Sexta-feira, 22 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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Programa nº 232

Mauro Malin

>>Mídia deixou brechas
>>Ministro tem pressa

Por Mauro Malin em 24/03/2006 | comentários

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Mídia deixou brechas


A mídia reage duramente à transformação do caseiro Francenildo de testemunha em investigado. Reage também à dança com que a deputada Ângela Guadagnin celebrou a absolvição de mais um petista mensaleiro. Guadagnin foi prefeita de São José dos Campos quando surgiram as primeiras denúncias de irregularidades financeiras em benefício do PT.


Essas reações da mídia são necessárias, mas um tanto tardias. Ao longo de 2005 e nos primeiros meses deste ano, repórteres e editores defenderam o trabalho da imprensa na crise de corrupção. Diziam que não havia como acompanhar melhor certos fatos que foram sendo deixados para trás porque os acontecimentos se sucediam numa velocidade inédita. Mas o desafio era justamente noticiar todos os fatos novos sem perder de vista o relevo, a importância, a gravidade, as implicações. Diga-se a favor da imprensa que o circo das CPIs foi um desestímulo e que seria hipócrita tratar como santinhos oposicionistas que agora aparecem de dedo em riste.


Coisa de gângster


No contexto da indignação, a Folha de S. Paulo cita hoje na primeira página frase do presidente da OAB, Roberto Busato. Busato diz que o modo como foi tratado o caseiro “é coisa de gângster”. O mesmo se pode dizer da imagem projetada pela disputa a tapas e bofetões entre deputados do PMDB para registrar listas de apoio ao novo líder do partido na Câmara.


Dirceu e Palocci em sentidos opostos


Enquanto José Dirceu recorre ao Supremo Tribunal Federal para tentar recuperar seu mandato, o PSDB pede o impeachment do ministro Antonio Palocci e os jornais se aventuram pela enésima vez no escorregadio território das previsões sobre a saída do ministro. A lista de possíveis substitutos agora já inclui os ministros Paulo Bernardo e Luiz Fernando Furlan, o ex-ministro Guido Mantega, hoje presidente do BNDES, o senador Aloizio Mercadante e o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Murilo Portugal. Prato feito para especulações.


A agenda de Mary Jeanne


Perguntar não ofende: o que foi feito da agenda entregue pela promotora de eventos Mary Jeanne Corner à Polícia Federal, em São Paulo, no ano passado?


Banco suíço


Só a Folha de S. Paulo dá hoje na primeira página chamada para a notícia da prisão, pela Polícia Federal, de um executivo do banco Credit Suisse, sob suspeita de remessa ilegal de dólares e lavagem de dinheiro. Os outros jornais tratam o assunto com discrição.



Publicidade versus jornalismo


A moda maluca dos anúncios publicitários feitos sobre texto apagado de reportagens voltou hoje no Estadão, página 15 do primeiro caderno. É surpreendente que os editores não se manifestem sobre essa agressão simbólica ao trabalho jornalístico. Duas semanas atrás, foi o Globo que circulou com mais essa criação genial de publicitários desavisados.


Cuecas de Fidel


Faz sucesso em Miami, com revelações de cocheira, um antigo auxiliar de Fidel Castro, Delfín Fernández, noticia hoje o Miami Herald. Fernández diz que Fidel Castro não manda lavar cuecas usadas, manda queimá-las, por medo de que ponham algum produto químico mortífero na roupa lavada. O cubano, que agora tem uma empresa de segurança privada, aumenta a audiência de canais locais de televisão sempre que é convidado a falar em talk shows.


Ministro tem pressa


O ministro das Comunicações, Hélio Costa, persiste no esforço para apressar uma decisão sobre TV digital. Costa deve estar mesmo convencido de que o que parece melhor para as grandes redes de televisão é o melhor para o país, o que nem sempre acontece, para dizer o mínimo. No governo existe um esforço continuado para negociar, seja com japoneses, seja com europeus, uma solução vantajosa.


Presos fazem campanha


Erra quem supõe que criminoso não tem sensibilidade política. A onda de rebeliões em presídios paulistas, agora já com um desfecho sangrento em Jundiaí, foi desencadeada imediatamente após o lançamento da candidatura do governador Geraldo Alckmin à presidência da República.


Política de segurança e situação carcerária são pontos fracos dos governos do PSDB em São Paulo. Como o são em praticamente todos os estados e no plano federal. E não podem ser ignoradas as gravíssimas falhas do sistema judiciário. Mas Alckmin pagará na campanha pelas repetidas rebeliões em unidades da Febem e em prisões.


