Domingo, 23 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Programa nº 233

Mauro Malin

>>Melhorar a cobertura de política
>>Fontes reveladas

Por Mauro Malin em 27/03/2006 | comentários

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Melhorar a cobertura de política


As revelações do caseiro Francenildo, e a maneira como instituições sob o comando de quadros petistas tentaram transformá-lo de testemunha em réu, fazem desta uma semana que poderá figurar nos registros históricos do governo Lula.


A imprensa, que já enfrenta grandes dificuldades para acompanhar e analisar os fatos, terá de se desdobrar para cobrir, hoje, o depoimento do presidente da Caixa Econômica na Polícia Federal e a decisão do presidente Lula sobre o Ministério da Fazenda.


Para amanhã está prevista a apresentação do relatório da CPI dos Correios.


Para quarta-feira, a votação em plenário da proposta de cassação do mandato do deputado João Paulo Cunha, ex-presidente da casa, por envolvimento no valerioduto.


Parte das desventuras vividas pela República deve-se ao enfraquecimento da cobertura de política. Esse fenômeno, que merece uma discussão específica, foi comprovado na semana retrasada pelo erro monumental cometido pela revista Época na cobertura da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo.


Verbas de Alckmin


O tema das verbas de comunicação do governo Alckmin passa pelo filtro da politização.


Nesta segunda-feira, 27 de março, a Folha repercute amplamente reportagem em que denunciou o uso de verbas de publicidade da Nossa Caixa, banco estatal paulista, para favorecer políticos aliados do governador Geraldo Alckmin. O Globo e o Jornal do Brasil repercutem a denúncia publicada ontem na Folha. O Estado de S. Paulo nem toca no assunto. Pode-se dar ao Estadão o benefício da dúvida. Ou seja: pode-se supor que o jornal não publicou nada sobre o assunto porque não tinha nada a noticiar.


Mas uma dose mínima de percepção política leva a constatar que o Estadão apóia com entusiasmo a candidatura do governador Alckmin. Também não se pode ignorar que, por melhor que seja a qualidade jornalística da denúncia publicada pela Folha, esse jornal não ficou entusiasmado com a vitória de Alckmin no PSDB.


Política e mídia


O envolvimento direto de deputados estaduais com veículos de comunicação, denunciado no caso da Nossa Caixa, mereceria uma reportagem à parte. Aliás, o envolvimento de vereadores, deputados estaduais, deputados federais, senadores, ministros, políticos de todos os escalões.


Caixas econômicas


Essas denúncias sobre caixas econômicas poderiam servir como incentivo para se iniciar uma discussão sobre a real utilidade pública desses bancos estatais.


Fontes reveladas


Alberto Dines mostra que o leitor pode sair ganhando quando as fontes de determinadas reportagens são reveladas.


Dines:


– A matéria de capa da última “Veja” acusa o assessor de Imprensa do ministro Palocci de ter vazado as informações sobre a conta bancária do caseiro Francenildo. A nova versão contraria a anterior de que a fonte do vazamento foi um agente de Polícia Federal. Ambas as versões, no entanto, convergem no essencial: partiu do governo o vazamento para a revista “Época”. A revelação de “Veja” é muito importante porque inaugura um novo comportamento da nossa imprensa ao dispor-se a revelar a identidade das fontes secretas. Naturalmente dos concorrentes. A quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo provocou a quebra do sigilo das fontes. Em última análise isso significa que a imprensa finalmente vai começar a discutir os procedimentos da imprensa. Com cobranças. Quem vai sair ganhando é o leitor.


Ainda nebuloso


O nome de Marcelo Netto, assessor do ministro Palocci, já havia aparecido dias antes no noticiário e em colunas de política diárias dias antes de sair na Veja desta semana. Em geral, a revelação foi atribuída “a fontes das CPIs dos Bingos”. O assunto permanece envolto em névoas. Ninguém, até agora, apurou direito o que aconteceu.


Votos em branco


A Folha de S. Paulo publica hoje os números da votação para procurador-geral do estado. É curioso que o número de votos em branco e nulos tenha superado o número de votos dados aos quatro concorrentes. Mas nem a Folha nem o Estadão oferecem qualquer explicação para a decisão de mais da metade dos 4.800 votantes de não sufragar nenhum dos nomes propostos.


Reflexos entorpecidos


Foi preciso que a deputada Angela Guadagnin dançasse no plenário para que elementos da biografia política dela aparecessem nos jornais. No entanto, ela era prefeita quando foram feitas as primeiras denúncias de maracutaias municipais petistas, e na temporada atual foi a maior batalhadora pela absolvição de mensaleiros.


