Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 189

Mauro Malin

>>Haja repórter, haja leitor
>>Manipulação de pesquisa

Por Mauro Malin em 24/01/2006 | comentários

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Haja repórter, haja leitor


No ano passado um grande desafio para a mídia foi acompanhar uma avalanche de denúncias de corrupção. Em 2006, o desafio é ainda maior. A temporada de denúncias não terminou e o processo eleitoral já invadiu completamente o noticiário. O federal. Mais adiante virá o estadual. Isso sem falar na renovação do Congresso e das Assembléias Legislativas.


Haja repórter, haja editor. E haja leitor.



Manipulação de pesquisa


O Alberto Dines chama a atenção para a gravidade da manipulação da pesquisa do Ibope feita a pedido da IstoÉ.


Dines:


– A manipulação dos resultados da ultima pesquisa eleitoral do Ibope vai virar pizza. E pizza com alto teor tóxico. A revista IstoÉ alega que apenas obedeceu à orientação do ex-governador Garotinho, que pagou a fatura. O governador tira o corpo fora dizendo que não cabia a ele editar a pesquisa. Este jogo de empurra não deve enganar a ninguém. São igualmente culpados: a IstoÉ, que publicou uma pesquisa incompleta e portanto manipulada, o candidato Garotinho, que determinou a manipulação, e o instituto que realizou a sondagem e aceitou sua divulgação parcial.


Este é um caso exemplar que precisa ser levado às últimas conseqüências. Se a Justiça Eleitoral omitir-se estará abrindo caminho para manipulações mais graves e em momentos mais decisivos. Se as entidades que representam as empresas de mídia não repudiarem este tipo de prevaricação estarão incentivando a sua repetição. E se a sociedade como um todo não souber reagir com firmeza, as pesquisas eleitorais podem ficar mais comprometidas e mais suspeitas do que o valerioduto. Pesquisas suspeitas e mídia sob suspeição podem ser mais perigosas do que o fantasma do Caixa Dois.


E para quem deseja relembrar o que aconteceu nestes últimos seis meses convém rever hoje o Observatório da Imprensa, às dez e meia da noite na TVE e às onze na Rede Cultura.


Dois pesos, duas medidas


O redator-chefe da IstoÉ, Mario Simas Filho, declarou que “hoje, dados sobre o segundo turno são mera especulação”. Mas não eram no ano passado. A revista noticiou todas as simulações de segundo turno feitas em 2005 nas pesquisas CNI/Ibope.


Por pura coincidência, o maior beneficiário da omissão da pesquisa sobre o segundo turno foi o ex-governador Anthony Garotinho. A IstoÉ negou que Garotinho tenha pagado a pesquisa.



A crise vista de Goiás


Como a crise do “mensalão” é vista fora do circuito Brasília-São Paulo-Rio?


Cileide Alves é editora executiva do jornal O Popular, de Goiânia. Ela constata, pelas cartas de leitores, que a população considera brandas a investigação e a punição de envolvidos em escândalos de corrupção.


Cileide:


– As pessoas em geral acreditam que houve um mensalão e que isso é uma prática política generalizada. Que político, em geral, rouba, se beneficia. Não tem santo nessa história.


Achar que punir dez pessoas pune o mensalão é ridículo. Para ter mensalão, o governo precisava de maioria. Cadê os outros? A impressão que se tem, e acho que isso fica muito claro para as pessoas, é que o Congresso está passando mel na boca de todo mundo. Pega dez pessoas, pune, entrega, fala: Esses aqui roubaram, o resto fica quietinho, imexível.


Não existe mensalão com dez pessoas. Ou teve, e aí, sei lá, duzentos deputados recebiam, para dar maioria para o governo, ou não teve mensalão.


