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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Programa nº 1137

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>>O poder da palavra

Por Luciano Martins Costa em 06/10/2009 | comentários

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O Brasil oculto


A notícia da chacina no bairro Uberaba, em Curitiba, sensibilizou a imprensa de circulação nacional.


Um grupo de jovens delinqüentes, com idades entre 25 e 30 anos, disparou aleatoriamente contra moradores e passantes, matando oito pessoas, entre elas um bebê de cinco meses e sua mãe.


Também andou freqüentando o noticiário do eixo Rio-São Paulo-Brasília o caso do ex-deputado estadual Wallace Souza, o mais votado do Estado do Amazonas e recentemente cassado.


A história é quase um clássico de terror: dono de um programa popular de televisão em uma retransmissora da rede SBT, ele foi cassado e está sendo julgado por promover assassinatos de suspeitos e criminosos para exibir os cadáveres na televisão.


O caso do ex-deputado chegou a ser tema de uma crônica do escritor Mário Vargas Llosa, publicada no espanhol El País e no argentino La Nación, em agosto passado.


Mas a imprensa do sudeste brasileiro, considerada a mais influente do País, não se aprofundou no estudo do episódio.


Wallace Souza não é apenas um caso patológico extremo: segundo a Polícia Federal, ele atuava em associação com autoridades do Estado, entre elas um coronel encarregado do setor de inteligência da Polícia Militar.


O grupo também esteve envolvido em fraudes contra o INSS e vinha sendo investigado desde 2005.


Mas o que determinou o fim da carreira do apresentador e ex-parlamentar foi a descoberta de que, com a ajuda de policiais, ele encomendava assassinatos para ter as imagens mais fortes, em primeira mão, em seu programa de TV.


O leitor atento haverá de notar a omissão da Abert – Associação Brasileira de Rádio e Televisão – que até o presente momento se abstém de emitir qualquer opinião sobre o caso bizarro de “furo” jornalístico.


Da mesma forma, a população da área mais desenvolvida do Brasil segue ignorando a situação dos lugares que só ganham espaço na mídia quando ocorrem fatos como a chacina em um bairro pobre de Curitiba ou a descoberta de procedimentos jornalísticos como os do ex-deputado Wallace Souza.


A chamada grande imprensa rotineiramente só enxerga as grandes cidades do Sudeste e a Capital federal.


Os dados do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU revelam há muito tempo e repetem, nos indicadores divulgados nesta segunda-feira, que é crescente a mortalidade de jovens vítimas de violência, a tal ponto que chega a influenciar as estatísticas gerais de mortalidade da população.


Longe dos grandes centros, uma olhada em alguns blogs e nas manchetes dos jornais populares Brasil afora revela uma realidade aterradora: Recife está sitiada por traficantes associados a policiais corruptos; Vitória da Conquista, na Bahia, é zona de guerra, e em vários trechos da rodovia que liga o Sul ao Nordeste do Brasil, a Polícia Rodoviária recomenda não trafegar após o escurecer, por causa do risco de assaltos.


A conquista das Olimpíadas de 2016 traz notícias sobre planos para controlar a violência no Rio de Janeiro.


Mas existe todo um Brasil que a imprensa não vê.


O poder da palavra


O filósofo americano nascido na Espanha George Santayana é o autor da frase segundo a qual aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo.


Santayana estava se referindo a crianças e aos homens excluídos do processo civilizatório, mas sua frase tem sido usada como um alerta válido para as sociedades alienadas de sua própria História.


Ao visitar periodicamente os fatos históricos, relacionando-os aos acontecimentos contemporâneos, a imprensa ajuda a sociedade a se manter vigilante contra a repetição de seus maus passos.


Alberto Dines:


– Hitler e seu marqueteiro, Joseph Goebbels, apostavam na palavra falada, berrada. O nazismo tomou conta da Alemanha graças ao rádio. Mas foi vencido pelo cinema.


Hollywood entrou na guerra muito antes do governo americano,  os refugiados do nazi-fascismo foram os primeiros a reagir aos horrores.


No 2º episódio da série sobre a Segunda Guerra Mundial, o Observatório da Imprensa mostrará como Charles Chaplin ficou quase mudo em Tempos Modernos e em seguida fez um dos mais belos discursos a favor da humanidade em O Grande Ditador. Amanhã na TV-Brasil, às 11 da noite. Em S. Paulo pela NET, canal 4 e TVA, canal 181. Em nosso site, a partir da sexta-feira, o programa na integra.

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