Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

Programa nº 191

Mauro Malin

>>O habilidoso Palocci
>>Alianças liberadas

Por Mauro Malin em 26/01/2006 | comentários

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O habilidoso Palocci


Daqui a pouco tem novo depoimento do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na CPI dos Bingos. As denúncias relativas a sua passagem pela Prefeitura de Ribeirão Preto e pela campanha da eleição do presidente Lula são pesadas, mas ele até aqui driblou, com grande habilidade, o Congresso e a imprensa. Seu destino e o do presidente estão colados.



Os marqueteiros


O Estado de S. Paulo noticia nesta quinta-feira que o marqueteiro João de Santana Filho, provável substituto de Duda Mendonça na corte palaciana, também usou paraísos fiscais.


Corrupção privada


Ontem, na Folha, Clóvis Rossi noticiou que a corrupção preocupa quase 80 por cento do empresariado brasileiro. A reportagem dá a entender que se trata apenas de corrupção no setor público. A corrupção no setor privado é maior. Experimente tentar colocar um produto novo no departamento de compras de um cliente. Em muitos casos vão pedir “bola”. A mídia passa longe dessa realidade.


Alianças liberadas


O Alberto Dines condena a primeira votação da medida que poderá pôr fim à cláusula da verticalização.


Dines:


– A verticalização já era, está praticamente enterrada com o resultado do primeiro turno da votação ontem na Câmara dos Deputados. Liberou geral, os partidos vão poder coligar-se das formas mais estranhas e absurdas. Ganhou o presidente Lula contra os seus próprios companheiros do PT, ganharam os partidos da base aliada e o país regrediu politicamente. Regrediu muito. Os deputados que não queriam a verticalização queriam faturar no atacado e no varejo, negociar cada aliança em separado. Em outras palavras, multiplicar os valeriodutos.


A sociedade não conseguiu pressionar os parlamentares porque ela própria não estava entendendo direito o que estava em discussão. E não estava entendendo porque não lhe explicaram. Quer dizer, a imprensa não lhe explicou. Mauro, repare uma coisa: ontem, dos três jornalões, apenas a Folha chamou a atenção dos leitores na primeira pagina para a importante votação que ocorreria à tarde na Câmara. E também apenas a Folha comentou o assunto em editorial, mas um editorial infelicíssimo porque ficou em cima do muro. Ou a imprensa achou o assunto muito complicado para explicar ao leitor ou simplesmente achou que não merecia ser destacado. Sem a pressão da sociedade, os deputados votaram a favor dos seus interesses pessoais e não dos interesses nacionais. E assim, de retrocesso em retrocesso, vamos construindo uma democracia cada vez mais precária. E aceitando uma imprensa cada vez mais alienada e fútil.


Cláusula de barreira


O dispositivo que está por trás da votação de ontem é a cláusula de barreira. Traduzindo: partido que não tiver um mínimo de votos sai de cena no Congresso. É salutar.


Inimigo do jornalismo


Começou a circular um manifesto de jornalistas em defesa da liberdade de imprensa. O alvo é o empresário Nelson Tanure, que controla o Jornal do Brasil e a Gazeta Mercantil e lançou no dia 15 de janeiro uma campanha difamatória contra o repórter especial do Estado de S. Paulo Lourival Sant´Anna. O manifesto foi uma iniciativa da Federação Nacional dos Jornalistas, Fenaj, e dos Sindicatos dos Jornalistas de São Paulo e do Rio. O protesto pode ser assinado por correio eletrônico.


Tanure tem força junto ao Judiciário em diversos estados. Combina pressão judicial com manipulação de jornais. Não é o único, mas é hoje talvez o mais perigoso inimigo da liberdade de imprensa no Brasil.


O presidente da Fenaj, Sérgio Murillo de Andrade, explica a iniciativa da entidade:


– Houve uma comoção de vários profissionais, filiados aos sindicatos ou não, solicitando inclusive um posicionamento da Fenaj. A Fenaj tem seguido e denunciado a postura do Nelson Tanure. Ele falou literalmente que não respeita e não vai respeitar a Consolidação das Leis do Trabalho.


É vergonhoso para a profissão esse tipo de prática que ele adotou agora, de usar os jornais que ele controla para atacar a reputação de jornalistas que estão fazendo nada mais nada menos que seu trabalho.


Um crime delicado


Polêmica animada em torno do filme Um Crime Delicado, de Beto Brant, que estréia hoje. A crítica da Veja atacou de bazuca. Hoje a Folha procura estabelecer um debate mais sutil.


Desigualdade sem liberdade


O Google, ao virar uma empresa como outras, embarca em práticas lamentáveis, como aceitar censura para se estabelecer na China. A China troca alguma igualdade sem liberdade por muita desigualdade sem liberdade.

Todos os comentários

  1. Comentou em 26/01/2006 Francisco Alves de Souza

    Assim como os funcionários públicos federais, os taxistas, os cobradores de ônibus, o judiciário, etc., o corporativismo está impregnado em setores importantes deste País. Ninguém difere a conotação pessoal nas ‘perseguições’ e quem se sente ferido usa as armas que tem, pois não faz a menor idéia do que seja ética. A imprensa tupiniquim criou uma barreira psicológica em torno de si mesma de uma maneira tão imbecil, que não tem dicernimento nem pra perceber que também comete erros, e não são poucos. Em nome da ‘liberdade de Imprensa’ diz e escreve tanta bobagem que beira a insanidade. È imexível e intocável. Os jornais e revistas semanais não podem deixar as vendas cairem. Que pena que o umbigo dos outros é mais sujo que o nosso.

  2. Comentou em 26/01/2006 taciana oliveira

    Interessante que a corrupção da empresa privada apareça para ver se nós conseguimos derrubar essa conversa de que ela só existe no setor público Vejamos. Por acaso nomear por ‘QI’ só existe no serviço público ? Balela! E proteger gente incompetente, também? Quantas vezes vejo gente como Bóris Casoy dizer ‘Temos que passar o Brasil a limpo’.Ok! E as empresas, estão fora do Brasil? São feitas de anjos? Quando um parlamentar é corrompido e ganha (p.exemplo) um milhão por determinada emenda, ela vai render ao dono da empresa(s) beneficiada(s) 100 milhões, no mínimo, senão ela não tinha interesse nisso. Esquecemos que os deputados e senadores eleitos não chegaram de outro planeta, foram colocados lá pela generosidade (salvo raras exceções) de quem quer seus interesses representados diretamente e que os chefes que eles conseguem nomear no serviço público obedecem à mesma lógica corrupta. E que, no fim de tudo, o simples funcionário (aquele ‘barnabé’ nomeado após disputado concurso) é quem faz o trabalho duro, ganha pouco e leva a fama de ser corrupto (13 janeiros sem aumento). Quem paga as benesses dos diretores da empresa privada? Ela? Conversa fiada! Isso sai do couro do consumidor e das burras generosas da sonegação fácil, ou alguém quer me convencer de que o capitalismo no Brasil tem tanta vocação social assim? ‘A corrupção é via de mão dupla só existe um corrompido porque existe um corruptor’ (M.Covas)

  3. Comentou em 26/01/2006 will borghi

    Este cara também não é flor que se cheire. Acho que vcs deveriam ter compromissos com pessoas corretas. Por que vcs não dão uma olhada no que ele e a irmã dele fizeram na administração P. Wilson PT em Goiânia. Abraços!

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