Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 1093

>>Guerra suja no Senado
>>Em busca dos jovens

Por Luciano Martins Costa em 04/08/2009 | comentários

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Guerra suja no Senado


O noticiário político desta terça-feira não surpreende quem ouviu rádio, assistiu aos telejornais ou acessou os noticiários online na segunda-feira à noite.


Mas haveremos de convir que a reprodução do bate-boca que se desenrolou no Senado Federal traz um sabor especial ao leitor.


Afinal, aquilo que se esperava pudesse ser o funeral da carreira política de José Sarney acabou se revelando a ressurreição de Fernando Collor e a reedição de histórias de mais de duas décadas atrás, quando Tancredo Neves se lançou candidato à presidência da República.


Por cima de tudo, fica a sensação de que a atual crise no Senado é apenas a nova versão de uma velha guerra suja.


E que em política nada se cria e nada se renova.


Quando o senador Pedro Simon, que sobrevive no PMDB do Rio Grande do Sul, subiu à tribuna, muitos repórteres viram confirmada a pauta de suas redações, que esperavam o discurso que poderia representar o começo do fim para José Sarney.


Depois de um recesso no qual mal conseguiu respirar, tantas as acusações que lhe foram feitas através da imprensa, esperava-se que o presidente do Senado não tivesse mais forças para resistir e que, finalmente, aceitasse as recomendações para deixar o cargo e salvar o mandato.


Mas a tropa de choque entrou em campo e o que se viu foi a guerra aberta.


O episódio surpreende porque, há dias, editoriais e comentários da imprensa vêm afirmando que José Sarney volta do recesso mais fragilizado do que há um mês.


Na véspera, todos os grandes jornais afirmavam que Sarney havia sido convencido a renunciar à presidência do Senado.


Pode ser que a imprensa tenha levado em conta apenas o que publica, e não o que se esconde nos bastidores.


Tampouco parece ter dado crédito à opinião dos advogados contratados por Sarney, que consideram relativamente fácil contestar todas as onze acusações encaminhadas ao Conselho de Ética.


Pelo que foi insinuado na tribuna, o punhado de dossiês com que a tropa de choque do presidente do Senado ameaça seus adversários é outra fonte de boas manchetes.


Se os jornais estiverem interessados, é claro.


As voltas da História


O retorno de Fernando Colllor ao primeiro plano da cena política é outro fato digno de registro.


Ele mesmo fez questão de relembrar que foi personagem central de um grande escândalo e da mais longa e penosa escaramuça pelo poder da República desde o processo de redemocratização.


Caiu, amargou o ostracismo por oito anos, mas não foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal.


As acusações que mobilizaram os jovens na época e produziram as manifestações pelo impeachment não resistiram à prova da corte, e


agora Collor retorna para defender o antigo desafeto, produzindo uma situação inusitada.


Afinal, ele foi inventado pela imprensa para evitar que o sindicalista Lula da Silva chegasse ao poder em 1989.


É fato notório que a candidatura de Fernando Collor à presidência da República, na ocasião, foi alimentada por uma série de reportagens na TV Globo, que o apresentavam como o “caçador de marajás” e o padalino contra a corrupção.


Depois, ele foi sacramentado por uma “consulta” armada pelo jornal O Estado de S.Paulo no viaduto do Chá, na capital paulista, da qual o então governador de Alagoas emergiu ungido em “popularidade”.


Agora que volta ao centro do palco, anunciando sua disposição de revirar os baús para atacar os inimigos de Sarney, Collor pode se tornar uma pedra incômoda nos sapatos de algumas figuras da imprensa que o ajudaram a se eleger há vinte anos.


Não será surpresa se aproveitar a atual crise política para se colocar em condições de disputar novamente a presidência da República.


Quem viver, verá. 


Em busca dos jovens


O Observatório da Imprensa na TV vai mostrar como os jornais e revistas brasileiros estão tentanto falar com o público jovem.


São cada vez mais comuns os cadernos e títulos de papel voltados para a faixa etária dos 13 aos 20 anos, mas esse público demonstra maior preferência pelos meios digitais de comunicação.


O Observatório da Imprensa vai ao ar às 22h40 pela TV-Brasil.


Em São Paulo, pelo canal 4 da NET e 181 da TVA.

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  1. Comentou em 04/08/2009 Adir Tavares

    Só uma coisa a dizer: adeus jornalões!

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