Domingo, 22 de Julho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº996
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Programa nº 834

>>O crime vai às urnas
>>A democratização ainda espera

Por Luciano Martins Costa em 30/07/2008 | comentários

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O crime vai às urnas

Os jornais entraram para valer no noticiário sobre a tentativa de grupos criminosos de consolidar seu poder político no Rio de Janeiro.

O Tribunal Regional Eleitoral recusou a oferta de uma força federal de segurança para liberar o acesso de todos os candidatos às comunidades dominadas por traficantes e milicianos, mas organiza a formação de um grupo especial formado por policiais civis e militares e pela Polícia Federal.

Também serão solicitados reforços de outros Estados para o serviço de inteligência.

Segundo o secretário de Segurança, citado pelo Globo, seria necessário um exército de dez mil soldados para retomar as áreas dominadas pelo crime organizado e recompor a presença do Estado em toda a cidade do Rio de Janeiro.

Num de seus minieditoriais, o Globo observa que de pouco adianta as autoridades estaduais negarem o registro de candidatos com ficha suja, por mais evidentes que sejam suas ligações com as quadrilhas, se o Tribunal Superior Eleitoral insistir em só bloquear aqueles que tiverem condenação definitiva.

O jornal faz a pergunta que interessa à sociedade: a Justiça vai sancionar os candidatos dos currais eleitorais do crime?

A questão remete também à iniciativa da Associação dos Magistrados Brasileiros, que continua a atualizar sua lista de candidatos com ‘ficha suja’.

A AMB já havia inserido na lista a ex-prefeita de São Paulo e atual candidata Marta Suplicy.

Ontem, foi incluido na relação o prefeito Gilberto Kassab.

Ambos têm contra si processos em grau de recurso e aguardam decisões da Justiça em instâncias superiores.

Mas nada que se compare à folha corrida de alguns candidatos cujas fichas policiais estão sendo examinadas pelo TRE do Rio.

Os jornais estão tomando o devido cuidado de mostrar a diferença entre os dados da AMB e os relatos policiais que indicam uma ofensiva planejada do crime organizado para colocar nas Câmaras Municipais e em algumas prefeituras candidatos que venham a facilitar suas ações no futuro.

A única questão que o observador faz é a seguinte: será que é só no Rio de Janeiro que o crime está invadindo a política?

A democratização ainda espera

O atraso na regulamentação da TV digital deixa de mãos atadas os dirigentes de emissoras universitárias e dos canais geridos pelo poder público.

Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa:

– Artigo do jornalista James Görgen, publicado na edição online deste Observatório, levanta uma questão pouco lembrada mas que deveria estar no centro das preocupações dos setores interessados na democratização das comunicações no país [ver ‘A democracia em compasso de espera’].

Já se passaram mais de dois anos da edição do decreto que instituiu o Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre (SBTVD-T), faz mais de oito meses que começaram as transmissões de TV digital, e até agora o governo não decidiu como serão operados e geridos os canais da União, e nem como as emissoras já existentes deverão explorar a modalidade de multiprogramação.

O que significa isso? Significa que a não-regulamentação da possibilidade de acesso – entenda-se produção e distribuição – prejudica os poderes municipais e estaduais, as universidades, as comunidades e as parcelas da sociedade historicamente excluídas da comunicação social eletrônica. A democracia das comunicações, portanto, está em compasso de espera. Como aponta o artigo, essa indefinição do governo interessa muitíssimo às redes privadas de TV, desde sempre beneficiadas em todas as etapas do processo de implantação da TV digital.

Na ausência de uma regulamentação geral, cada instituição decide ‘construir’ seu próprio canal, reproduzindo a lógica vertical que impera no setor privado. E, neste caso, não há avanço algum. Apenas o mais do mesmo.

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