Domingo, 17 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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Programa nº 544

Mauro Malin

>>Investigação e denuncismo
>>Porteiras fechadas

Por Mauro Malin em 15/06/2007 | comentários

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Mudar o país ou o povo?
 
O presidente Lula agora generaliza suas críticas aos que denunciam problemas do Brasil. Anteontem foi a mídia, ontem foram “os brasileiros”. Será que o presidente desistiu de mudar para melhor o país e agora sonha em mudar o povo?


Os chefes
 
Lula voltou a denunciar vazamentos praticados por integrantes da Polícia Federal. Ele é, pela posição que ocupa, o cidadão mais bem informado do país. Sabe do que está falando. Mas isso torna sua manifestação ainda menos compreensível. A Polícia Federal é subordinada ao ministro da Justiça, que é subordinado ao presidente da República. Se a Polícia Federal age de forma irregular, os maiores responsáveis por isso são o ministro e o presidente.
 
Investigação e denuncismo
 
Alberto Dines estabelece uma diferença entre jornalismo investigativo e denuncismo.
 
Dines:
 
– Ontem no Jornal Nacional ficou clara a diferença entre jornalismo investigativo e o denuncismo. Enquanto a revista Veja aferra-se há três semanas às acusações da ex-namorada do senador Renan Calheiros e do seu advogado, os repórteres do telejornal preferiram gastar a sola dos seus sapatos para verificar a validade da documentação apresentada pelo senador para comprovar sua renda. Resultado: pela primeira vez neste episódio, o presidente do Senado ficou numa situação muito incômoda, quase embaraçosa.  A generosidade do relator do processo de Renan Calheiros na Comissão de Ética do Senado até poderá livrá-lo da acusação de quebra de decoro, mas ficou muito difícil contestar as contestações da equipe da Globo. Isso ficou patente na própria reportagem de ontem à noite quando o senador recusou-se a gravar uma entrevista e preferiu uma declaração por telefone. No momento em que está novamente na moda acusar a mídia de todos os malefícios e de todas as mazelas, este  minucioso trabalho de investigação desenvolvido pelos repórteres do Jornal Nacional reafirma a importância do jornalismo numa sociedade democrática.


Porteiras fechadas
 
Sem a primeira denúncia a respeito da natureza da ligação de Renan Calheiros com o lobista da Mendes Júnior, feita pela Veja, não teria havido reportagem da Globo em Alagoas. Por sinal, a primeira denúncia a respeito dos negócios pecuários do senador foi feita durante a campanha eleitoral de 2006. Ninguém se interessou.
 
Desde junho de 2005, quando o caso do “Mensalão” tirou da sombra a apropriação privada de recursos públicos em ministérios e estatais, outras reportagens poderiam ter sido feitas. Na montagem do segundo governo Lula, agora, repetiu-se que os partidos queriam “ministérios de porteira fechada” – metáfora que não tem nada a ver com o gado de Renan Calheiros. Por que os repórteres não apuram o que tanto querem os partidos nos ministérios e nas estatais? Nem é preciso ir ao interior de Alagoas.


Anistia mal discutida
 
O caso do ex-capitão Carlos Lamarca torna mais uma vez patente como a anistia dada pelo derradeiro presidente da ditadura militar, João Figueiredo, foi mal discutida nos últimos 28 anos. A anistia foi um poderoso ingrediente da luta pela redemocratização do país naquele momento, mas foi também um perdão genérico para crimes cometidos pelos dois lados em confronto armado.
 
Muitas pessoas que não pegaram em armas foram torturadas e mortas. Essa repressão foi comandada e executada por integrantes das Forças Armadas. Os crimes comuns cometidos por militantes políticos ficaram abrigados sob o manto de propósitos ditos revolucionários.


O Globo e o marechal Floriano
 
O Globo defende hoje em editorial a antecipação da maioridade penal para 16 anos, tratando-se de crimes excepcionalmente graves. Critica o Estatuto da Criança e do Adolescente. O Globo engrossa um coro que acredita, ilusoriamente, que mudar a lei muda a realidade. No início da década de 1890, após a abolição da escravatura, o marechal Floriano Peixoto baixou a maioridade penal para 9 anos de idade. Só em 1927 esse instrumento para perseguir filhos de escravos foi revogado.


Polícia é problema
 
Discute-se em vão a participação das Forças Armadas no combate à criminalidade no Rio. Antes de mais nada é preciso examinar o trabalho da força legalmente encarregada de manter a segurança pública, a Polícia Militar. A PM do Rio de Janeiro é um problema. E a Polícia Civil é outro problema. Não só no Rio. Em São Paulo, ontem, a Polícia Civil fez uma grande operação. Por mera coincidência, logo após a descoberta pela PM, no carro acidentado de um advogado, de envelopes que conteriam propina para delegacias policiais.

Todos os comentários

  1. Comentou em 17/06/2007 douglas puodzius

    Este é um trecho de mareria publicada pela folha on line, cuja a manchete foi ‘Relatório final da PF diz que Vavá teria praticado tráfico de influência’: ‘O relatório final da Operação Xeque-Mate da Polícia Federal, encaminhado à Justiça Federal, atribui SUPOSTOS crimes com penas que variam de três a dez anos de reclusão para o caso do aposentado Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e de sete anos e três meses a 28 anos de prisão para os casos do compadre de Lula, Dario Morelli Filho, e do empresário de jogos Nilton Cezar Servo. …Segundo o relatório, Vavá teria praticado SUPOSTOS tráfico de influência e exploração de prestígio. A Morelli e Servo são atribuídos os SUPOSTOS crimes de corrupção ativa, formação de quadrilha, falsidade ideológica, contrabando ou descaminho, exploração de jogos de azar e sonegação fiscal… concluíram pela existência de cinco ‘organizações criminosas’ de exploração de jogos de azar –baseadas em Mato Grosso do Sul e atuação em vários Estados–, uma das quais SUPOSTAMENTE liderada por Servo, ex-deputado estadual do Paraná…. Segundo a PF, os grampos e papéis apreendidos na casa de Vavá SUGEREM que ele recebia recursos de Servo em troca de SUPOSTA influência no Judiciário e em órgãos do Executivo…’ E, encerrando, na ultima linha:’Nos depoimentos, Vavá, Servo e Morelli negaram ter cometido os crimes pelos’

  2. Comentou em 15/06/2007 marina chaves

    com certeza o que o presidente lula quer agora é mudar o povo, pois ele descobriu que o brasileiro não é mais aquele que não desiste nunca!

  3. Comentou em 15/06/2007 José Paulo Malaquias

    “VERGONHA NACIONAL” É um absurdo a aposentadoria do irmão do Presidente Lula brindado pela lei de anistia, por ter ficado detido 16 (dezesseis) dias na polícia. Como preso político, recebe de indenização a bagatela de R$ 461 mil reais e uma aposentadoria mensal de R$ 3.700,00. Isso é uma vergonha! E para os Ex Cabos da FAB que no período da Ditadura Militar foram presos, espancados e torturados até a morte, onde os que conseguiram sobreviver, os Comandantes expulsaram todos sumariamente como subversivos pela Portaria 1.104/Gm3/1964. Atualmente o Presidente Lula descumpre a Lei 10559/2002 para não anistiar os Ex Militares que ficaram “OITO ANOS” penalizados pela Aeronáutica, e anistia um irmão que ficou apenas “16 DIAS DETIDO” É UMA VERGONHA NACIONAL!!!!!!!

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