# # #


Leitor, participe: escreva para noradio@ig.com.br.

Todos os comentários

  1. Comentou em 31/03/2006 Marco Antônio Leite da Costa Leite

    Segundo entendidos, a dança é uma manifestação que se realiza na cadência de saltos ordinários ao som e compasso de uma música. Os ritmicos são variados, existe o tango, bolero, samba, pagode, rock, entre outros. Quando jovem aprendi que expressar minha felicidade pôr intermédio do bailado, se fazia necessário frequentar local adequado para esse prazer, ou seja, escola de dança, salão de baile, ou então na própria residência onde os amigos se reuniam. No entanto, parece que esses ambientes saíram de moda, num passado recente pudemos assistir uma cena bizarra num local considerado o templo da feitura de Leis. Durante a votação em plenário de cassação de um deputado do Partido dos Tratantes, supostamente envolvido na venda da alma ao lúcifer, uma senhora de meia idade, com silhuetas arredondadas, pôr puro êxtase, executou um ritmo novo para delírio do grande público. Não se afastando do tema principal, retornando um pouco no tempo, o povo Chinês inventou a massa, o Italiano a pizza, o Brasileiro para não ficar pôr baixo, através da senhora Angela Guadagnin inventou a dança do rodízio de pizza a moda da impunidade. Após esse espetáculo deprimente, chego a triste conclusão de que, quem dançou sem música foi o povo. Portanto, vamos cassa-lá nas próximas eleições. Marco

  2. Comentou em 29/03/2006 VERA FERREIRA SILVA

    A grande Imprensa não sabe o deserviço que causa à nação e também não se importa. Como dizem tucanos e peefelistas, o que importa é vencer a eleição e alcançar o poder. Para isto, vale tudo, mentir, acusar sem provas palpáveis, vender a mãe e o pai, vale tudo pela disputa de poder. E a nossa ‘respeitável Imprensa já tomou posição na Trinchira do Sr. Geraldo Juscelino, que médico, tem isso em comum com o ex-presidente, diferente de LULA, que não estudou, não é ‘DOUTOR, ainda que seja de ‘Anelão no dedo’, e que a ‘midia’ diz nas entrelinhas a cada segundo, não serve para Presidente do Brasil. Preconceito é crime… mas no Brasil……

  3. Comentou em 26/03/2006 Marco Antônio Leite da Costa

    A Deputada Federal Angela Guadagnin, representante do Partido dos Trairas, mostrou a nação como se trabalha em prol do corporativismo. Durante o andamento dos trabalhos da CPI sempre protelou o seguimento natural dos processos que envolvia seus pares, única e exclusivamente para ganhar tempo e, provocar outras defesas. Com essa atitude, conseguiu livrar vários colegas de provas mais contundentes. Dessa forma, através do acordão dois pares da medíocre deputada foram absolvidos. Foi daí que nasceu a dança da pizza.

  4. Comentou em 24/03/2006 Jose de Almeida Bispo

    O artigo publicado aqui no OI, quando o OI ainda era OI e não MST (Mídia a Serviço de Tucanos), por Luciano Martins Costa, intitulado ‘A inexorável desconstrução de Lula’, em 26 de julho de 2005, bem como a matéria da IstoÉ 1.072, de 04/04/1990, intitulada Ministro pesado (pp. 16-22) mostram muito bem o que é ‘mexer com quem manda’ no Brasil. No primeiro caso, o próprio parágrafo: ‘A reação extremada da Fiesp após a detenção dos empresários Eliana Maria Piva de Albuquerque Tranchesi e Antonio Carlos Piva de Albuquerque – desproporcional, sob todos os aspectos, à relevância do fato – é a linha d´água sutil, mas muito significativa, que define o afastamento do poderoso capital paulista do governo, até então tolerado, sob a chefia do ex-metalúrgico do ABC.’ Já no segundo caso, o objeto de protesto era a aplicação da Lei no cumprimento das normas baixadas pelo programa econômico de Collor na tentativa de consertar a baderna na economia. Mediante denúncia de maquiagem de notas fiscais por parte da empresa administradora da Folha de São Paulo a PF invadiu e apreendeu as ditas notas. Foi o absurdo dos absurdos. Bater em camelô no meio da rua, pode e deve; autuar empresas de bacanas, nem pensar. Francenildo é só uma peça. Vem muito mais por aí.

