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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Programa nº 770

>>O espetáculo da fome
>>A imprensa dos emergentes

Por Luciano Martins Costa em 30/04/2008 | comentários

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O espetáculo da fome

A ONU anuncia uma campanha internacional para a coleta de fundos destinados a evitar que a inflação de alimentos produza uma tragédia nas comunidades mais pobres de todo o mundo.

Segundo os cálculos de técnicos da FAO, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentos, serão necessários 2 bilhões e meio de dólares para assegurar a nutrição dos povos mais vulneráveis neste momento de emergência.

Não há como não recordar as grandes campanhas lideradas por cantores pop na década de 1980, contra a fome em Bangladesh.

E é exatamente esse o espetáculo que já se desenha em palcos da Europa.

Hoje, a imprensa que se dedica ao entretenimento já começa a especular quem seria o líder da campanha da ONU.

Os nomes dos cantores Bono Vox e Sting lideravam as primeiras listas.

Pode parecer estranho a quem não esteja observando as mudanças que marcam a imprensa nas duas últimas décadas, mas é fato notório que cada vez mais se consolida a mescla entre a informação dita séria e o entretenimento.

Os americanos até cunharam a expressão equivalente a ‘infotenimento’ para identificar o fenômeno.

Trata-se da mobilização de grandes multidões a partir de notícias relacionadas ao mundo do espetáculo e do lazer, em ondas que afetam a economia e a política.

Nesse universo, as celebridades são os novos oráculos e um escândalo envolvendo o jogador de futebol Ronaldo pode atrair mais leitores do que uma nova encíclica do papa.

Nesse cenário, faz sentido o lançamento de uma campanha contra a fome que receba o aval de celebridades.

Num período em que faltam lideranças políticas e se esgarçam as ideologias, a necessária mobilização das vontades tem que acontecer da maneira que for possível.

E a imprensa joga um papel fundamental nesse movimento.

Há um mês, desde quando foi feito o primeiro alerta sobre as conseqüências da inflação de alimentos, a imprensa considerada séria vem batendo cabeça, incapaz de informar seus leitores sobre a gravidade e as razões da emergência – e nem mesmo ensaiou uma proposta de solução para o problema.

Agora que a fome está na iminência de virar espetáculo, com certeza o tema vai encher páginas e mobilizar corações e mentes.

Tudo bem, desde que a imprensa fiscalize o movimento do dinheiro até os pratos dos famintos.

A imprensa dos emergentes

Lançados sob grande espectativa na década passada, os jornais gratuitos se tornaram objeto de estudo dos observadores da mídia em todo o mundo.

No Brasil, o movimento cresceu há pouco mais de um ano, e vem se juntar ao renascimento dos jornais chamados populares, que se dirigem à nova classe média que se consolida neste período de crescimento com estabilidade econômica.

Mas um sinal de alerte se acende no cenário internacional: os gratuitos não andam bem das pernas, e a empresa pioneira do setor está fazendo água.

Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa:

– Coqueluche do mercado de mídia no fim da década passada, tidos como alternativas poderosas à crise da imprensa diária no século 21, os jornais gratuitos estão agora provando o gosto amargo da diminuição de receitas.

Fenômeno nascido Europa em 1995, com a pioneira empresa sueca Metro, o modelo espalhou-se pelas principais cidades do continente e ampliou seu raio de ação para o mercado americano. Até o ano passado vinha em marcha batida de crescimento, mas o refluxo do mercado publicitário na Europa e nos Estados Unidos atingiu em cheio o negócio.

No primeiro trimestre deste ano, a agora transnacional Metro perdeu 73,4 milhões de euros nas operações que mantém em 23 países, nos quais produz uma circulação diária média de 23 milhões de exemplares. Resultado do baque: corte de custos, redução de empregos, extinção de títulos e redações ainda mais enxutas.

No Brasil, os poucos jornais gratuitos em circulação vão bem, obrigado, embora o modelo de maior sucesso aqui seja o dos jornais de baixíssimo preço de capa, como os distribuídos principalmente em São Paulo, Rio e Belo Horizonte. Estes estão surfando na onda da estabilidade e do crescimento da economia. E a tendência é que continuem assim.

Todos os comentários

  1. Comentou em 01/05/2008 José de Ribamar Ribamar

    O que o Observatório tem a dizer sobre o episódio ocorrido no Maranhão, onde o Governador não gostou de críticas veiculadas na rádio estatal (Rário Timbira) e determinou o fechamento da sede da emissora e sacração do transmissor, mediante força policial? Para para informações, acesse http://www.walter-rodrigues.jor.br ou http://decio.globolog.com.br.

  2. Comentou em 01/05/2008 Ilda de Freitas

    Se quisermos resolver o problema da fome no mundo, assim como a maioria dos outros problemas graves que afetam a humanidade e o planeta, o trabalho teria que começar pelo enfrentamento do maior problema mundial: a superpopulação. Mesmo que alguns argumentem que há alimento suficiente para todos e que o problema é sua distribuição, como será daqui algumas décadas? Se continuarmos nesse ritmo, compassado pelo aumento da densidade demógrafica e pela irresponsabilidade com a que tratamos as questões que realmente importam, estaremos caminhando para a insustentabilidade da vida no planeta. E o que é o pão, sem educação? Os que receberem essa esmola estarão apenas prolongando uma vida que não é digna desse nome. Estarão morrendo do mesmo jeito, só que em doses homeopáticas, de modo muito mais cruel. A quem interessa isso? Apenas àqueles que insistem em não enxergar, pois isso seria o mesmo que reconhecer a hipocrisia coletiva que comungam.

