Quarta-feira, 20 de Março de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1029
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>>O julgamento do juiz
>>A imprensa distraída

Por Luciano Martins Costa em 30/03/2009 | comentários

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O julgamento do juiz

A imprensa tratou de maneira rasa, neste final de semana, os escândalos que ocuparam os jornais nos dias anteriores.

Tanto o caso Daslu como o processo contra diretores da empreiteira Camargo Corrêa cairam na vala comum das declarações, e houve pouca evolução na investigação de fatos novos.

As revistas semanais fizeram o apanhado daquilo que os jornais trouxeram até sexta-feira, com duas visões diferenciadas mas repetindo a estranheza com a dureza da sentença de 94 anos imposta à empresária Eliana Tranchesi.

Época e IstoÉVeja fez um trabalho mais consistente, analisando especificamente o processo contra a dona da Daslu.

A rigor, as decisões judiciais se referem unicamente ao caso em pauta, e os magistrados costumam se referir a outros julgamentos apenas para citar a jurisprudência e fundamentar suas decisões.

Portanto, comparações entre o processo contra Eliana Tranchesi e as sentenças proferidas contra assassinos e traficantes não passam de demagogia da imprensa, um apelo ao emocionalismo para dirigir a opinião dos leitores.

A controvérsia sobre a pena de 94 anos foi estendida pela Folha de S.Paulo na edição de sábado, dia 28, com uma reportagem-debate questionando se a decisão revela uma nova tendência do Judiciário brasileiro, de punir com mais rigor os crimes financeiros.

De qualquer maneira, registre-se que a cobertura de Veja foi mais completa, mais isenta e informativa do que as de suas concorrentes, evitando a tentação da pieguice que é induzida pelo fato de a empresária sofrer de câncer.

O caso da Camargo Corrêa exige uma atenção mais cuidadosa dos leitores.

Depois de privilegiar a defesa dos partidos políticos acusados de receber doações ilegais da empreiteira, parte da imprensa tira do palco os supostos criminosos e coloca em seu lugar o juiz Fausto Martin de Sanctis.

Enquanto a Folha e o Globo avançam timidamente em suas edições de hoje, o Estado de S.Paulo concede espaço privilegiado para o lobby da Ordem dos Advogados do Brasil, que tenta definir como absoluta a lei sobre a inviolabilidade dos escritórios de advogados.

“O Congresso contra um juiz”, diz o título da reportagem de IstoÉ.

Pelo que se lê neste começo de semana, o conflito marcado é o da imprensa contra o juiz.

A imprensa distraída

Alberto Dines:

– A mídia reagiu muito bem neste fim de semana às revelações sobre os abusos administrativos nas duas casas do Congresso. Mas o que chama a atenção é o ar de espanto. A mídia não deveria ser a penúltima a saber, deveria ser a primeira. Ela é quem deveria zelar pelos bons costumes parlamentares.

O alarme deveria ter soado há mais tempo, em letra de forma. Será que os repórteres que há anos freqüentam a Câmara nunca perceberam a fila diária de funcionários no início da noite para bater o ponto e receber as horas extras? Além do imponente Salão Verde as equipes de TV não deveriam percorrer as demais dependências do Congresso para mostrar aos cidadãos como se comportam os seus representantes e aqueles que os servem? Ou jornalista só deve investigar aquilo que está na pauta?

O Senador Sarney anda se lamuriando de que não pode ser responsabilizado pelos descalabros na Câmara Alta – afinal só foi eleito no início de Fevereiro. Mas ele era candidato desde o fim do ano passado, seu preposto e antecessor, Garibaldi Alves, ocupou a presidência por mais de um ano e outro parceiro, Renan Calheiros, presidiu o Senado durante grande parte do biênio anterior.

Onde estava a mídia que jamais se espantou com a tremenda farra parlamentar? E a multidão de assessores de imprensa com diploma de jornalista que trabalha no Congresso, a quem deve servir – aos congressistas omissos que os empregam ou à sociedade que lhes paga os salários? Este é um escândalo que deixa o caso da Daslu no chinelo. No supermercado do luxo de S. Paulo existia uma organização criminosa para lesar o fisco. Em Brasília, no hipermercado de privilégios, graças à falta de curiosidade da imprensa, instalou-se uma rede de prevaricações jamais devassada.

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