Terça-feira, 25 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1042
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>>A disputa no Senado e a imprensa

Por Luciano Martins Costa em 30/01/2009 | comentários

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Números a escolher

Os jornais encerram a semana como começaram: destacando seletivamente as notícias mais pessimistas do período e escondendo os primeiros sinais de ordem na economia.

O resultado deve ser, inevitavelmente, mais confusão nas mentes dos leitores.

Basta ler as sessões de cartas e os comentários em alguns dos blogs que complementam o noticiário dos principais grupos de comunicação do País, para observar que muitos leitores confundiram as notícias sobre desemprego e queda da atividade industrial, porque alguns se prenderam aos números do último trimestre de 2008, especialmente os de dezembro, enquanto outros levaram em conta os dados anuais.

Na mesma semana em que a queda da atividade industrial em dezembro era destacada em manchetes nos diários considerados de circulação nacional, os jornais especializados em economia cumpriam a tradicional tarefa de analisar os indicadores anuais.

Resultado: a atividade industrial bateu recordes e a taxa de desemprego foi menor durante todo o ano de 2008, em relação a 2007.

No entanto, durante toda a semana, as notícias na chamada grande imprensa sobre o aumento do desemprego em dezembro foram mais destacadas do que a queda do desemprego durante todo o ano de 2008.

Além disso, ficaram bem escondidos na sopa de letras os primeiros acordos entre empresas e trabalhadores, alguns com garantia de emprego até o final de maio.

Afinal, o que aconteceu?

A indústria brasileira acelerou a produção no final do ano, diante das perspectivas de um Natal festivo por causa das compras da nova classe média e também por causa das condições favoráveis de financiamento oferecidas ao longo do ano.

A bolha no mercado imobiliário americano estourou em setembro.

Diante do noticiário catastrofista que se seguiu, o comércio começou a se retrair imediatamente, cancelando encomendas.

A indústria exportadora, de grande visibilidade por seus números expressivos, foi mais afetada pela crise internacional, como se esperava, mas o noticiário deveria discriminar os setores, quando relaciona atividade industrial com desemprego.

Por que os jornais se fixam nos números de dezembro?

Se era absolutamente esperada a queda da produção industrial no último trimestre, como acontece normalmente, por que isolar essa notícia, com destaque, do contexto em que ela é apresentada todos os anos?

O leitor vai ter que descobrir sozinho.

A disputa no Senado e a imprensa

Alberto Dines:

– Ficou mais encarniçada a disputa entre Tião Viana e José Sarney pela presidência do Senado. O surpreendente apoio do PSDB ao candidato do PT anunciado ontem à noite muda radicalmente o tabuleiro político nacional. E o eleitor ? O que é que os candidatos à presidência da Câmara Alta e da Câmara baixa têm a oferecer àqueles que representam? Além da oferta de cargos nas Mesas Diretoras e vantagens indecentes aos parlamentares, o que pretendem os candidatos no tocante à moralidade, agilidade e credibilidade do Legislativo? O cidadão-eleitor vai sobrar mais uma vez nesta competição? E como é que fica o Conselho de Comunicação Social?

Órgão auxiliar do Congresso mas instalado no Senado, o Conselho esperou 14 anos para ser instalado, funcionou dois anos e depois evaporou-se magicamente. O que Sarney e Tião Viana têm a dizer sobre a revitalização do Conselho num momento tão difícil para a mídia brasileira?

Temos o direito de saber se a Constituição vai ser cumprida e o Conselho revitalizado ou se deverá ser novamente enterrado com a ajuda daqueles que têm horror a qualquer medida reguladora? Temos o direito de saber se continua a farra de concessões de radiodifusão aos parlamentares.

O presidente Sarkozy resolveu salvar a mídia impressa da França e nós vamos continuar assistindo ao processo de concentração e desqualificação dos meios de comunicação sem ao menos espernear?

A crise financeira internacional mostrou que o Estado tem um papel importante a cumprir e o Congresso é seu lado mais representativo. Agora que o Legislativo muda de mãos, temos o direito de saber o destino de um órgão criado pela Constituição e seqüestrado por aqueles que têm horror as avanços.

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