Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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>>Investigação e denuncismo
>>Porteiras fechadas

Por Mauro Malin em 15/06/2007 | comentários

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Mudar o país ou o povo?
 
O presidente Lula agora generaliza suas críticas aos que denunciam problemas do Brasil. Anteontem foi a mídia, ontem foram “os brasileiros”. Será que o presidente desistiu de mudar para melhor o país e agora sonha em mudar o povo?


Os chefes
 
Lula voltou a denunciar vazamentos praticados por integrantes da Polícia Federal. Ele é, pela posição que ocupa, o cidadão mais bem informado do país. Sabe do que está falando. Mas isso torna sua manifestação ainda menos compreensível. A Polícia Federal é subordinada ao ministro da Justiça, que é subordinado ao presidente da República. Se a Polícia Federal age de forma irregular, os maiores responsáveis por isso são o ministro e o presidente.
 
Investigação e denuncismo
 
Alberto Dines estabelece uma diferença entre jornalismo investigativo e denuncismo.
 
Dines:
 
– Ontem no Jornal Nacional ficou clara a diferença entre jornalismo investigativo e o denuncismo. Enquanto a revista Veja aferra-se há três semanas às acusações da ex-namorada do senador Renan Calheiros e do seu advogado, os repórteres do telejornal preferiram gastar a sola dos seus sapatos para verificar a validade da documentação apresentada pelo senador para comprovar sua renda. Resultado: pela primeira vez neste episódio, o presidente do Senado ficou numa situação muito incômoda, quase embaraçosa.  A generosidade do relator do processo de Renan Calheiros na Comissão de Ética do Senado até poderá livrá-lo da acusação de quebra de decoro, mas ficou muito difícil contestar as contestações da equipe da Globo. Isso ficou patente na própria reportagem de ontem à noite quando o senador recusou-se a gravar uma entrevista e preferiu uma declaração por telefone. No momento em que está novamente na moda acusar a mídia de todos os malefícios e de todas as mazelas, este  minucioso trabalho de investigação desenvolvido pelos repórteres do Jornal Nacional reafirma a importância do jornalismo numa sociedade democrática.


Porteiras fechadas
 
Sem a primeira denúncia a respeito da natureza da ligação de Renan Calheiros com o lobista da Mendes Júnior, feita pela Veja, não teria havido reportagem da Globo em Alagoas. Por sinal, a primeira denúncia a respeito dos negócios pecuários do senador foi feita durante a campanha eleitoral de 2006. Ninguém se interessou.
 
Desde junho de 2005, quando o caso do “Mensalão” tirou da sombra a apropriação privada de recursos públicos em ministérios e estatais, outras reportagens poderiam ter sido feitas. Na montagem do segundo governo Lula, agora, repetiu-se que os partidos queriam “ministérios de porteira fechada” – metáfora que não tem nada a ver com o gado de Renan Calheiros. Por que os repórteres não apuram o que tanto querem os partidos nos ministérios e nas estatais? Nem é preciso ir ao interior de Alagoas.


Anistia mal discutida
 
O caso do ex-capitão Carlos Lamarca torna mais uma vez patente como a anistia dada pelo derradeiro presidente da ditadura militar, João Figueiredo, foi mal discutida nos últimos 28 anos. A anistia foi um poderoso ingrediente da luta pela redemocratização do país naquele momento, mas foi também um perdão genérico para crimes cometidos pelos dois lados em confronto armado.
 
Muitas pessoas que não pegaram em armas foram torturadas e mortas. Essa repressão foi comandada e executada por integrantes das Forças Armadas. Os crimes comuns cometidos por militantes políticos ficaram abrigados sob o manto de propósitos ditos revolucionários.


O Globo e o marechal Floriano
 
O Globo defende hoje em editorial a antecipação da maioridade penal para 16 anos, tratando-se de crimes excepcionalmente graves. Critica o Estatuto da Criança e do Adolescente. O Globo engrossa um coro que acredita, ilusoriamente, que mudar a lei muda a realidade. No início da década de 1890, após a abolição da escravatura, o marechal Floriano Peixoto baixou a maioridade penal para 9 anos de idade. Só em 1927 esse instrumento para perseguir filhos de escravos foi revogado.


Polícia é problema
 
Discute-se em vão a participação das Forças Armadas no combate à criminalidade no Rio. Antes de mais nada é preciso examinar o trabalho da força legalmente encarregada de manter a segurança pública, a Polícia Militar. A PM do Rio de Janeiro é um problema. E a Polícia Civil é outro problema. Não só no Rio. Em São Paulo, ontem, a Polícia Civil fez uma grande operação. Por mera coincidência, logo após a descoberta pela PM, no carro acidentado de um advogado, de envelopes que conteriam propina para delegacias policiais.

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