos apresentados em suas defesa não são legítimos.


Renan precisaria de toda uma Olimpíada para ver as acusações que pesam contra ele varridas para o esquecimento.

Todos os comentários

  1. Comentou em 01/08/2007 Marco Antônio Leite

    O que o mestre do jornalismo escreve neste site ou comenta sobre os outros veículos de comunicação não trás nada de proveitoso do ponto de vista de informação consistente. Caro escriba, em todas às atividades existem um número grande de QI, será que este não seria no seu caso, quem indicou vossa senhoria como escrevedor de assuntos que possam abrir e alimentar às mentes sedentas de saber, ou quem sabe proprietário do democrático site. Abraços deste teimoso intercomentárista. Espero ter o comentário postado neste sagrado espaço!

  2. Comentou em 01/08/2007 Marco Antônio Leite

    Às caixas-pretas podem muito bem trazer meias verdades, do que de fato se passou na área de comando do avião sinistrado. Infelizmente a caixa-branca craniana, a qual protege o cérebro do comandante não poderá ser codificada. O que ocorreu de verdade esta no pó e na fumaça produzidos pelas chamas da aeronave que ardia a mais de mil/graus. Somente um codificador de mensagens psicografadas aéreas poderá descobrir com precisão o que de fato aconteceu com os equipamentos de manuseio do piloto e co-piloto, o resto é pura especulação, para não dizer esculhambação.

  3. Comentou em 01/08/2007 Ivan Moraes

    1-‘obras parciais, conforme O Globo já havia noticiado ontem, estão em andamento desde 2005’: desde 2005 essa ‘reforma’ da pista esta se arrastando? Eu conto outra melhor: o metro de BH tem mais de 20 anos e so construiu um punhadinho de estacoes. Um punhadinho carissimo. (Os precos, se nao me engano, sao baseados no dolar.) 2-o texto esta mail longo, excelente, preciso, claro, sem sombra de duvida, Luciano, mas aonde esta o Malin? Ele vai voltar?

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