Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

Programa nº 1432

>>Internet para todos
>>Tribos isoladas

Por Luciano Martins Costa em 01/12/2010 | comentários

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Internet para todos


Os jornais informam nesta quarta-feira que o plano de banda larga do governo vai ser adiado para abril de 2011. Oficialmente, o presidente Lula da Silva deixa para sua sucessora a definição do projeto, que foi anunciado em abril deste ano e recebido pela imprensa como mais um movimento do governo petista no sentido de estatizar a economia.


Deste então, jornais e revistas deram apoio incondicional ao sindicato das operadoras de telecomunicações, que se posicionaram contra a reativação da Telebrás, detentora da rede de fibra ótica da Eletronet, empresa de capital misto que foi à falência.


A Eletronet deixou instalados 16 mil quilômetros de fibra ótica,  numa rede que liga Fortaleza a Porto Alegre, passando por Estados como Maranhão e Pará, municípios do interior do Nordeste e áreas remotas do Centro-Oeste. Segundo estudos técnicos, seria a melhor alternativa, somada a redes de outras empresas, como a Petrobras, para realizar o compromisso de universalizar o acesso à internet em banda larga.


Na disputa entre o governo e as empresas privadas de telecomunicações, a imprensa toma claramente o partido das empresas, mas não faz avançar o debate sobre a necessidade e as consequências de oferecer internet a todos os brasileiros.


Para complicar ainda mais o entendimento da disputa, tramita no Senado Federal projeto que permite às operadoras de telecomunicações ingressar no mercado de TV a cabo.


A iniciativa contraria os interesses das emissoras de televisão, das distribuidoras de canais estrangeiros e de parte das operadoras de TV paga, segundo a Folha de S.Paulo.


Atualmente, a legislação proíbe empresas de telecomunicações de de oferecer TV a cabo nas áreas em que possuem concessões de telefonia fixa.

Além do conflito entre as empresas de setores variados, há uma discordância entre as teles e o governo: as telefônicas querem oferecer pacotes completos com telefone, internet e TV paga através de suas redes de cabo, e o governo prefere estimular a concorrência, para assegurar mais qualidade e preços menores.


A imprensa brasileira apresenta os dois assuntos separadamente, como se o projeto de universalização da internet não tivesse conexão com a disputa que se trava entre as empresas de telecomunicações e as empresas de comunicação.


O Senado apressa a votação que favorece um dos lados, e a sociedade fica à margem das discussões, porque a imprensa não contribui para esclarecer as consequência de uma ou outra decisão. Vai acordar quando chegar a conta.
 
Tribos isoladas


Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa:


– Há uma virtual unanimidade sobre a importância das redes sociais na internet. Depois do sucesso do Orkut entre os internautas brasileiros, a bola da vez é o crescimento impressionante do número de perfis no Facebook e no Twitter. As maravilhas desse movimento têm sido cantadas em prosa e verso tanto entre crianças e adolescentes em busca de entretenimento, como nos mais sisudos ambientes profissionais, que identificam nessas ferramentas oportunidades de incrementar sua atividade e seus negócios.


Há quem tenha dúvidas se tudo não passa de mais um modismo high tech, que deve durar até o aparecimento de uma nova plataforma também revolucionária, ou se essas ferramentas vieram mesmo para ficar. Um pouco de ceticismo, nesse caso, será sempre bem vindo. Para não ir muito longe, basta lembrar o que aconteceu com o Second Life, que fez um baita sucesso ao ser lançado, foi incensado como um instrumento inovador de negócios e de relacionamentos, e hoje é parada obrigatória de relativamente poucos aficionados.


Na semana passada, em artigo publicado na revista Scientific American, o pesquisador Tim Berners-Lee, um dos pais da web, soltou os cachorros contra as redes sociais no geral, e contra a Apple, em particular. Ele argumenta que as redes sociais são uma ameaça ao desenvolvimento da internet porque funcionam em ambientes fechados, operando sob um padrão que, na prática, inviabiliza a indexação das informações e o seu compartilhamento com outros sites. Diz Berners-Lee: “Cada página é um silo, isolada das outras. Essas páginas estão na internet, mas os dados, não.”


Nessa toada, sobrou para a Apple. Ele critica a empresa por estimular a publicação de conteúdos em aplicativos customizados, e não na própria web, num processo que, segundo ele, resulta na criação de “ilhas de informação” isoladas do resto da rede.


É apenas um chororô do criador da world wide web? Pode ser. Mas convém não esquecer a sua autoridade moral e atentar para a defesa que faz dos princípios de neutralidade da rede. No fundo, trata-se de garantir a democracia que está na base do desenvolvimento da internet.

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