Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 1230

>>Informação sem limites
>>Otimismo na internet

Por Luciano Martins Costa em 18/02/2010 | comentários

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Informação sem limites


A manchete da Folha de S.Paulo nesta quinta-feira, revelando que boatos vêm inflando artificialmente o valor das ações da Telebrás, merece muita atenção da imprensa e dos responsáveis pelo bom funcionamento do mercado acionário.


Como se sabe, uma Bolsa de Valores moderna e sempre em expansão tem cumprido um papel fundamental na estabilidade e no crescimento da economia brasileira.


A notícia de que vazamentos de informação produziram uma valorização de 35.000% nas ações ordinárias da antiga holding do sistema estatal de telecomunicações, entre 2003 e este ano, pode afetar a credibilidade da Bolsa.


Segundo o jornal paulista, não se trata de manobra como as que eventualmente acompanham grandes negócios de empresas de capital aberto, ao longo dos quais boatos e insinuações podem afetar a avaliação futura das ações.


Na verdade, segundo a Folha, o que houve foi a divulgação sistemática, sem confirmação oficial, de rumores sobre a criação de uma super empresa que seria encarregada de levar a internet em banda larga a 68% dos lares brasileiros até 2014.


Essa empresa teria como berço a Telebrás.


Um dos vazamentos detectados tem origem confirmada: o representante da Associação Software Livre usou o twitter durante uma reunião com o presidente da República e espalhou que a Telebrás seria reativada para conduzir o ambicioso programa de inclusão digital.


As ações imediatamente subiram 33%.


Posteriormente, comentários do ministro das Comunicações, Hélio Costa, e do presidente da Telebrás, Jorge da Motta e Silva, reforçaram a notícia, e o efeito se multiplicou.


O episódio deveria inspirar a imprensa e os responsáveis pelo funcionamento do mercado de ações a atentarem para o efeito imediato e amplo que as novas tecnologias de comunicação, como o sistema de mensagens instantâneas pela internet, podem produzir nas expectativas do mercado.


O noticiário fragmentado sobre negócios pode ser rapidamente associado a declarações de autoridades e indicadores econômicos por meio de programas de busca automática na internet, criando cenários para investidores capazes de provocar o chamado efeito manada e até mesmo de manipular tendências.


Otimismo na internet


Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa:


– Em entrevista publicada segunda-feira no site do jornal espanhol El Mundo, Arianna Huffington pontificou: “O réquiem para os jornais foi prematuro. Muitos jornais souberam se adaptar com mais ou menos êxito ao novo contexto informativo. Creio firmemente que o futuro do jornalismo será híbrido”. Não é por outra razão que alguns dos melhores jornais do mundo – New York Times, El País e Le Monde, por exemplo – desde há muito vivenciam sinergias positivas a partir da integração de suas redações de web com as de papel.


E de onde saiu uma declaração tão peremptória? Veio da dona do Huffington Post, um sítio que começou como blog em 2005, transformou-se em portal e hoje é um sucesso de crítica e de público no jornalismo online americano. Com quase 10 milhões de visitantes únicos por mês, tem na web uma audiência mais parruda que os tradicionais Washington Post e Los Angeles Times, mas perde para o New York Times. De todo modo, assim como o jornalão nova-iorquino, fechou 2009 com lucro – o que é bom sinal para as operações jornalísticas em geral e na web, em particular.


Disse ela: “Em que pesem as más notícias sobre o jornalismo impresso, o certo é que vivemos em uma idade de ouro da informação”. Arianna entendeu o que muitos executivos de empresas de mídia – sobretudo nos jornais impressos – teimam em não admitir: o bom jornalismo também dá dinheiro. E o jornalismo, que necessariamente é um trabalho de equipe, para incrementar a qualidade e fazer a diferença nesse ambiente de Babel informativa, precisa e exige um fluxo sustentável de investimentos. E, óbvio, isso só é possível em operações lucrativas.


No ambiente multimídia da internet, os jornais brasileiros parecem ainda tatear e seus movimentos tímidos pouco avançaram para superar a pura transposição das edições em papel para a web. De outra parte, uma iniciativa inovadora como a do jornal eletrônico Último Segundo, que recém-completou dez anos, simplesmente nega a interatividade com o leitor e fecha sua área de comentários. Isso mostra que ainda há muito chão a percorrer. E que temos muito o que aprender com Arianna Huffington.

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