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Terça-feira, 14 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Programa nº 812

>>Inflação e congestionamento
>>Maluf, não

Por Luciano Martins Costa em 30/06/2008 | comentários

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Inflação e congestionamento

Os jornais do final de semana destacaram os soluços da inflação e a nova lei de combate aos acidentes automobilísticos provocados pela ingestão de álcool.

As reportagens publicadas no domingo já mostram mudanças no comportamento da população, por conta do rigor no uso do bafômetro nas principais cidades do País.

Hoje, os dois temas voltam às primeiras páginas, junto com as convenções que definiram novas candidaturas a prefeitos.

De certa forma, são três temas que vão acabar se encontrando no noticiário dos próximos meses, porque as questões do trânsito devem dominar os debates municipais entre os candidatos e porque a ameaça da volta da inflação é o principal ponto de fragilidade na popularidade do grande eleitor deste ano, o presidente Lula da Silva.


A rigor, Lula não tem muito a ver com os problemas que os candidatos a prefeito se habilitam a resolver, mas sua figura deve pesar nas escolhas dos eleitores.

No noticiário sobre o lançamento da candidatura da ex-ministra Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo, os jornais destacam hoje que, embora não tenha comparecido à convenção do PT, Lula estava presente em grandes cartazes e no discurso da candidata.

Não se pode saber quanto vai durar o ímpeto das autoridades contra os motoristas que tomam um gole a mais antes de assumir o volante.

Os jornais, de modo geral, já estão contestando indiretamente o conceito de ‘álcool zero’, ao publicar casos de pessoas apanhadas no bafômetro após tomar doses muito baixas.

Mas, ao mesmo tempo, os fatos insistem em aconselhar muito rigor contra os que abusam. Hoje os jornais trazem pelo menos mais duas notícias de motoristas embriagados que provocaram acidentes com mortes no final de semana.

Em São Paulo e outras cidades, o grande tema da campanha será o eterno congestionamento do tráfego.

A rigor, como no caso dos acidentes causados por motoristas embriagados, não há solução que não passe por mudanças nos hábitos dos cidadãos, e a imprensa não tem como checar a eficácia das propostas  que os candidatos começam a oferecer.

Da mesma forma, não é fácil concluir se o noticiário sobre a inflação contém elementos para uma preocupação real quanto aos riscos de volta do descontrole monetário.

Em tempos eleitorais, como os leitores estão cansados de saber, nem tudo é o que parece.

Maluf, não

A revista Veja-São Paulo encerrou a série de entrevistas com candidatos a prefeito da capital paulista com uma decisão polêmica: não colocou o candidato Paulo Maluf na capa.

E explicou sua decisão em editorial, afirmando que Maluf tem um passado não recomendável.

Alberto Dines:

– Com as convenções de ontem, o cenário para as eleições municipais começa a definir-se. Fica faltando a parte mais difícil: como iniciar o processo de depuração dos candidatos com a ‘ficha suja’.

Enquanto as diversas instâncias da justiça eleitoral não chegam a um acordo sobre os procedimentos para iniciar a limpeza sem ferir o Estado de Direito, cabe à imprensa assumir a sua função fiscalizadora. Para isto é necessária uma dose de coragem, muita investigação e senso de responsabilidade.

A Veja-S.Paulo neste fim de semana deu um exemplo do que a imprensa pode fazer. Como seria a vez de publicar uma entrevista com Paulo Maluf, a direção fez uma opção arrojada: publicou a entrevista e explicou por que Maluf não poderia estar capa – ao contrário dos três candidatos anteriores, Maluf não tem os atributos morais para administrar a cidade.
Recordista de processos, neste momento Maluf  responde a quinze ações populares e dezenove ações civis públicas. Ficou 40 dias preso em 2005 por intimidar testemunhas e na semana passada  a prefeitura de São Paulo anunciou que entrará com uma representação para repatriar os 120 milhões de dólares da sua conta num paraíso fiscal.

Teoricamente, Maluf pode se candidatar, mas com este atestado público de maus antecedentes terá que pensar duas vezes. Este é o papel da imprensa.

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