  3. Comentou em 30/04/2008 Marco Antônio Leite

    Em 1974, durante a Conferência Mundial sobre Alimentação, as Nações Unidas estabeleceram que “todo homem, mulher, criança, tem o direito inalienável de ser livre da fome e da desnutrição…”. Portanto, a comunidade internacional deveria ter como maior objetivo a segurança alimentar, isto é, “o acesso, sempre, por parte de todos, a alimento suficiente para uma vida sadia e ativa”.
    E isso quer dizer:
    • Acesso ao alimento: é condição necessária, mas ainda não suficiente;
    • Sempre: e não só em certos momentos;
    • Por parte de todos: não bastam que os dados estatísticos sejam satisfatórios. É necessário que todos possam ter essa segurança de acesso aos alimentos;
    • Alimento para uma vida sadia e ativa: é importante que o alimento seja suficiente tanto do ponto de vista qualitativo como quantitativo.
    Os dados que possuímos dizem que estamos ainda muito longe dessa situação de segurança alimentar para todos os habitantes do planeta. No entanto, um ser humano sem o básico para a sua subsistência, é um humano sem dignidade. Sem falar na alta burguesia que produz um desperdício fenomenal (não aquele que não enxerga bem, confunde homem com sendo mulher).

  4. Comentou em 30/04/2008 Liber Matteucci

    As sirenes da mídia tocam e todos ficam à espera da ambulância do Bono Vox para socorrer os famintos do planeta. Ele já foi eleito ‘embaixador’ da FAO (Food and Agriculture Organization), tal como Gilberto Gil e outros ‘pop stars’, mas a própria vicediretora-geral da organização, C. Gartner, comentou com ironia que ‘o papel dos embaixadores é particularmente relevante, visto que os meios de comunicação se interessam mais por eles do que pelas organizações’. O Bono sai na primeira página mas o fato é este: as emergências passam, a fome fica. Levantar fundos de vez em quando não é a solução para a ‘insegurança alimentar’ no mundo, que se perpetua devido à falta de vontade política dos países capitalistas avançados, mais dados ao protecionismo e à retórica. Quanto ao papel da imprensa, citado neste artigo como fundamental, no dia seguinte não vai servir nem para embrulhar o bife. Por falta de bife.

  5. Comentou em 30/04/2008 Isabella Pichiguelli

    ‘Há um mês, desde quando foi feito o primeiro alerta sobre as conseqüências da inflação de alimentos, a imprensa considerada séria vem batendo cabeça, incapaz de informar seus leitores sobre a gravidade e as razões da emergência – e nem mesmo ensaiou uma proposta de solução para o problema.
    Agora que a fome está na iminência de virar espetáculo, com certeza o tema vai encher páginas e mobilizar corações e mentes.’

    ENGRAÇADO!
    Há um mês atrás, exatamente há um mês e um dia atrás… ISABELLA NARDONI era A notícia e O espetáculo!
    PERGUNTO: A imprensa considerada séria passou todo o mês de abril ´batento a cabeça´, tentando achar a melhor maneira de informar o leitor sobre a questão dos alimentos… Ou estava muito ocupada com a cobertura do caso que se transformou em um verdadeiro reality show policial ?
    Somente agora, um mês depois, COM O CASO ISABELLA NARDONI PRATICAMENTE CONCLUÍDO, é que a questão dos alimentos está prestes a virar ‘espetáculo’…
    Preferia que virasse notícia! Alerta… – E não outro reality…
    Tem jornalista precisando de férias… Ou querendo mostrar seu talento… Quem sabem não arranjam um estágio com o Boninho…

  6. Comentou em 30/04/2008 Paulo Bandarra

    Interessante que a agricultura possui milhares de anos na hist´ria da humanidade, e se procura dinheiro dos países ricos para resolver problemas de fome de países que deveriam estar fazendo isto pelo menos. Afinal, a tecnologia para cultura de subsistência é antiga e nõ depende de grandes invenções, apenas de políticas simples para a produção de alimentos! Nada sofisticável e que um país de terceiro mundo não pssua. Terra e gente para plantar e colher.

  7. Comentou em 30/04/2008 Marco Antônio Leite

    A fome não é nenhum fenômeno recente, muito ao contrario, deste os primórdios da civilização dos homens a escassez de viveres sempre esteve lado a lado com os povos mais fracos economicamente e tecnologicamente. Esse filme é velho e esfarrapado, essa noticia tem duas finalidades embutidas nessa história, uma é aumentar o custo final dos produtos para a tristeza e loucura das donas de casa e a outra é tirar o foco do povo das sujeiras administrativas feitas por todos os governantes do planeta, uns fazem mais inabilidades e outros um pouco menos.

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