A imprensa anda mesmo com os reflexos entorpecidos.


O que cai com Palocci


A queda do ministro Antonio Palocci, que colaborou para dar à economia brasileira maior respeitabilidade internacional, ocorre como episódio de republiqueta. Resta avaliar o que cairá, ou não, com ele.


# # #


Leitor, participe: escreva para noradio@ig.com.br.

Todos os comentários

  1. Comentou em 27/03/2006 Luiz Fernando Rodrigues Pinto Junior

    Ouvi às 9h00 desta segunda-feira comentário acerca de que os jornais Folha e Estado noticiaram a eleição do Procurador-Geral do Estado e que o número de votos em branco – e por consequente a não escolha por parte dos eleitores quanto a nenhum dos candidatos – não foi explicada. Pois bem. Em primeiro lugar, é Procurador-Geral de Justiça do Estado (cujo cargo é diferente do Procurador-Geral do Estado – outras informações para explicar estou à disposição do jornalista). Cerca de dois mil Promotores e Procuradores de Justiça votaram. A cédula continha quatro nomes e foi possível votar em até três nomes – para formar a lista tríplice a ser encaminhada ao Governador. Portanto, se um eleitor escolhe votar somente em um nome (em um único candidato), quando da contagem destina-se um voto para aquele candidato e dois votos para o ‘em branco’. Logo o grande número de votos em branco constantes do resultado final não significa rejeição aos candidatos e sim que grande parte dos membros do Ministério Público optou por votar em apenas um ou dois deles, obrigando a comissão apuradora a computar como ‘branco’ a diferença na cédula que não alcança o terceiro voto.Espero ter esclarecido a dúvida lançada no ar,e que colocou (lamentavelmente de forma subliminar) sob suspeita a legitimidade da eleição. Lembre-se do seleto público ouvinte sintonizado logo após o programa do Salomão Schwartzman.

  2. Comentou em 27/03/2006 Odracir Silva

    Mais do q nunca deve-se investigar o governo do sr. Alckimin. Mais do q isso, devemos ficar perguntando qual seraa os planos em um futuro governo se o governador for eleito presidente. Nao devemos dar uma cheque em branco como nas ultimas eleicoes. O gov. Lula foi uma tragedia, porem grande parte da culpa foi a dos eleitores q nao promoveram um grande debate entre os candidatos. Acreditaram no Lula paz & amor (o marqueteiro infrator nos vendeu o produto) e agora haa uma boa parte do eleitorado petista arrependida. Se os eleitores ouvissem as reclamacoes do Malan, por exemplo, talvez varios dos eleitores do sr. Lula nao estariam pensando q foi um estelionato eleitoral. Devemos cobrar dos candidatos, e nao devamos ter ‘pena’ deles. Eles sao homens publicos e devem ser esmiucados.

  3. Comentou em 27/03/2006 jorge xavier

    esse é o último comentário que envio ao OI. Quando comecei a acompamnhar esse espaço (o do OI, em geral) o fiz porque vislumbrava um canal que me ajudasse a saciar a curiosidade que timha sobre como são produzidas as notícias – nunca me conformei em apenas ler o que era publicado. Ocorre que, a partir da cobertura do epísódio da violação do sigilo bancário do Nildo, ficou bem claro que o OI não é veículo adequado para estabelecer qualquer topo de análise isenta do comportamento da mídia. O Alberto Dines, imagino, é o coordenador (ou algo assim) do espaço OI. Com o programa 373 (‘PF queria…’) o sr.AD mostrou-se tão desqualificado quanto os jornalistas e os diogos da vida que costuma criticar. Como pode alguém escrever um ensaio tão agressivo quanto aquele e, após descobrir-se equivocado, ficar mudo – ou dizer o que disse acima. AD é só mais um jornalista arrogante e presunçoso. Tão presunçoso que imagina poder criticar os colegas que habitam as outras redações. Se não é capaz de admitir os próprios erros, como imagina poder criticar os outros jornalistas. Fica bastante difícil descobrir quem tem razão nessa crise toda, já que a imprensa não é nada confiável e, descobri agora, não tem ninguém a discutir com suficiente seriedade e isenção os abusos que os jornalistas estão a cometer. É uma pena. Melhor juntar-me aos desinformados e voltar a ler jornal como lia antes de ler o OI.

  4. Comentou em 27/03/2006 Célio Mendes

    Era uma vez um homem que ao chegar mais cedo em sua casa encontrou sua esposa traindo-o no sofá da sala, a partir deste dia ele começou a se perguntar qual a utilidade do maldito sofá.

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