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ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1014
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>>Na contramão da História
>>Mano dura na Argentina

Por Luciano Martins Costa em 14/10/2009 | comentários

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Na contramão da História


Dois dos grandes jornais brasileiros tratam nesta quarta-feira dos preparativos para a Conferência das Nações Unidas sobre Clima, a ser realizada em dezembro em Copenhague.


O Globo informa que o Brasil está tentando construir uma proposta conjunta com os demais países amazônicos – Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela – para evitar que cada país apresente metas diferentes, o que enfraqueceria o peso da região no encontro.


O jornal carioca também observa que, embora deseje um entendimento em nível regional, o governo brasileiro ainda não obteve um consenso entre seus próprios ministros.


A Folha de S.Paulo passa longe do assunto, apenas registrando que a poderosa Federação das Indústrias no Estado de São Paulo, a Fiesp, apresenta uma proposta conservadora, priorizando o crescimento econômico.


Já o Estadão afirma em manchete que a ministra da Casa Civil e provável candidata à sucessão do presidente Lula da Silva defende metas menos ambiciosas para a redução da emissão de gases poluentes no Brasil, em favor de mais crescimento.


A controvérsia no governo, esclarece o jornal paulista, coloca Dilma Rousseff contra o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.


Todos os jornais de circulação nacional citam a visita ao Brasil do senador ambientalista e ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2007, que participou de encontro com banqueiros e industriais na Fiesp.


Mas nenhum deles se aprofunda na análise das visões divergentes.


Al gore defende metas “realistas” em curto prazo e o prosseguimento dos debates para a busca de índices mais significativos de redução das emissões em todos os países.


A Fiesp e a ministra Dilma Rousseff, segundo a imprensa, têm como prioridade aproveitar o momento favorável para estimular o crescimento da economia, condicionando a questão climática às chances de desenvolvimento econômico.


Também aconteceu terça-feira em São Paulo um encontro de especialistas, entre os quais o físico José Goldemberg e o economista Ladislau Dowbor, no qual se informou que o Brasil pode crescer 5% ao ano até 2012 sem aumentar suas emissões.


Mas a imprensa ignorou o evento.


Os jornais ficam presos ao falso embate que coloca em lados opostos os “ambientalistas” e os “desenvolvimentistas” e ignoram a tese de que o caminho é o do desenvolvimento sustentável.


Mano dura na Argentina

Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa:


– Foi como um trator, bem ao estilo de Néstor Kirchner, o operador político de fato da presidente da Argentina, sua mulher Cristina. Na madrugada do último sábado, a bancada de senadores fiéis ao governo aprovou, com folgada maioria e sem modificação alguma, o texto da controvertida lei de radiodifusão – a Ley de Medios – que já havia sido acatada pela Câmara dos Deputados, em setembro. No Senado foram 44 votos a favor e 24 contra, e no mesmo sábado, em tempo recorde, a presidente Cristina Kirchner sancionou a nova lei.


O governo nunca escondeu que tinha pressa. Se o processo legislativo sofresse algum atraso haveria o risco de o projeto de lei ser apreciado pelo novo Congresso que toma posse em 10 de dezembro, com maioria oposicionista. Por isso a opção pelo estilo trator. Mesmo os pontos mais polêmicos da lei, que sequer têm unanimidade na bancada governista, foram aprovados tal qual vieram da Câmara. Entre eles, o exíguo prazo de um ano para que conglomerados de mídia se desfaçam dos negócios que agora a nova lei impede – a chamada cláusula de desinvestimento –, e a composição do conselho que fiscalizará a execução da lei, formado por sete integrantes, quatro dos quais indicados diretamente pelo Executivo.


Sobre o primeiro ponto, as empresas de mídia mais afetadas pela legislação prometem uma enxurrada de ações na justiça; sobre o segundo e os demais itens polêmicos, a oposição ensaia uma reação parlamentar a partir da posse dos novos congressistas. Mas, nesse caso, as eventuais modificações no texto agora aprovado deverão ser confrontadas com o poder de veto da presidente da República. Se esses vetos terão condições de ser derrubados ou não, essa é uma outra história.


Resumo do tango: a vitória democrática do governo Cristina Kirchner deverá ser democraticamente contestada no novo Congresso. A ver que bicho vai dar.

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