E essa idéia de que estão tentando encobrir alguma coisa é que fica. Que o Congresso não investigou, não quebrou sigilo bancário de deputado nenhum. As pessoas estão muito incrédulas. Se elas estivessem satisfeitas – Oh, que maravilha, o Brasil mudou, deputados foram punidos, nós vivemos uma nova era…. Não. As cartas, as manifestações continuam sendo de desconfiança profunda no meio político.



JB persegue


Prossegue a campanha covarde do Jornal do Brasil contra o repórter especial do Estado de S. Paulo Lourival Sant´Anna. Hoje o JB aborda novamente o assassinato da jornalista Sandra Gomide por Antonio Pimenta Neves, que foi chefe de Sant´Anna no Estadão. Lourival Sant´Anna nem estava no Brasil na época do crime.



O futurólogo Gates


No blog Good Morning Silicon Valley, de John Pazcowski, a gozação a Bill Gates, dono da Microsoft. Gates disse: Daqui a dois anos, o problema do spam, a correspondência eletrônica indesejada, será resolvido. Foi num discurso no Fórum Econômico Mundial. Há dois anos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 19/02/2006 Aline Caetano

    Esta de parabéns o Vereador de Goiânia Bruno Peixoto em querer reduzir as férias dos políticos. Se um trabalhador normal tira no ano 30 (trinta) dias de férias, porque que os políticos haveria de tirar 90 dias? Se eles candidataram para algum cargo, para melhoria da população, eles teria no máximo um mês de férias e olhe lá! Se tiram 90 dias de férias e quando tem feriado eles emendam dias de folga, nós estamos pagando pra eles ficarem se coçando ou coçando outros…sei lá?!
    Parabéns aos que apoiam a redução das férias e tomara que seja aprovada!!!

  2. Comentou em 30/01/2006 Vladimir Nunes de Oliveira

    Admito minha fragilidade intelectual e, por isso, recorro aos amigos para que me esclareçam: afinal, em que medida a famosa pesquisa do Ibope favoreceu Garotinho? Que me conste, o ex-governador caiu em relação à pesquisa anterior. Acho, como todos, que essa história da pesquisa está mal contada. O problema é que cada vez vai ficando pior. Nós, leitores menos providos de intelecto, precisamos de uma explicação mais didática. Com a palavra, os senhores da mídia.

  3. Comentou em 27/01/2006 Gilson Raslan

    Parabens, Jaiel Lopes, você foi no âmago da questão. Endosso o seu comentário integralmente.

  4. Comentou em 26/01/2006 Jaiel Lopes

    A questão do mensalão é sempre analisada colocando o Executivo como o responsável pelo mal que compra a consciência dos bons deputados. Essa linha de abordagem do tema é agradável para a mídia que gostaria de inviabilizar o governo Lula, porém, nós que fazemos parte do Zé povinho, os apedeutas, como somos chamados por alguns intelectuais de direita, já que somos também trabalhadores como o nosso presidente, sabemos como o Congresso funciona, como ele se rende e vende a ditadura, como ele se vende aos interesses transformando os dólares em sua maior ideologia. Para que um Congresso assim trabalhe, não há um outro meio senão com mensalão, a não ser que se mudem as regras do jogo, dando ao Executivo condições de governabilidade, já que nosso regime é presidencialista. Aqui está a questão que ninguém quer discutir: a causa.

    Temos uma mídia inteligente, e por que discute o sexo dos anjos? O povo ignorante precisa só de tempo para analisar o discurso e a ação. O trabalho do Congresso na convocação extraordinária e a falta dos parlamentares deixando o Congresso vazio. O zelo religioso do PSDB/PFL e o contrabando correndo solto em São Paulo e as chacinas no Rio de Janeiro. É assim que analisamos esse país e conversamos nas padarias e botecos ‘raspando as cores para o mofo aparecer’ como canta a nossa boa música popular.

  5. Comentou em 25/01/2006 Benjamim Rondinelli Ribeiro

    Deputado já ganha um absurdo para coçar o saco o dia todo. Então, não devia ganhar nada.

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