  5. Comentou em 24/03/2006 armando duarte

    A deputada federal Angela Guadagnin (PT-SP) foi constituida advogada de João Magno (PT-MG)no seu processo de cassação. Sua brilhante defesa no Conselho de Ética foi feita num parecer de 65 paginas em apenas 5 dias úteis. O resultado final foi de 8 votos pela cassação e 6 votos pela absolvição.

  6. Comentou em 24/03/2006 Iorgeon Haenkel

    Só faço três perguntas a vc Mauro Malin. Qual foi a motivação do Francenildo para ir depor na CPI do Fim do Mundo? Será que ele entrou nessa esparrela totalmente inocente? VC, experiente jornalista que é, não acha estranho que três dias antes do depoimento altas somas de dinheiro vivo tenham sido depositados na conta do Francenildo? Creio que vc está invertendo as coisas. Sua indignação deveria ser lançada àqueles deputados que se utilizaram do Francenildo para atingir o Governo. Estes inecrupulosos deputados estão fazendo o Francenildo de marionete, brincando de DEUS com um cidadão comum. VC deveria levar em conta alguns fatos, que a imprensa dos Jornalões de São Paulo e TVs insistem em omitir. O patrão do caseiro é filiado ao PSDB, o Francenildo se encontrou com os deputados Antero Paes de Barros e Heráclito Fortes várias vezes, nas dependências da Câmara, antes deste ir depor na CPI, o que já caracteriza quebra de decoro e tráfico de influência. Um destes deputados foi acusado por um Juiz de receber dinheiro do crime organizado através do Mafioso Comendador. Mas, como já publicado aqui no OI, jornais como o ESTADÃO e FOLHA de São Paulo já escolheram o seu candidato, Geraldo Alkimin. O olhar sobre estes fatos está sendo seletivo, possui endereço certo. Quanto ao vazamento, deveria ter sido processada tanto o autor quanto à Época, que revelou dados conseguidos de forma ilícita

  7. Comentou em 24/03/2006 Joelson Marques

    A oposição insiste em desestabilizar governo Lula. O líder do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana (RS) classificou a representação encaminhada, pelo PSDB à Mesa Diretora da Câmara como a “última cartada” da oposição na tentativa de desestabilizar o governo Lula. “Este é mais um movimento do PSDB e do PFL com intuito exclusivo de desestabilização do governo do presidente Lula, porque não tem base em fatos”, disse. “Ele (Goldman) está pedindo licença para processar o Palocci. Mas, qual é o crime? Não há nenhum ato irregular cometido pelo ministro Palocci”, ressaltou o líder. O que a oposição faz, “de forma irresponsável”, é uma tentativa permanente de gerar um clima de intranquilidade e de instabilidade no país. “O PSDB e o PFL se baseiam em denúncias vazias e, ou, factóides como esse desta representação, para tentar conseguir ganho político. Mas essa, com certeza, não é a melhor forma de se fazer a disputa democrática”.

  8. Comentou em 24/03/2006 Jorge Xavier

    Mauro, concordo com sua análise de que os detentos paulistas fizeram uma movimentação revestida de caráter político, eis que não foi coincidência a eclosão da sequencia de motins justamente na semana em que a campanha a presidente do Governador foi lançada. Por outro lado, observo que a mídia abafou o caso, eis que os principais jornais do País divulgaram sem destaque ou análise a sequencia de rebeliões (e mesmo as 7 mortes). Há alguns anos houve uma briga entre detentos num dos presídios do DF; 11 presos morreram asfixiados (após incêndio); a notícia correu o mundo, sendo o principal destaque nas análises da mídia por 10 dias. Juntando a sua constatação da movimentação política dos presos com a fraca cobertura dos órgãoes de imprensa, fica a sensação que a mídia optou por escamotear os fatos e as análises para não arranhar a figura de super-administrador do Governador de São Paulo. Nem a habitual choradeira das ONGs dedicadas a direitos humanos foi repercutida. Em Minas Gerais a situação é caótica. O Juiz que ousou denunciar isso foi afastado, o Governador Aécio preservado pela mídia, que pinta uma MG cor-de-srosa . Tais fatos são demonstrações de como os principáis veículos de comunicação já fizeram sua opção eleitoral. Essa parcialidade vai trazer reflexos negativos à credibilidade da imprensa brasileira (credibilidade que não anda lá muito bem das pernas). Perdemos todos.

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