Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

Programa nº 1368

>>Mudanças no clima da imprensa
>>Los hermanos em guerra

Por Luciano Martins Costa em 01/09/2010 | comentários

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Mudanças no clima da imprensa


Os leitores de jornais devem estar achando que a imprensa brasileira se converteu definitivamente ao ambientalismo.


O Estado de S.Paulo, na série dedicada aos desafios do futuro presidente da República, traz um caderno especial de doze páginas sobre o valor do patrimônio ambiental, no qual defende a preservação das florestas e do cerrado.


Trabalho bem feito, surpreendente para um jornal conhecido por abrigar as mais retrógradas campanhas do agronegócio e sua bancada ruralista.


Com exceção do Globo, os jornais também dão destaque ao mais recente levantamento sobre o desmatamento da Amazônia.


Segundo a Folha de S.Paulo, pela primeira vez na história a destruição da floresta deve apresentar uma redução em ano eleitoral, quando normalmente a fiscalização se torna mais frouxa.


Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e da ONG Imazon revelam que teremos em 2010 uma taxa de devastação muito menor do que a do ano anterior.


O caderno especial do Estadão abriga de forma ampla os conceitos essenciais da sustentabilidade, como o valor estratégico da defesa do meio ambiente para um país como o Brasil, fato raro na imprensa brasileira.


Traz uma entrevista esclarecedora do físico José Goldemberg na qual ele derruba o mito segundo o qual a preservação pode prejudicar a produção de alimentos.


Além disso, uma das reportagens demonstra como o agricultor que respeita a legislação ambiental acaba ganhando com a qualidade da água e o controle natural das pragas.


São informações relevantes para contestar as barbaridades contidas no relatório do deputado Aldo Rebelo, do PCdoB, que prega a flexibilização da lei.


Também muito instigante é a reportagem da Folha de S.Paulo, reproduzida do inglês Guardian, revelando que um dos mais notórios céticos do aquecimento global, o estatístico dinamarquês Bjorn Lomborg, acaba de se converter em defensor da luta contra as mudanças climáticas.


Lomborg, que vendeu muitos livros e liderou um pequeno grupo de cientistas e curiosos que tentou desmoralizar o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, agora afirma que o mundo precisa destinar US$ 100 bilhões anualmente para evitar o desastre climático.


Talvez seja hora de perguntar como ficam os ruidosos céticos, entre os quais muitos jornalistas, que durante dois anos negaram as evidências dos problemas ambientais. 


Los hermanos em guerra


Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa:


– Está cada vez mais acirrada a guerra do governo argentino contra a imprensa de oposição, simbolizada especialmente pelos dois principais diários do país, o Clarín e o La Nación. As escaramuças vêm se dando desde o primeiro semestre de 2008, quando os dois jornais apoiaram o agronegócio argentino contra uma nova taxação sobre as suas exportações.


Dali em diante o conflito derivou para a guerra aberta, culminando, recentemente, com a cassação da concessão de uma empresa do grupo Clarín que explorava serviços de internet; e, na semana passada, com a apresentação, em cadeia nacional de televisão, de um alentado relatório em que se acusa Clarín e La Nación de mancomunarem-se com a ditadura para comprar a empresa Papel Prensa, que abastece certa de 75% do mercado de papel-jornal do país.


Papel Prensa é hoje uma sociedade entre Clarín, La Nación e o Estado argentino, este minoritário. Avançar sobre esta empresa estratégica permitirá ao governo de Cristina Fernandez de Kirchner controlar a produção e distribuição de papel à praticamente toda imprensa argentina. E aqui cabe como luva a máxima atribuída do ex-presidente brasileiro Getúlio Vargas: “Para os amigos, tudo; para os inimigos, a lei”.


O fato é que o governo argentino tem articulado suas investidas contra a imprensa de oposição com a farta distribuição de benesses aos veículos de comunicação alinhados com o oficialismo. O surgimento de jornais que apóiam o governo tem sido financiado com a generosa publicidade oficial, como também o são os diários cuja linha editorial é simpática à Casa Rosada – como, por exemplo, o ex-oposicionista Página 12.


Embora o conflito imprensa versus governo não tenha chegado a este ponto no Brasil, há em todo esse imbróglio um aspecto que nos aproxima e identifica. Tanto lá como cá, são visíveis as deformações causadas pela propriedade cruzada dos meios de comunicação. No ano passado, o governo argentino propôs e aprovou uma lei contra os monopólios da mídia. No Brasil, ainda não houve coragem suficiente para tanto.

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