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ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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>>Impunidades e carteiradas
>>Mídia insegura

Por Mauro Malin em 13/03/2006 | comentários

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Impunidades e carteiradas


Semana cheia no Conselho de Ética. Será votado o firme relatório do deputado Cezar Schirmer que aponta falta de decoro no comportamento do deputado João Paulo Cunha. O fim de semana com revistas e jornais coalhados com novas denúncias. A Veja prossegue na trilha aberta no Paraná. Agora ouviu um cidadão, Tony Garcia, que trabalha nos esquemas de financiamento desde a era Collor. Paulo Okamotto e Antonio Palocci continuam sob tiroteio. A mídia não desistiu de dar sua contribuição à revelação de casos de corrupção.


O Fantástico tomou posição ontem contra impunidades e carteiradas.


Mídia insegura


O Alberto Dines critica o despreparo da mídia para lidar com a questão da segurança pública. Dá o exemplo de editorial da Folha desta segunda-feira, 13 de março.


Dines:


– O editorial da Folha, hoje, sobre a intervenção do Exército nas favelas cariocas atesta a perplexidade e a desorientação da imprensa nesta questão. Ingenuamente, diz o jornalão que é preciso evitar o contágio das Forças Armadas com o crime organizado. Por isso impõe-se a desocupação das favelas. Nada mais disparatado. O contágio existe de qualquer forma, já que a tropa vive no Rio, está sujeita, como qualquer segmento da população a esta porosidade que o jornal pretende evitar. A Folha esqueceu que os principais suspeitos do roubo de armas num quartel no Rio são militares, um sargento e um cabo. A Folha erra também quando pede a criação de uma força especial, mais ágil. Essa força já existe. O que o jornal deveria ter feito é perguntar por que não foi usada desta vez. A imprensa está querendo ser politicamente correta. Mas está se mostrando jornalisticamente despreparada.



Imprensa conhece mal os dois lados


Os jornalistas desconhecem a realidade das áreas dominadas pelo tráfico, das quais ficaram mais distantes nos três anos e meio desde o assassinato do jornalista Tim Lopes, da Rede Globo. E desconhecem igualmente a realidade das Forças Armadas.


Por sinal, no referendo sobre a venda de armas, em outubro do ano passado, a mídia deu um espetáculo de desconhecimento.


Visões mais avançadas da questão da segurança pública desafiam os esquemas mecanizados da cobertura atual. E existem as obrigações elementares. Por exemplo, noticia-se que a tropa saiu do Morro da Providência. Não caberia verificar agora se a polícia vai ou não reprimir o tráfico no local?



TV Digital sem pressa


O proprietário da Gradiente, empresário Eugênio Staub, chama hoje a atenção, em entrevista ao Estado de S. Paulo, para a necessidade de se preservar o poder de barganha do governo na negociação com fornecedores de tecnologia de TV digital. Precipitar a escolha, como se tenta há algumas semanas, reduz a margem de manobra do país.


Procura-se a direita


Em entrevista ao caderno Mais da Folha de S. Paulo de domingo, o professor Luiz Werneck Vianna explica a brincadeira feita na própria Folha há um mês sobre o que o jornal chamou intelectuais de direita: “Os intelectuais de direita que a Folha destacou em matéria recente (15/2) foram todos criados pela mídia. Sem ela, não existiriam como intelectuais, pois não expressam, organicamente, os interesses das classes socialmente dominantes. A verdadeira direita, no Brasil e no mundo, resulta da naturalização do estado de coisas existente, de que se aceite que devemos ser governados pelas variáveis de mercado”.


E, para que não se acuse Werneck de incendiário, leia-se o subtítulo de uma entrevista de Jeffrey Sachs à Exame desta quinzena. Abre aspas: “Economista diz que as forças de mercado não são a solução para a pobreza e outros problemas fundamentais do mundo moderno”, fecha aspas.


A entrevista de Werneck é importante porque resulta de uma análise do processo. Escapa da servidão aos acontecimentos que é o fardo cotidiano da mídia.


O jabá dos livros


As grandes redes de livrarias, informou ontem a Folha de S. Paulo, cobram para dar destaque em suas vitrines.


As modalidades de “jabá de livros” relatadas na reportagem são pontas de gôndolas, cubos com pilhas e vitrines. As práticas não são homogêneas. Em alguns casos, a venda de espaços privilegiados é quantitativa e qualitativamente pequena. Não chega a mudar a natureza da proposta que o livreiro oferece ao freqüentador. Em outras, a comercialização é mais generalizada.


Se o livro é puramente uma mercadoria, como sugere uma fonte da reportagem da Folha, Ivo Camargo, diretor de vendas da Ediouro, é inevitável perguntar por que ganhou do governo federal isenção de ISS e Cofins na importação de papel. Essa diferença não barateia o livro, simplesmente é empregada pelas maiores editoras para engordar suas verbas de marketing.


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Leitor, participe: escreva para noradio@ig.com.br

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