Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

Programa nº 71

Mauro Malin

>>Muita gente enrolada
>>Lula e os bispos

Por Mauro Malin em 11/08/2005 | comentários

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Muita gente enrolada


O PSDB está enrolado com Marcos Valério, o presidente Lula com empréstimos feitos pelo PT. Mas o mundo não vai acabar. Não por causa disso.


Cariocas e paulistas


Fala mais do que um tratado de antropologia a diferença entre as manchetes desta quinta-feira, 11 de agosto, dos grandes jornais do Rio e de São Paulo. O Globo e o Jornal do Brasil valorizam a quizumba provocada pela lista do deputado Paulo Pimenta, episódio que lembra os golpes em assembléias estudantis nos quais era expert na década de 1960 o então universitário de esquerda José Dirceu.


O Estado de S. Paulo e a Folha, preocupados com a ameaça às contas públicas, portanto à economia, destacam a manobra que elevou ficticiamente no Senado o salário mínimo, enquanto o governo cochilava. Diga-se de passagem que a agitação irresponsável provocada pelo senador Antônio Carlos Magalhães também lembra trambique de assembléia estudantil. A época dele foi o final da década de 40. Sempre na direita.


Lula e os bispos


O Alberto Dines constata que a imprensa não está conseguindo processar a carga de informações produzidas diariamente pelas três CPI’s, mais a Comissão de Ética e a Polícia Federal. Os jornais, segundo Dines, produzem um compacto satisfatório do noticiário, mas não o analisam. Dines diz que embora alguns colunistas façam bom trabalho de reportagem política, a maioria dos opinionistas simplesmente manda brasa, desopila o fígado e faz o seu brilhareco. O leitor, argumenta o editor-responsável do Observatório da Imprensa, quer entender o que há por trás das notícias. Dines dá um exemplo. Fala, Dines:


Dines:


− A carta do presidente Lula à CNBB merece uma reflexão maior. É claro que os bispos ficaram muito animados com esta inédita manifestação de um presidente da República a uma instância religiosa. Mas os verdadeiros republicanos não gostaram – afinal se o estado moderno é secular e prevê uma separação entre a Igreja e o Estado não faz sentido que o presidente dirija-se aos bispos para confessar sua preocupação e em troca da compreensão de suas Eminências oferecer o recuo do governo na questão do direito à vida. Um bom analista político teria muito a dizer. Inclusive mostrar as semelhanças de Lula com Bush nesta questão.


Quem é quem nas CPIs


A mídia deve à população resumos biográficos dos parlamentares que estão sob os holofotes das CPIs e da Comissão de Ética da Câmara. Qual é o currículo político de Ricardo Izar, Ibrahim Abi-Ackel, Arnaldo Faria de Sá, Luiz Antônio Fleury, para dar alguns exemplos. Essa informação é um serviço público relevante.


Sofridos capixabas


Como é vivida fora do circuito Brasília-São Paulo-Rio a crise do “mensalão”?


O editor de política do jornal A Gazeta, de Vitória, Eduardo Calimam, resume resultados de uma pesquisa de opinião feita com 400 pessoas na Grande Vitória na semana passada e publicada no domingo. As pessoas ouvidas pelo Instituto Futura acham que se trata da crise mais grave já vivida pelo país, mas majoritariamente pensam que houve mais corrupção no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso do que no do presidente Lula. Cinquenta e cinco por cento acham que Lula não está envolvido nos casos de corrupção e 30% acham que está.


O jornalista Eduardo Calimam nota que a população capixaba sofre de modo especial com as notícias sobre corrupção dado o histórico do Espírito Santo, onde houve escândalos durante os governos de Victor Buaiz, eleito pelo PT, e José Inácio, eleito pelo PSDB. O ex-presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo José Carlos Gratz cumpre desde fevereiro pena de 15 anos de prisão por crime de superfaturamento. Gratz é acusado de ser um capo do crime organizado.


Retrato de uma derrota


Os jornais cariocas O Dia e O Globo traduzem hoje em destaque no noticiário a indignação da população com o assassinato de uma senhora, mulher de um pesquisador da Universidade Federal Rural, durante assalto a ônibus.


Não é de hoje que a sociedade brasileira, mídia incluída, está perdendo essa batalha.


Os historiadores Laura Reis Fagundes e Israel Beloch, que preparam um livro sobre a história de cinqüenta anos do Prêmio Esso de Jornalismo, constataram a absoluta predominância, desde 1993, nas categorias principais de reportagens premiadas, de matérias relacionadas com a violência. Exemplos de títulos: “Ataque a helicóptero”, “Traficantes nos quartéis”, “Feira de drogas” − esta, feita por Tim Lopes, que acabaria sendo morto, três anos atrás −, “Domingo de pavor” e “Tiroteio em Ipanema”.

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