Segunda-feira, 19 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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>>O Judiciário lava a roupa
>>A República dos arapongas

Por Luciano Martins Costa em 15/07/2008 | comentários

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O Judiciário lava a roupa

A divergência entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o juiz Fausto Martin de Sanctis, ameaça contaminar todo o Judiciário, alcançando o Ministério Público Federal.

As autoridades produzem os fatos, os jornais cumprem seu papel ao divulgar aquilo que apuram.

E, pelo que se lê hoje, a imprensa não parece preocupada com a extensão da crise.

O presidente da Corte Suprema tem suas razões para reafirmar sua autoridade, mas a leitura das edições de hoje indica que a imprensa pende para o outro lado.

Sem deixar de manter as críticas a excessos da Polícia Federal, os jornais ampliam o noticiário sobre o personagem central da crise, o banqueiro Daniel Dantas.

A disposição das duas partes no confronto que divide o aparelho institucional do País é uma mostra de quanto o controvertido aventureiro penetrou nas entranhas do poder público.

Os jornais destacam que o ministro Gilmar Mendes recebeu apoio através de um abaixo-assinado de 143 advogados, e participou de um ato de desagravo organizado em São Paulo.

Estavam presentes advogados que defenderam o ex-prefeito Celso Pitta, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o banqueiro Edemar Cid Ferreira e pelo menos um notório defensor da máfia dos bingos.

Não é exatamente o tipo de apoio que conquista a simpatia da opinião pública.

O juiz De Sanctis foi homenageado por cerca de 400 juízes, com a presença de procuradores, num ato que intitularam ‘Grito da Magistratura’.

No documento que distribuiram aos jornalistas, os organizadores da manifestação esclarecem que não colocam em questão a decisão do presidente do Supremo, de conceder duas vezes o habeas-corpus ao banqueiro Daniel Dantas.

Os juizes se insurgem contra o fato de Gilmar Mendes ter dado início a um procedimento investigatório contra no juiz De Sanctis na Corregedoria e no Conselho da Justiça Federal.
Consideram que essa medida representa uma ameaça à liberdade de toda a magistratura.



A imprensa parece adorar a lavação de roupa suja no Judiciário.

E o noticiário se assemelha à disputa entre torcidas de futebol.

Mas talvez o leitor esteja mais interessado nos desdobramentos do caso que a Polícia Federal batizou de Satiagraha.

O mapa da teia de influências que o banqueiro Daniel Dantas parece ter espalhado pelos poderes da República, publicado hoje no Estadão, está incompleto.

Faltam ali pelo menos três personagens importantes da nossa história recente, que já foram citados transversalmente no noticiário.

Se quiser preservar a credibilidade daquilo que publica, a imprensa tem que se manter fiel à versão completa dos fatos.

A República dos arapongas

O desentendimento entre um juiz de primeira instância e a mais alta representação do Judiciário pode descambar numa crise sem precedentes.

Os jornais informam hoje que procuradores das regiões Sul e Sudeste do País estão estudando a possibilidade de pedir o impeachment do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes.

Esta á a primeira vez que se cogita publicamente de tal medida no Brasil.

O impeachment do presidente do STF precisaria da aprovação de dois terços do Senado, o que transferiria para o Congresso a crise no aparelho da Justiça.

O centro do conflito que ameaça contaminar as instituições nacionais é uma divergência sobre os poderes da polícia e do Ministério Público.

As ações da Polícia Federal contra acusados de crimes financeiros ou de corrupção têm sido cada vez mais espetaculosas, na opinião de muitos advogados – manifestada também pelo presidente do Supremo Tribunal.

Aliados à Polícia, os promotores querem preservar o rigor dessas ações, para sinalizar à sociedade que todos são iguais perante a lei.

Outra questão, que também se refere ao processo das investigações, é o uso indiscriminado de escutas telefônicas e outras formas de investigação invasivas.

Pelo que se lê nos jornais, o Brasil se transformou na república da arapongagem.

Dados obtidos dessa forma acabam aparecendo na imprensa, provocando julgamentos antecipados em processos ainda em fase de apuração preliminar.



Os vazamentos de informações sigilosas e outras anomalias do noticiário são o tema central do Observatório da Imprensa na TV. Pela TV Cultura à meia-noite e dez e pela TV Brasil, ao vivo, às 22h40.

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