Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1006
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Programa nº 743

>>Veja faz reportagem
>>Mais um dossiê

Por Luciano Martins Costa em 24/03/2008 | comentários

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Veja faz reportagem

A grande novidade da semana é que a revista Veja resolveu voltar a se interessar por jornalismo.

Nada muito original, nada muito especial, mas a reportagem sobre a Amazônia representa um esforço que a revista de maior circulação paga da América Latina não vinha fazendo há muito tempo.

A grande qualidade da edição de Veja é a escolha do tema.

O grande defeito é a ilusão arrogante de que pode oferecer um diagnóstico definitivo para a questão.

Talvez a melhor informação da reportagem seja um retângulo vermelho que representa, comparado com duas páginas abertas, o total do desmatamento ocorrido na floresta nas duas últimas décadas.

No mais, o corpo principal do texto é composto por respostas da revista a questões que ela chama de ‘senso comum’. Mas não explica de onde tirou esse tal de senso comum.

A tentativa de partir de suposições básicas para respostas complexas torna o resultado confuso.

A reportagem tem o mérito de reconhecer a importância da preservação da floresta, mas faltou citar e contextualizar as fontes que autorizam certas afirmações.

Não há como fugir da impressão de que os editores da revista estavam cumprindo uma tarefa, ainda que a contragosto.

Certos atos falhos, como dizer que algumas cidades plantadas em meio à floresta ‘são verdadeiros oásis no interior da selva’, revelam o que a revista pensa realmente da questão do uso da Amazônia.

A Editora Abril tem um interessante projeto chamado Planeta Sustentável, que centraliza o tratamento dos temas ligados aos problemas sócio-ambientais.

É desse núcleo editorial que partem as sugestões de pautas sobre meio ambiente, responsabilidade social e sustentabilidade para as publicações do grupo.

Veja parece ter recebido a pauta sobre a Amazônia como uma tarefa penosa em sua cota de assuntos politicamente corretos.

No meio das 22 páginas sobre a floresta, foram plantadas cinco páginas de publicidade do núcleo Planeta Sustentável e seus apoiadores.

Os leitores que conhecem o projeto ficam imaginando se a revista, por sua própria iniciativa, faria uma reportagem como essa a favor da preservação da Amazônia.

A despeito do esforço politicamente correto, Veja não consegue fugir de sua natureza: em toda a reportagem, não há sequer uma citação aos muitos projetos bem-sucedidos de agroecologia integrada sustentável, modelo que disputa espaço com o sistema das grandes propriedades monopolizadas pela agroindústria.

A edição é coroada por um artigo do economista Gustavo Iochpe, duas páginas de preconceito e desinformação sobre a verdadeira dimensão da questão ambiental.

Para o leitor que não alcançou a promessa anunciada pela reportagem, de sair ‘com um conhecimento bem mais objetivo da Amazônia’, o artigo é um manifesto a favor da exploração econômica da floresta.

No final, fica-se com a impressão de que os editores usam a ‘mão do gato’ para dizer no artigo o que não puderam ou não quiseram dizer na reportagem.

Mais um dossiê

Veja aparece com um novo ‘dossiê’, o gênero de jornalismo no qual se especializou nos últimos tempos.

O tom é o mesmo dos casos anteriores, e o processo segue a rotina: a revista publica suas denúncias, políticos fazem a repercussão e ganham notoriedade.

Mas será bom jornalismo?

Alberto Dines:

– Enquanto os estudiosos examinam com atenção o relatório sobre o Estado de Mídia dilvugado na semana passada, a nossa mídia continua oferecendo um espetáculo lamentável, lamentável e perverso. A Veja do último fim de semana acusa o governo de estar preparando um dossiê sobre os gastos da presidência da República no período 1998 a 2001, isto é, no fim do segundo mandato de FHC. Este dossiê, segundo o semanário, visa a intimidar a oposição na CPI dos Cartões Corporativos. Ora, se a revista acusa o governo de estar preparando uma chantagem, por que razão publicou dados sigilosos e aparentemente falsos, conforme declarou a ministra Dilma Roussef? Na corrida sensacionalista, inverteram-se os papéis: ao divulgar os dados, Veja inocenta automaticamente o governo e converte-se, ela própria, em agente e beneficiária da chantagem.

Todos os comentários

  1. Comentou em 28/03/2008 Alexandre Weiss

    É melancólico ver a revista Veja no seu estágio atual, com sua visão sempre preconceituosa limitada a um sensacionalismo calunioso de direita mostra a fraca qualidade de suas reportagens e sua visão limitada, quanto a CPMI está fadada a terminar em uma pizza de calabresa PT/PSDB.

  2. Comentou em 25/03/2008 Ely Constante

    E vem a Veja, mais uma vez, com um dossiê! Alguém acredita? Mas nem os oportunistas, como os Virgílios e os Agripinos, ousariam se beneficiar de mais esta reportagem ‘séria’ deste folhetim desacreditado.

