Terça-feira, 17 de Julho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº995
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Programa nº 815

>>O fim da concorrência
>>A festa da literatura

Por Luciano Martins Costa em 03/07/2008 | comentários

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O fim da concorrência

O resgate da ex-candidata a presidente da Colômbia Ingrid Betancourt está nas manchetes de hoje.

Segundo o noticiário, ela foi libertada em uma ação militar, juntamente com três cidadãos norte-americanos.

As notícias liberadas pelo governo colombiano dão conta de que os quatro ex-prisioneiros estão em condições razoáveis de saúde.

Ingrid Betancourt, ex-senadora que disputava as eleições presidenciais em 2002, foi seqüestrada quando fazia campanha eleitoral no interior do país.

Ela e os três agentes do governo americano eram parte do grupo de 44 prisioneiros cuja libertação era negociada com o que resta do comando das Farc.

O noticiário de hoje, alimentado basicamente por agências internacionais, não oferece detalhes da operação militar, mas há indícios de que ela foi planejada paralelamente a uma ação humanitária organizada pelo governo francês.

Embora o governo colombiano afirme ter se tratado de um resgate militar, há indícios de que as Farc resolveram liberar os prisioneiros, mas o noticiário não é conclusivo.

O material que os jornais publicam hoje estava disponível nas redações no final da tarde de ontem, o que permitiu caprichar nas edições, com gráficos e mapas.

Comparados aos jornais de maior prestígio internacional, os diários brasileiros não ficam trás em termos de organização e conteúdo.

A cobertura do caso mostra que sabem usar os recursos de edição como qualquer congênere dos países mais desenvolvidos.

O problema é justamente o oposto: desenhados a partir dos mesmos consultores, os jornais brasileiros acabam ficando muito parecidos.

Os infográficos têm o mesmo estilo, os mapas e os textos modulares dão uma aparência comum a todos eles.

As manchetes de hoje sobre a libertação ded Ingrid Betancourt mostra que os jornais parecem cada vez menos capazes de surpreender o leitor.

Assim fica difícil convencer alguém de que existe diversidade e  competição real entre eles.

Se o leitor quiser fazer um exercício de observação, basta analisar os títulos das reportagens sobre a libertação da ex-senadora colombiana: eles dizem praticamente a mesma coisa.

Pelo menos na imprensa brasileira, o mundo ainda é plano.

A festa da literatura

Começou ontem à noite a Festa Literária Internacional de Parati, com a boa notícia de que a cidade fluminense pode ganhar o status de patrimônio da humanidade da Unesco.

A imprensa está presente em peso.

Pelo menos 400 jornalistas de várias partes do Brasil e de países latino-americanos se credenciaram.

Por todo canto se respira literatura e, pelas ruas calçadas com a pedra pé-de-moleque, pode-se cruzar com escritores e editores, que distribuem autógrafos como celebridades do mundo do entretenimento.

Os críticos literários têm a oportunidade de tomar uma cerveja com seus objetos de estudo, professores e estudantes de literatura sentam-se ao lado de figuras míticas dos livros nos bares da cidade.

Trata-se de um momento de glória para o jornalismo cultural.

Mas será que a imprensa está atenta aos riscos da festa?

Por todo lado se pode observar o cuidadoso trabalho das assessorias de marketing das grandes editoras.

E nem tudo é boa literatura.

Assim como existem os jornalistas especializados em ganhar prêmios, também pululam no mercado os escritores especializados em… mercado.

Alguns detalhes, como a presença de milhares de alunos das escolas da região nas sessões da chamada Flipinha, mostram o propósito dos organizadores de cuidar dos futuros leitores de livros.

Mas será preciso observar o que sairá na imprensa nos próximos dias para se avaliar se o jornalismo está sabendo destacar as melhores expressões da literatura daquilo que é empurrado para o público pelas editoras.

Que literatos se tornem celebridades é bom sinal.

Mas cabe aos especialistas da imprensa separar a boa literatura daquilo que é apenas produto.

Todos os comentários

  1. Comentou em 03/07/2008 André Antonio Marra

    Hoje em dia fica cada vez mais fácil se publicar um livro, via 0800 com verbas oriundas de leis de incentivo a cultura. Que na verdade maqueiam a verdadeira intensào da obra,ou seja, uma oportunidade de se ganhar dinheiro fácil às custas do governo. Recentemente me deparei com um desses famosos, em um sagua de hotel luxuoso. Rodeado de assesores e achando que o deul livro devaeria ser a pautas dos jornais locais. Pautando perguntas aos repórteres, escoando de perguntas e tudo para vender seu produto.

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