Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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>>Mau começo
>>Chinaglia, Aldo e o “mensalão”

Por Mauro Malin em 02/02/2007 | comentários

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O sucessor de Waldomiro


Muitos fatores parlamentares que concorrem para a crise política brasileira estavam reunidos ontem no Congresso. Os jornais destacaram alguns. Volta de Paulo Maluf e Fernando Collor, por exemplo. Ou dos chamados mensaleiros, eleitos ou não. A prioridade dada pelo PSDB a “boquinhas” na Câmara e no Senado. Mas há um que deveria ser destacado. É a queixa de Aldo Rebelo, registrada em alguns jornais, a respeito da presença no plenário do subchefe de Assuntos Parlamentares do Palácio do Planalto, Marcos Lima, encarregado de negociar emendas ao Orçamento. Ele é, nessa tarefa, sucessor do desaparecido mas inesquecível Waldomiro Diniz.


Mau começo


Alberto Dines diz que Chinaglia começa mal ao fazer críticas veladas à imprensa.


Dines:


– O novo presidente da Câmara dos Deputados começou o seu mandato fazendo críticas veladas à imprensa. Portanto começou mal. Arlindo Chinaglia disse ontem no plenário que não aceitará os ataques à instituição e ainda criticou o noticiário dos últimos dias que o colocava como fator de divisão nas forças governistas. Essas opiniões não constituem surpresa: a relação do deputado Chinaglia com os repórteres que cobrem a Câmara não é das melhores, ele até já bateu boca com alguns. Mais preocupante, porém, é a sua posição no tocante aos escândalos da última legislatura: “A página da crise está virada”, disse ele e acrescentou: “quem não tem a haver com a crise não pode ser caracterizado por ela”. Claro, óbvio, evidente: deputados que não se envolveram com o mensalão nada têm a temer e Chinaglia, sem qualquer dúvida, é um desses deputados. Mas na condição de novo presidente de uma Câmara que nos últimos dois anos bateu todos os recordes de falta de compostura e decoro, Chinaglia tem a obrigação de encarar as realidades. Em vez de ignorar os vexames recentes deve empenhar-se ao máximo para evitar que se repitam. Se insistir nesta tecla da “página virada”, o deputado Chinaglia só estará confirmando os temores de que está comprometido em ajudar a anistia dos raros deputados punidos pelo valerioduto. Até que se criem novos padrões de comportamento parlamentar, a página da crise não está virada. Ao contrário, está aberta. E muito quente.


Chinaglia, Aldo e o “mensalão”


Infelizmente não é possível dizer que Arlindo Chinaglia não tem nada a ver com o mensalão. Leio a seguir trecho da célebre entrevista do então deputado Roberto Jefferson – ontem, por sinal, um dos apoiadores de Chinaglia – à jornalista Renata Lo Prete, publicada na Folha de S. Paulo em 6 de junho de 2005: “No princípio deste ano, em duas conversas com o presidente Lula, na presença do ministro Walfrido, do líder Arlindo Chinaglia, do ministro Aldo Rebelo, do ministro José Dirceu, eu disse ao presidente: Presidente, o Delúbio vai botar uma dinamite na sua cadeira. Ele continua dando ´mensalão´ aos deputados´. Que ´mensalão´?, perguntou o presidente. Aí eu expliquei ao presidente”. Ou seja, Chinaglia e Aldo, segundo Jefferson, jamais desmentido pelo presidente Lula, estavam presentes no dia em que foi feita a primeira reclamação quanto ao “mensalão”. Devem ter achado aquilo natural.


Manchetes para alienados


A Folha e o Estadão fizeram hoje – como fazem há muitos anos – concurso para ver quem dava o título mais óbvio. A vitória de Chinaglia foi conhecida ontem ainda durante o Jornal Nacional. Mas eles noticiam para o leitor que chegou de Marte: “Chinaglia vence Aldo por 18 votos”, no Estadão, ou, pior ainda, na Folha, a inacreditável manchete “Chinaglia é o novo presidente da Câmara”. Não diga! Muitos anos atrás, Clementina de Jesus cantava um partido alto que esses dois jornais – e muitos outros, Brasil afora, mas felizmente não todos – desmerecem: “Moro na roça, Iaiá/ Nunca morei na cidade/Compro jornal da manhã/Pra saber das novidades”.


Voz clamando no deserto


A declaração mais interessante durante a posse do novo Congresso foi do deputado de Pernambuco Paulo Rubem Santiago. Ele disse que é um abuso a imunidade parlamentar impedir que processados sejam julgados em primeira instância. E não se referia apenas a casos notórios, como o de Paulo Maluf. Na Rádio CBN, perguntado por uma repórter, especificou que não lhe interessava saber se o processado é ou não de seu partido, o PT.


Orçamento do Pan


Ninguém sabe dizer quanto dinheiro será gasto no esquema de segurança do Pan. Na verdade, ninguém sabe dizer ao certo qual é o orçamento da competição, que já sofreu várias multiplicações.

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