Sábado, 21 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

Programa nº 633

>>O espetáculo da violência
>>Mortes sobre rodas

Por Luciano Martins Costa em 18/10/2007 | comentários

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Fraude justificada

A julgar pela interpretação que dão às suas palavras as edições de hoje do Globo e do Estado de S.Paulo, representantes da Câmara de Comércio dos Estados Unidos justificam as fraudes e outros crimes de que são acusados dirigentes da Cisco System no Brasil.

Segundo os jornais, o diretor para assuntos do Hemisfério Ocidental da Câmara de Comércio americana, Mark Smith, afirmou em Washington que o excesso de impostos e as altas taxas de importação foram a causa das práticas criminosas atribuidas a diretores da Cisco.

Mark Smith sugeriu que as autoridades brasileiras não se limitem a investigar a Cisco, afirmando que  o Brasil precisa melhorar as condições estruturais do seu comércio, que seriam a razão principal de fraudes e subfaturamentos.

Se os jornais interpretaram corretamente, o diretor da Câmara de Comércio estaria, ao mesmo tempo, justificando os crimes supostamente cometidos pelos dirigentes da empresa americana e sugerindo que a investigação se estenda a outras companhias.

Bom conselho

O conselho de Smith já está sendo seguido pelas autoridades policiais do Brasil.

Outras multinacionas, especialmente aquelas que usam intensivamente alta tecnologia, também vão ser investigadas.

Grandes escritórios de advocaria começaram a se movimentar, mas a Polícia Federal indiciou ontem o presidente da Cisco para a América Latina, Carlos Carnevale, considerado o idealizador do esquema, o presidente da empresa no Brasil, Pedro Ripper, o presidente da principal distribuidora da Cisco, Moacir Álvaro Sampaio, e pelo menos uma dezena de outros diretores e sócios.

Risco para os negócios

A Cisco, apontada como líder de vendas no setor, com 75% a 80% do mercado brasileiro, é fornecedora de equipamentos essenciais para o funcionamento da internet.

Alguns especialistas citados pelos jornais já especulam sobre o risco de virem a faltar equipamentos para a expansão prevista pelas empresas de comunicações, principalmente com o advento da televisão digital. Outros dizem que Polícia Federal, o Ministério Público e a Receita Federal podem agir à vontade, pois o mercado é suficientemente grande e diversificado para garantir a continuidade do crescimento dos negócios.



Heróis bandidos

A chamada ‘Operação Persona’, que levou à prisão dirigentes da gigante global da tecnologia de informação, deveria estar agora produzindo aquecidos debates nas editorias de economia e tecnologia da imprensa brasileira.

Habituados a celebrizar os recordes de venda e faturamento das companhias do setor, os jornalistas precisam agora rever todos os rankings e repensar a forma como reproduzem dados dos balanços dessas empresas.

De repente, alguns heróis do jornalismo de negócios se revelam os mais reles bandidos.

Queda no ranking

O Brasil caiu na avaliação sobre a liberdade de imprensa feita pela organização de origem francesa Repórteres sem Fronteiras.

Dines:

– Enquanto os  prêmios de jornalismo estão em baixa, os rankings que medem a liberdade de imprensa estão em alta. É fácil compreender o desequilíbrio porque todos querem oferecer um premiozinho aos jornalistas porque em troca podem ganhar as boas graças da imprensa. Mas as  avaliações sobre a qualidade da informação ou sobre a liberdade no  exercício do jornalismo, exigem trabalho, critérios, medições e  acompanhamento regular  in loco. Não são muitas as entidades que se dedicam ao monitoramento da imprensa no mundo, uma delas, talvez mais credenciada, é a ONG ‘Repórteres sem Fronteiras’ que rastreia a situação da imprensa no mundo há seis anos consecutivos. O sexto relatório ontem divulgado não foi favorável ao Brasil. Caímos nove posições em matéria de liberdade de informação, estávamos na posição 54 e caímos para a posição 71. Na América do Sul fomos empurrados para a quinta pior classificação, a frente apenas de países notoriamente arbitrários como o Paraguai e Venezuela.  A avaliação considera um conjunto de violações – quantos jornalistas foram mortos ou presos, quantos foram processados ou censurados. No nosso caso também foram contadas as ameaças por parte de autoridades, políticos ou partidos. Esta modalidade talvez seja a grande responsável pela piora da nossa colocação, já que sob o pretexto de criticar a imprensa – o que é legítimo – nossos governantes e políticos passaram a intimidá-la. Isso é ilegítimo.



O espetáculo da violência

Os jornais fazem hoje nova crônica violenta do confronto permanente entre policiais e quadrilhas que dominam as favelas do Rio.

Desta vez, foram nada menos do que doze mortos na Favela da Coréia. Dez supostos criminosos, um policial e uma criança.

Mas o show de horrores mostrado ontem na televisão não se reflete nas edições dos jornais do dia seguinte. A imprensa escrita parece incapaz de contar essas histórias que se sucedem como se fossem fatos banais.

Escolas fechadas

O Globo encontrou um título empolgante para a reportagem – ‘A batalha da Coréia’.

Talvez pela maior proximidade com o cenário, o jornal carioca consegue retratar melhor os seres humanos envolvidos, mas ainda assim a crueza dos números e os detalhes sobre a operação policial acabam encobrindo as verdadeiras dimensões do drama que se abate sobre aquela população.

Ontem, nada menos do que 8.500 estudantes de treze escolas ficaram sem aulas. Milhares de pessoas não puderam sair de suas casas e o comércio manteve as portas fechadas.

Bandidos na polícia


O confronto durou seis horas. Ao final, como é rotina, a polícia encontrou no refúgio dos suspeitos drogas e um arsenal poderoso de armas e munições.

Como é rotina, a polícia encontrou também anotações de traficantes. Entre os registros está a contabilidade das propinas pagas a policiais.

Eis aí uma boa pauta, que os jornais apanham a cada operação policial para abandonar no dia seguinte. E as verdadeiras causas da violência ficam escondidas sob o espetáculo das batalhas.

Mortes sobre rodas

O Globo segue sendo o jornal brasileiro que mais se dedica a séries de reportagens, o que traz certo alento para as chances de voltarmos a ter uma imprensa realmente investigativa no Brasil.

Depois das reportagens sobre a imposição da ditadura do tráfico e da polícia corrupta sobre a população das favelas cariocas, o jornal vem produzindo uma sucessão de trabalhos sobre o problema do transporte terrestre no Brasil.



A situação calamitosa das estradas e os problemas do trânsito urbano já foram devidamente retratadas nas últimas semanas.

Hoje, o Globo entra no reino dos motoqueiros, onde as mortes por acidentes já alcançam nível de epidemia: pelo menos dezoito ocorrências fatais por dia, vitimando especialmente homens jovens.

Entrevista rápida com um motomensageiro de São Paulo, que trabalha mais de cem horas por semana: ‘a cidade está mais selvagem’.

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