Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Programa nº 696

>>Lobos na política
>>Conversa com um mestre do jornalismo

Por Luciano Martins Costa em 16/01/2008 | comentários

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Lobos na política

O noticiário sobre o risco de racionamento de energia produz um efeito colateral: expõe ao noticiário nacional as práticas da família Lobão, que se instalou nos negócios públicos do Maranhão desde os tempos da ditadura militar e viceja sob o manto do senhor da política José Sarney.

Desde que foi indicado para assumir o Ministério das Minas e Energia, na cota que cabe ao PMDB dentro da política de barganhas do governo federal, o senador Édison Lobão se submete, como se diz em Brasília, ao ‘teste do sereno’.

Isso quer dizer que, durante o tempo entre sua indicação e a nomeação efetiva, a imprensa e as autoridades têm a oportunidade de vasculhar sua biografia em busca de qualidades e defeitos.

A julgar pelo que vem sendo publicado nos últimos dias, a família Lobão não passa no teste e a nomeação do chefe do clã para o ministério seria um risco adicional para o governo.

Um dos filhos do senador, Luciano Lobão, é acusado de fraude na documentação de propriedade de uma emissora de rádio e TV.

Os jornais também haviam acusado outro membro da família, Edison Lobão Filho, de ter repassado a propriedade de uma distribuidora de bebidas para uma empregada doméstica, para dissimular uma dívida de 42 milhões de reais.

Hoje, os diários dizem que ele é suspeito de haver chefiado um sistema de fraudes no Maranhão quando seu pai era governador.

Se Édison Lobão for nomeado ministro, sua vaga no Senado deverá ser ocupada por Lobão Filho, seu suplente, que é filiado ao partido Democratas.

Édison Lobão tem hoje uma conversa marcada com o presidente Lula, que poderá confirmar o convite para que ocupe o Ministério das Minas e Energia.

Lula costuma ler jornais.

Ou, pelo menos, é informado por seus assessores.

Depois, não vale dizer que não sabia de nada.

Entrevista: conversa com um mestre do jornalismo

Seguimos hoje entrevistando o jornalista Matias Molina, que acaba de lançar o livro Os melhores Jornais do Mundo

Luciano Martins: – Molina, uma das dificuldades da observação de imprensa é a classificação dos veículos. Que critérios você utilizou para selecionar os veículos que você analisa no seu livro? Reputação, tempo de vida, qualidade editorial? Quanto de subjetividade existe nessa seleção?

Matias Molina: – Está misturado. Você não pode separar uma coisa da outra. Há um critério objetivo, sobre qualidade de texto, sobre o tipo de informação;  ao mesmo tempo, há outro critério que é o de reputação – você não pode que não há uma reputação do jornal, que às vezes foi feita ao longo de um trabalho sério. A minha idéia de fazer este livro foi trazer ao Brasil algumas informações sobre os principais jornais do mundo. Permitir que algumas pessoas que não conheciam, comecem  ter contato, a ter o gosto sobre estes jornais. Essa é a idéia básica do livro – não tem outra intenção senão essa.


Luciano Martins: – A impressão que se tem ao se ler Os Melhores Jornais do Mundo é que os jornais estão sempre em transição. É assim mesmo?

Matias Molina: – Em geral, todo período é de transição. Uma transição sobre a forma e uma transição na qual a forma de fazer o jornal vai afetar muito o conteúdo. Há uma transição do jornalismo de jornal, escrito e impresso em papel, para um jornalismo que poderá ser uma mistura do jornalismo impresso e do jornalismo audiovisual  e de internet.  Eu não acredito que os jornais impressos vão desaparecer, mas acredito que a internet propicia uma incrível condição de você distribuir as informações para um público que antes não teria acesso se o jornal fosse simplesmente impresso. Vou explicar um pouco mais. Há alguns anos, o New York Times fez uma pesquisa e concluiu que talvez uns quarenta ou cinqüenta milhões de pessoas no mundo teriam condições, pela sua formação, pela sua profissão, pela sua formação intelectual, por seus interesses, de ler o New York Times. Só que estas pessoas não poderiam receber o jornal diariamente, de manhã, em sua casa. Alguns estariam na Coréia, outros na China, outros no Afeganistão, outros no Chile, outros nos EUA. A internet permite que todas estas pessoas tenham acesso a este jornal. Esta é a grande vantagem da internet, aliás, uma das grandes vantagens da internet.

LM: A internet então é um risco e uma oportunidade?

Matias Molina: – A grande oportunidade é a oportunidade da difusão. Nunca os jornais do mundo tiveram tanta difusão, tanta leitura, como hoje, se você considerar o jornal impresso e o jornal de internet. O risco está na questão econômica. Por um lado, a internet permite que você distribua o jornal sem os custos fixos que tem , de papel, de impressão, da distribuição, que no New York Times, por exemplo, chega a quase oitocentos milhões de dólares, talvez seja perto de um bilhão por ano. Mas a economia da Internet não permite que os jornais tenham uma receita que substitua a receita da venda de assinaturas, a venda em banca e da publicidade. E a receita pela venda de conteúdo é muito baixa. E a receita de publicidade da itnernet é muito inferior a da receita de publicidade no papel.

Luciano Martins: Esse foi mais um trecho da nossa conversa com o jornalista Matias Molina, autor do livro Os Melhores Jornais do Mundo. Nosso diálogo prossegue amanhã, no mesmo horário, aqui no Observatório da Imprensa.

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  1. Comentou em 16/01/2008 Ivan Moraes

    ‘Se Édison Lobão for nomeado ministro, sua vaga no Senado deverá ser ocupada por Lobão Filho, seu suplente’: eh disso que o Brasil precisa, mais ministro de Troia na chuva.

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