Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Por Luciano Martins Costa em 14/01/2008 | comentários

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Luzes acesas

A sucessão de notícias na semana que marca o começo efetivo do ano novo apresenta um mosaico de velhos problemas.

O Globo informa que cerca de 70% dos homicídios no Rio envolvem o tráfico de drogas.

Hoje, o jornal carioca noticia que um batalhão de 150 traficantes armados passeou pela cidade para invadir favelas do complexo da Maré, em busca de novos domínios.

Os bandidos roubaram pelo menos vinte carros, à luz do dia, para realizar sua operação de guerra e não foram sequer importunados pela polícia.

Isso logo depois que a polícia derrubou uma fortaleza dos traficantes no morro da Mangueira, e as autoridades sairam nos jornais louvando sua própria coragem  e eficiência.

Foi como se alguém pulverizasse inseticida num ninho de baratas e depois ficasse assistindo a mudança dos insetos para outro canto.


Na outra série, os jornais vão aumentando as referências a novos casos de febre amarela, e a cada edição os mapas de incidência da moléstia vão ampliando a mancha que indica as áreas de risco.

O ministro da Saúde sai a público para afirmar que  não há perigo fora das regiões onde a doença é endêmica, os jornais também citam especialistas para tranquilizar a população, mas as filas nos postos de vacinação continuam a crescer.


Numa terceira série, a imprensa abrigou alertas sobre um possível surto inflacionário no rastro das mudanças tributárias que se seguiram à extinção da CPMF.

Além disso, acendeu sinais de preocupação com relação ao risco de um ‘apagão’ no setor energético.

Em seguida, os jornais publicam os indicadores de inflação, que desmentem as previsões.

E ajudam a reduzir as preocupações com a energia, o que desestimula um esforço espontâneo da população pela redução do consumo.


Essas idas e vindas no noticiário denunciam certa falta de credibilidade das autoridades, em todos os escalões.

De fato, a persistência de problemas endêmicos, como a violência nas grandes cidades e os surtos de moléstias consideradas sob controle são razões suficientes para a população desconfiar da eficácia das políticas públicas.

Mas quando os jornais embarcam no vaivém do noticiário sem pausa para reflexões, é a credibilidade da imprensa que vai para o ralo.

O nome do crime

A imprensa chama as favelas de ‘comunidades’, quando se sabe que seus moradores, quase sempte, são vítimas da tirania de traficantes, milícias armadas e policiais corruptos.

Os nomes que a imprensa dá às coisas definem como elas serão vistas pelo público.


Esse é o tema abordado hoje por Alberto Dines:

– Como é que a mídia brasileira doravante designará as FARC – terroristas ou insurgentes? Militantes políticos ou assassinos? A questão foi colocada na agenda mundial na sexta passada, quando o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, deslumbrado com o êxito na libertação de duas reféns sugeriu que os seqüestradores de mais de 700 colombianos sejam legitimados e tratados como membros de um exercito regular. Seqüestro é crime, o uso da violência contra civis é ato terrorista, manter setecentas pessoas inocentes acorrentadas dia e noite é uma violação dos direitos humanos. O horroroso relato das duas reféns libertadas sobre as condições em que viveram na selva durante anos será suficiente para neutralizar a propaganda chavista? Como é que os governos da Bolívia e do Equador, legitimamente eleitos, democráticos, e que também se consideram ‘bolivarianos’ reagirão ao serem igualados aos outros bolivarianos das FARC? Convém lembrar que o  presidente Lula no dia da sua segunda posse, classificou os narcotraficantes do Rio como terroristas. Foi claro, inequívoco. As FARC também são narcotraficantes e, além disso, jogam bombas em instalações civis, assassinam em massa  e seqüestram em massa. O tagarela Chávez  ofereceu uma ótima oportunidade  para que não apenas os jornais, mas também os leitores comecem a prestar mais atenção ao uso de palavras apropriadas.

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