Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Programa nº 217

Mauro Malin

>>Marqueteiro em apuros
>>Debate público sobre raça

Por Mauro Malin em 03/03/2006 | comentários

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Marqueteiro em apuros


Duda Mendonça é o grande personagem da retomada parlamentar investigativa pós-carnavalesca. Em ano eleitoral, não deixa de ser simbólico.


Linha auxiliar


Televisão e rádio veicularam ontem propaganda do Partido Social Cristão ancorada por um cidadão chamado Pastor Sá Freire, garoto-propaganda do ex-governador Anthony Garotinho. A Folha de S. Paulo noticia nesta sexta-feira, 3 de março, que Garotinho pensa em desistir de concorrer à presidência.


Não é o que sinaliza a peça publicitária de ontem. Nenhum veículo de mídia faz reportagens sobre a vida e a obra desses pequenos partidos chamados, em alguns casos, legendas de aluguel. A propaganda de ontem tinha filmetes caros. Quem pagou? O PSC tem recursos para isso?


Al Capones


Uma reportagem discreta publicada hoje no Estadão informa que a Receita Federal já abriu processos contra 95 suspeitos, em decorrência dos trabalhos das CPIs abertas no ano passado para apurar corrupção na política. Nos Estados Unidos, onde Al Capone foi agarrado pelos fiscais de impostos, se diz que só há duas certezas nesta vida: morrer e pagar imposto de renda. Mas a Receita Federal brasileira, historicamente, é menos, digamos, inflexível.


Debate público sobre raça


A ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Promoção de Políticas de Igualdade Racial, saúda o fato de que hoje o debate da questão racial é público, o que não acontecia num passado ainda recente. Ela relata o que ouviu recentemente num encontro, dias atrás, com jornalistas e pessoas formadoras de opinião.


Matilde Ribeiro:


– Achei bastante interessante o comentário de uma delas, que disse o seguinte. Que nós não podemos esperar homogeneidade de posições, e que um grande trunfo deste momento que nós vivemos, é que, diferentemente de outros tempos, de outras décadas, o debate hoje é público. Isso estimula a gente a pensar que temos que ser mais incisivos na ampliação desse debate a partir de uma ótica que é a do fortalecimento das ações afirmativas e das políticas inclusivas do ponto de vista racial. Eu, embora entenda que há muito por fazer, e que as posições contrárias são ainda muito veementes, acho que nós estamos vivendo um momento bom, um momento em que nós estamos podendo agir do ponto de vista da ação de governo, dialogar com a sociedade civil, com todas as contrariedades que isso tem, e demonstrar uma ação propositiva para hoje e para o futuro.


Morte e máfia


É preciso insistir na distinção entre duas coisas que aparecem misturadas no noticiário, provavelmente para benefício de criminosos. O assassinato de Celso Daniel pode ter sido um crime comum, como afirma a polícia paulista. Mas isso não muda o enredo da história de corrupção mafiosa na Prefeitura petista de Santo André.


Deserto paulista


O PSDB tem excesso de nomes, ou de ambições, para disputar a presidência da República. Ou seja, não tem carência nessa esfera. Mas tem um problema sério para resolver na disputa estadual paulista. Essa parte da equação tem sido subestimada na imprensa.


Autoridade por inércia


Com todo o respeito, parte da imprensa dá importância exagerada às análises econômicas e às manifestações políticas da cúpula católica. É a força da inércia.


O vizinho grandão


Qualquer paralelo da Venezuela de Chávez com a Cuba de Fidel precisa levar em conta, para começo de conversa, a geografia. Cuba tem um papel internacional mais relevante do que qualquer outro país com sua extensão territorial – 100 mil quilômetros quadrados – e sua população – 11 milhões de habitantes – porque fica tão perto dos Estados Unidos que pessoas fogem da Ilha para lá boiando em câmaras de ar de pneus de caminhão.


O petróleo da Venezuela liga-a aos Estados Unidos. Mas o grande vizinho territorial do país presidido por Hugo Chávez é o Brasil. Que será visto cada vez mais por seus vizinhos como potência imperialista subcontinental.


Qualquer semelhança entre os dois casos, no futuro, não será mera coincidência.


O céu da cultura


O Guia de espetáculos e programação cultural que sai às sextas-feiras no Estado de S. Paulo traz hoje uma avaliação dos cinemas paulistanos. As salas de exibição, contrariando muitas previsões, melhoraram no mundo e no Brasil.


Uma idéia que ainda não chegou aos cadernos de cultura de São Paulo é fazer uma avaliação das livrarias da cidade. Cada uma tem uma tribo diferente de freqüentadores.


A mais famosa é a Cultura do Conjunto Nacional, que em breve vai ocupar o espaço que era do cinema Astor. A Livraria Cultura tem características tão atraentes que dez anos atrás um de seus freqüentadores habituais disse, numa entrevista: “Quando eu morrer, quero ir para a Livraria Cultura”.


# # #


Leitor, participe: escreva para noradio@ig.com.br.



Todos os comentários

  1. Comentou em 03/03/2006 Ruth Iara anônimo

    Acabo de ler e ouvir estas notícias e adorei encontrar este site. Parabéns! Tudo por aqui me pareceu de alto nível. Tenho blog e indicarei linques sobre notícias que fecham com o meu site. O site já está favoritado e virei seguidamente aqui, pois não me contento só em ver e gosto também de ouvir notícias.

  2. Comentou em 03/03/2006 Jorge Xavier

    Acompanho à distância a cobertura das notícias relacionadas ao assassinato do prefeito Cerlso Daniel. Não tenho informações diretas sobre o inquérito ou a investigação do MP.Algumas coisas, contudo, deixam claro que a cobertura jornalística do assassinato está fortemente contaminada por conteúdo político (ou partidário). Uma coisa é a descoberta da corrupção em Santo André – que parece haver sido bem demonstrada; outra coisa é tentar estabelecer vinculação entre a corrupção e o assassinato.Ora, as pessoas que executaram o delito (que mataram) já confessaram um latrocínio (pena de 20 a 30 anos, com condenção provável a 25 anos de reclusão) e negaram o homicídio por encomenda (pena de 12 a 30 anos, com condenação provável reclusão por 17 anos). Sem falar que no caso de crime encomendado, relacionado a organização criminosa, os assassinos poderiam buscar benefício na delação premiada (coisa que não terão no latrocínio).Só isso já seria suficiente para esvaziar essa discussão que se arrasta há mais de três anos. Além disso, o MP já apresentou à imprensa 12 versões diferentes a respeito da motivação do assassinato ou do modo de execução. Cada versão é adequada a fatos que aparecem ou a ‘testemunhas’ que se oferecem para prestar esclarecimentos. É primário, para qualquer investigador, que não se descobre a verdade quando quem investiga já tem antes uma idéia de ‘quando, como e por que’.

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