  3. Comentou em 24/03/2008 Carlos N Mendes

    Mudar o nome de ‘Veja’ para ‘Vesga’ ? Achei criativo, sr. Gersier, mas infelizmente os senhores que comandam aquela revista aparentemente prejudicada visualmente enxergam MUITO bem. Eles sentiram a maré mudando quando Luis Nassif apontou os canhões da revista contra ela própria. E já há uma baixa : Paulo Henrique Amorim saiu do ar – coincidências à parte, num momento onde os ânimos andam exaltados na direita paulista.

  4. Comentou em 24/03/2008 Jorge de Paula

    A Veja é uma piada de mau gosto, é duro ter que suportar tantas intrigas e futricas vindo deste esgoto.

  5. Comentou em 24/03/2008 Marcelo Figueiredo

    Thomaz jornalista,

    Continue assim, logo logo você arruma um lugarzinho na Veja (quem sabe até na Globo).

  6. Comentou em 24/03/2008 Edison Filho

    Se o governo de fato utiliza dados para intimidar a oposição, isso significa que existe corrupção no período citado. Ninguém é chantageado com ameaça vazia. Cabe à oposição rechaçar a chantagem e apurar tudo – se não o fizer, é cúmplice e não vítima. A acusação da Veja pesa igualmente sobre governo e oposição, pois insinua que ambos farão acordo para acobertar crimes dos governos FHC e Lula. É uma acusação seríssima, logo cabe à revista investigar e publicar os dados que comprovam os crimes da gestão anterior, pois só assim poderá provar que o atual governo dispunha de meios de chantagear a oposição. Caso a revista não comprove sua acusação, estará praticando calúnia contra todos os políticos que integram a CPI e fazendo cortina de fumaça com o lamentável propósito de justificar o comportamento omisso da atual oposição.

  7. Comentou em 24/03/2008 Max Suel

    Sr. Acquaviva: governo algum gosta de CPI. A CPI é instrumento da minoria, a quem cabe coletar as assinaturas necessárias para abertura de uma CPI. Isto todo mundo sabe. No caso de SP a minoria não conseguiu as assinaturas para abertura de uma CPI estadual. Problema da minoria. No caso Federal, o governo se antecipou à oposição e ele mesmo coletou as assinaturas e propôs a CPI. Bonzinho ? nada disto; procurou evitar uma CPI no Senado onde tem mais dificuldade de manobra. Na CPI mista ora em andamento, que não vai dar em nada, o governo tem ampla maioria. O que deve fazer a minoria nesta CPI ? Cair fora e denunciar a manobra governista.

  8. Comentou em 24/03/2008 Ruy Acquaviva

    É o governo que faz um dossiê preventivo para chantagear a oposição, ou é a oposição que faz uma matéria pseudojornalistica preventiva para chantagear o governo? E por que o PSDB ABAFOU a CPI dos cartões no estado de São Paulo (que gasta através dos cartões 50% mais que o próprio governo federal), ao mesmo tempo que exige uma CPI idêntica em Brasília? O que o Serra está escondendo?

  9. Comentou em 24/03/2008 Thomaz Magalhães

    Veja malvada. Desce o sarrafo na esquerda festiva e de vez em quando bota uma matéria politicamente correta, como essa da ‘nossa’ amazônia, fazendo a imprensa gôche falar mal pelas beiradas, pisando em ovos, arranjando algo criticável. Veio com esta: ‘não há sequer uma citação aos muitos projetos bem-sucedidos de agroecologia integrada sustentável, modelo que disputa espaço com o sistema das grandes propriedades monopolizadas pela agroindústria.’ Viram? Não deu colher de chá para ‘os pobre’, nem para ‘os movimento social’, só para o agronegócio. Grandes propridades… Pelo menos não usou o termo ‘latifúndio’. Parece o Stédile falando. Fico imaginando o pessoal na redação da Veja, de gozação, falando em fazer uma matéria de capa sobre o ar puro das montanhas, só pra ver as críticas que a esquerda desmaiada consegue levantar, pisando em ovos, sempre.

  10. Comentou em 24/03/2008 Hélio Pimentel

    Se as informações são de interesse público, a Veja tem mais é que divulgar.

    É engraçada a preocupação do Dines em inocentar o governo. Se o governo estiver usando a estrutura do poder para chantagear os outros, por que absolvê-lo?

    Dizer que a divulgação das informações é chantagem parece má-fé. Chantagem só existe na ameaça. O que foi publicado não pode ser usado mais para chantagear.

  11. Comentou em 24/03/2008 PAULO MARCOS SANTOS - pm@paulomarcos.com

    Hoje cedo comentei sobre mais esse escândalo da nossa (?) mídia no programa de rádio que apresento na Rádio Nova Estação (www.novaestacao.com).

    Eu concordo com tudo que o programa do observatório apresenta hoje. Costumada com essas ações quando o assunto é delicado e pode comprometer a (?) revista, já que as “acusações” carecem de qualquer tipo de prova, a Veja deu apenas uma singela chamada no topo da capa para a reportagem. A capa foi dedicada ao desmatamento da Amazônia, que a (?) revista menospreza mas resolveu tratar para defender os interesses empresariais que rondam nossa rica floresta.

    Amanhã às 7h irei reproduzir este programa na nossa emissora.

    um abraço

  12. Comentou em 24/03/2008 Gersier Lima

    A Veja deveria mudar seu nome pra Vesga. Denominação corretíssima de como é a sua ótica.

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